quinta-feira, 8 de julho de 2010

Preparando uma viagem bolivariana

Uma viagem me aguarda. Ela precisa ser preparada, programada, estudada e, por fim, executada. Uma inspiração bolivariana. Há anos conversei com meu afilhado, ainda solteiro, sobre a possibilidade de partirmos de Brasília e, em um mês, percorrer a maior quilometragem possível pela América do Sul. No percurso, usaríamos avião, trem, moto, carro e animais, se preciso fosse. Uma aventura antes dos 30 anos.

Pois bem. Para quem viu e participou, em janeiro completei a jornada. Cheguei aos 30 e nada da viagem ocorrer. Nesse meio termo, Leonardo casou-se com minha prima. Agora a aventura deverá ser vivida sozinha. Não me assusta. Pelo contrário, me motiva. E os mapas já foram comprados. Em conversas com um amigo e outro, traço o destino imaginário em minha mente.

Quem puder contribuir com destinos e situações que devem ser vividas pode enviar um e-mail para este blogueiro. Agradeço, desde já, aos meus cinco leitores. Tenho certeza que terei o apoio deles e também a leitura do relato da viagem. Ah, a data para a execução da aventura será novembro, se nada ocorrer.

Obrigado desde já
edersoneuripedes@gmail.com

terça-feira, 8 de junho de 2010

Eterno debate - Brasil x Argentina

Terça-feira. Para meu professor de espanhol apenas martes. É assim mesmo. Sempre que chego às aulas nesse dia ele vem logo corrigindo tudo. Como na semana passada tive um probleminha de saúde (lasquei o joelho na parede enquanto dormia e isso me rendeu cinco dias de molho com a perna para o alto), a aula foi terrível. Estava em uma lerdeza só. ¡Hola! Buen dia! Nada disso. Poderia perguntar a ele: ¿Lo que es bueno? Pero yo no soy una persona que molesta a nadie. E por isso fui educado.

O papo estava fluindo na lanchonete que fica no térreo do prédio onde tenho aulas. Ele, argentino de Buenos Aires, questionava-me sobre a globalização. Perguntou-me se eu via mais fatores positivos ou negativos com o fenômeno. E citou o caso do vazamento de petróleo no Golfo do México. “Una empresa británica que la exploración de petróleo en Estados Unidos. Y no está hablando de las empresas brasileñas o argentinas”.

Que papo para um café da manhã. Nesta hora em que ele me falava, eu pensava na abertura da Copa do Mundo, com o jogo entre África do Sul e México, na sexta-feira. Mesmo assim, fiz um esforço para falar um pouco sobre a questão. Tentei explicar a ele que eu era a favor da globalização. “Sin ella, el mundo no sería tan entrelazados. Así que me gusta la idea del fenômeno”, argumentei.

Depois de algum tempo, decidi cortar aquele papo. E perguntei se ele estava se preparando para a Copa. Sempre muito cômico, Santiago sorriu e disparou: “El equipo argentino tiene muchas posibilidades de ganar. Creo que mi esposa va a llorar un poco cuando Brasil fue eliminado”. Você me mata de rir, hermano portenho. “Esto no es cierto. Brasil será campeón. ¿Quiere apostar?”, desafiei.

Ora bolas, em plena manhã um argentino ousa querer ser melhor que nós, brasileiros, no futebol. Não entramos naquela eterna discussão entre Pelé e Maradona. Também, pra que perder tempo com algo tão óbvio? A aula acabou sem que ele aceitasse minha aposta. Eu, como sempre, estou ansioso para ver a Copa do Mundo. Espero sempre quatro anos por essa competição. E agora, batendo à porta, vejo que teremos jogos memoráveis pela frente. E espero, do fundo do coração, que encaremos a Argentina nas quartas ou na semi. Seria ótimo ver a cara do Santiago depois da eliminação da equipe do Maradona. Hasta la vista, hermano.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vim, vi e venci...

Algumas coisas acontecem em nossas vidas para nos alertar, direcionar ou simplesmente para mostrar uma realidade que não queremos ver. Não estou escrevendo isso porque algo ocorreu em minha vida que sirva de exemplo para meus cinco leitores. Escrevo apenas porque me veio ao coração essa noção de acontecimentos. Quem nunca se deparou com uma situação e disse “É um aviso”, “Isso quer dizer algo” ou coisa parecida?

Pois bem meu quinteto favorito. Hoje é um dia daqueles. Segunda-feira depois de um fim de semana com muitas emoções. Afinal, fomos campeões do Torneio Interno de Futebol do Superior Tribunal Militar. As emoções ficaram por conta do amigo Rubens, o grande homenageado do dia, e de meu pai, que depois de 10 anos voltou à sede da Assejumi. Amizades antigas reconheceram os esforços dele durante seus anos de dedicação ao STM.

Mas voltando ao assunto primordial. O que me mostrou essa nossa conquista é podemos mais. Apenas isso. E não é nada par alertar ou para direcionar. Apenas para dizer que podemos mais, que somos mais. Reconhecer, com otimismo, momentos da vida é um dom maravilhoso. Temos sempre a mania de reclamar, nos fazermos de vítimas, achar que nunca está bom e por aí vai. Mas hoje tenho uma certeza: somos mais.

A vida não é vivida separadamente. Nem monges conseguem isso, pois vivem em comunidade. E a melhor forma é ser otimista. É ver a metade do copo cheia sempre. Ver que ainda dá tempo de virar o jogo. Perceber que a hora é essa. Vivemos essa virada neste torneio. Foi possível. E tenho certeza que se é possível para mim, é possível para todos. Basta acreditar.

Foi assim que saímos da falta de esperança, como narrado em outro post neste espaço, e chegamos à glória. Não desistimos. Não desanimamos. Apenas encaramos os desafios com muita garra e seriedade. Com isso, a vitória foi inevitável. Parabéns Canarinho por mais esse título.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nunca desanime por nada (motivacional)

“Reunir-se é um começo, permanecer juntos é um progresso, e trabalhar juntos é sucesso”.
Henry Ford – Fundador da Ford

Nada que leve ao sucesso é feito por apenas um homem. Durante o decorrer da longa caminhada aparecem centenas de pessoas que acolhem um ideal, se doam por uma causa e acreditam em um projeto. Se preciso for, removem montanhas para que o triunfo seja alcançado. E sabe por que todo o esforço vale a pena? Porque o gosto da vitória é indescritível. Vencer é a meta de qualquer equipe. E todos querem isso. Esperam por isso. E trabalham para isso.

Durante essa grande estrada que leva ao sucesso nem sempre as coisas são fáceis ou saem como o planejado. Existem episódios que desagregam, que desanimam e que fazem desacreditar naquilo que tanto motivou no início. Duvidamos de nossos ideais, das nossas forças, da nossa capacidade e acabamos tropeçando em nossas próprias pernas por não acompanharmos a marcha que segue ao nosso lado.

O que fazer nessa hora? Seguir. Seguir é sempre importante e bom. Ficar parado é entregar-se à derrota e não é isso que se busca na vida. Se acomodar é dar espaço para que outros ocupem o seu lugar. É claro que continuar em momentos difíceis não é tarefa simples. O que um artista faz quando cai no palco? Chora? Com certeza sim. Afinal, foram anos de treinamento para uma queda estragar tudo. Sozinho, nesse instante, por alguns décimos de segundo muitas dúvidas surgem em sua cabeça. Onde errei? O que faltou? Por que isso aconteceu comigo? Tudo em um único e pequeno momento.

Mas durante o choro, mesmo que silencioso, uma certeza: é preciso levantar. A vida é um grande espetáculo. O palco está sempre montado, preparado para receber os mais diversos tipos de atores e as mais diversas atrações. E por incrível que pareça, nem sempre há tempo para ensaiar. É preciso estar pronto, disposto a executar os números mais simples e também os mais complexos. E durante a apresentação, pelo menos três elementos são fundamentais: confiança, habilidade e espírito de equipe. Confiar no que o outro faz, expor suas habilidades para somar no trabalho e perceber que sem o esforço mútuo nada acontece.

E se um erro ocorrer? Um deslize derrubar parte do grupo. Sempre haverá um que permanecerá em pé e servirá de apoio para o levante dos outros. O espetáculo não pode parar. E você, na sua individualidade, é parte de toda uma equipe que faz acontecer e se prepara para a vitória. Sem disponibilidade e habilidade, não haverá futuro glorioso. Confie no trabalho, na entrega, no outro e, principalmente, confie em si mesmo. Cada qual, com seus carismas e dons, é fundamental para o êxito da vida.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma batalha para todo sempre

Vocês se lembram da cena do filme “Coração Valente” onde William Wallace (personagem interpretado por Mel Gibson) enfrenta o exército inglês com poucos escoceses e consegue a vitória? Pois bem, no sábado tivemos nosso momento de conquista, de vitória, de glória... E tudo ocorreu em exatos 50 minutos.

O prenúncio de minutos sofridos era nítido. Um dia ensolarado, com temperatura elevada e umidade baixa. Um clima nada amistoso para uma partida de futebol perto de meio-dia. E a arena do combate ficava longe do nosso forte, nas proximidades do Gama (45 km de Brasília). E o nosso exército estava desfalcado. Do goleiro ao ponta-esquerda. Mas a superação sobressaiu à hostilidade.

O atacante virou goleiro no primeiro tempo. Esse blogueiro colocou a armadora de arqueiro e partiu para baixo do arco. Nossos guerreiros tentavam a todo custo acertar o alvo, mas sem sucesso. Foi quando, em uma investida pela direita, o inimigo abriu o marcador. Um louco partiu para cima de nossa infantaria e conseguiu furar o bloqueio, balançando a rede do meu gol. Eu ainda consegui encostar na pelota, mas nada que pudesse impedir a marcação do tento.

Poucos minutos depois, veio uma bomba de fora da área. A bola bateu no meu zagueiro e em mim e começou a rolar vagarosamente rumo à linha do meu arco. Eu consegui segurá-la, mas o fogo amigo foi inevitável. Christian soltou a perda e em uma explosão de forças fez meu ombro se contundir e a bola chegar levemente ao pé do adversário: 2 a 0. Fiquei no chão por alguns minutos como soldado ferido em batalha. Em seguida findou a etapa inicial.

Veio o segundo tempo. E com ele mudanças. O comportamento dos guerreiros é que faz a diferença em uma batalha. E nós, com todo respeito ao lado de lá, aniquilamos qualquer linha de defesa e fizemos o melhor segundo tempo de todos os tempos da nossa querida Sociedade Esportiva Canarinho. A mudança foi simples. O goleiro virou atacante. O atacante virou meia e o lateral virou goleiro.

O resultado foi digno das telas do cinema. O primeiro gol não tardou a sair. Pela direita, Paulo lançou Neco, que de calcanhar rolou para Edinho. Foguete para acordar a coruja. Em seguida, furaram nosso bloqueio pela terceira vez. A resposta não tardou a ocorrer. E após “assassinar” a pelota em seu peito, Neco rolou para Paulo soltar outra bomba, dessa vez no canto.

A subida no melhor estilo “Coração Valente” levou a outras baixas. E faltando uns 10 minutos para o fim o placar marcava 5 a 2 para os adversários. Era hora do tudo ou nada. Nossa torcida pulava fora do alambrado. Companheiros de outras batalhas que neste dia não vestiam a armadura amarela e azul. O grito deles fez pulsar ainda mais nossos corações e o que se passou daí adiante foi um verdadeiro massacre.

Era tiro pela direta, pela esquerda, bomba vindo de cima e até de baixo. Não tinha quem segurasse o ataque “kamikaze” promovido pelo trio Edinho, Paulo e Neco. Nesse curto período de tempo, fizemos quatro gols e conseguimos o triunfo. Um tento, em especial, merece ser narrado aqui.

O jogo estava em 5 a 5 e o árbitro estava dando um minuto de desconto. Bola pra frente e Neco tenta um drible em direção ao gol. O zagueiro corta e cede o escanteio. O “professor” deu a entender que seria o último lance da partida. Edinho correu no batedor e pediu para cobrar no segundo poste. Em seguida, falou para Neco e Christian – que estavam ganhando todas no ar – puxarem os marcadores para o primeiro poste.

Veio a bola. Parecia um “ao vivo” em câmera lenta. Neco correu levando consigo dois marcadores. Christian fez o mesmo. A bola passou sobre eles devagar, como se nunca mais fosse cair. Aí a surpresa. Edinho estava sozinho no segundo poste e pode fazer pose para marcar o gol da vitória. A partir daí, o que escutamos foi que os guerreiros voltaram a honrar a camisa do Canarinho como há tempos não se via.

O alívio estava estampado no rosto de cada guerreiro e as marcas dessa conquista podem ser vistas em seus corpos até hoje. Em um no ombro, em outro no tornozelo, na perna, no braço... Ao fim daquele jogo, percebi porque uma batalha torna-se inesquecível e como ela será lembrada de geração em geração, por todos os séculos, até o fim dos tempos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Gabinete nas pistas

Meus amados cinco leitores, a semana tá uma correria só no trabalho. Não tive tempo que redigir algumas palavras nos últimos dias, mas vou redimir-me com vocês apresentando uma corrida de fazer inveja ao Rubinho “Pé de Chinelo”. E ocorreu na segunda-feira (03) pela noite, no FreeKart. Éramos 11 pilotos. E o racha foi sensacional.

Como relatei no post anterior, a segunda-feira foi um dia de muita preguiça. Quando retornei à minha casa, ainda pensei em não participar do encontro. Mas precisava jogar essa coisa fora e retomar meu ritmo de vida, que não permite desânimos ou molezas. Vesti-me de preto e segui rumo ao circuito. Chegando lá, deu tempo de tomar uma cerveja antes de encarar minha máquina. Pedi um capacete preto e, a essa altura, estava me sentindo o Dark Vader. Mas sem o lado negro da Força.

A classificação começou e não consegui fazer mais que um quinto tempo, com 35,42 segundos. Decepcionante. Fiquei atrás de Edmilson Hardman (33.35), Alisson Alves (34.61), Fernando Neves (35.07) e Marcello Menezes (35.30). Fiquei à frente de outros seis pilotos.

A corrida durou 20,04 minutos. E o resultado final, com o nome do piloto e sua melhor volta, foi:

Edmilson Hardman (32,05)
Alisson Alves (32,46)
Marcello Menezes (32,65)
EDERSON MARQUES (33,16)
Fernando Neves (33,68)
Rodrigo Alencar (34,26)
João Henrique (33,73)
Paulo Neves (34,92)
Marcelo Ceciliano (34,50)
José Lima (34,99)
Eduardo Miranda (36,05)

Minha melhor volta cravou 33,16 segundos. O vencedor da prova fez como melhor volta nada menos que 32,05 segundos. Resultado: levei duas voltas dele. Mas cabeça erguida. Larguei em quinto e cheguei em quarto. Vitória. Vou treinar para o próximo mês e mostrar que também tenho minhas cartas na manga. Aguardem!!!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Preguiça de segunda-feira

Falar do fim de semana é sempre bom. Mas confesso que hoje estou com preguiça de relatar como foi o sábado e domingo. Acaba que é quase sempre a mesma coisa. Sem o Botafogo para me fazer torcer, pois fomos campeões antecipados, o futebol ficou por conta da pelada na Boca do Tigre. E foi animada. Três times e meio agitaram 4 horas de pura arte no tapete verde da Chácara São Francisco.

As cenas são sempre as mesmas:

1 – Aula de Neco (Zidane) gratuita
2 – Manoel tomando várias canetas do Edinho
3 – Neco (Zidane) anulando Edinho (Messi) na marcação
4 – Rezende isolando a bola a todo moNegritomento
5 – Gol de cabeça de Neco (Zidane)
6 – Jorginho frangando mais que o Bruno do Flamengo
7 – Neco (Zidane) fazendo gol por cobertura
8 – Edinho e Rezende fulos pelas derrotas consecutivas
9 – Júnior chutando a bola no galinheiro
10 – A torcida aplaudindo Neco (Zidane)

Assim, sem surpresas a pelada no Dia do Trabalho. Já no domingo, eu tive que trabalhar. Percorri mais de 300 km em um único dia. Esse Distrito Federal está me consumindo. O bom foi o almoço no restaurante argentino Corrientes 348 com a minha francesa e depois arrumação de minha coleção de DVDs, que ontem ganhou outros quatro títulos. Com muita preguiça nesta segundona de meu Deus, foi assim o fim de semana desse eterno botafoguense.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

COPA DO MUNDO: Em defesa de Brasília

Várias campanhas difamatórias contra Brasília já consumiram os noticiários nacionais. Corrupção é o tema favorito dos veículos de comunicação. E eu concordo que a pauta neste assunto é vasta e, inclusive, tem personagens de todos os Estados brasileiros. E não poderia ser diferente. Brasília é a capital da República. Queiram ou não, é aqui que as grandes decisões são tomadas. E, lamentavelmente, é aqui também que os “esquemas” são montados.

O mensalão do DEM fez a cidade sangrar ainda mais. Para nós, moradores de Brasília, sair para outra cidade a passeio tornou-se algo complicado. Digo isso porque sempre que saio do quadrilátero as pessoas dizem: “Em Brasília só tem ladrão”. Essa frase é dura de engolir. Preconceituosos. Sempre tentando denegrir a imagem da cidade e de seus habitantes.

E foi exatamente com esse pensando que me deparei ao ler a notícia de que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, pedirá ao governador do DF, Rogério Rosso (PMDB), para que faça um projeto mais “modesto” na ampliação do Estádio Mané Garrincha. Ele quer que a “nossa arena” comporte apenas 40 mil torcedores. Pelo projeto atual, o mais belo do Brasil, são 71 mil lugares. A justificativa do ministro é que com um estádio mais modesto, não corremos o risco de aplicarmos mal os recursos públicos. Balela!

No fundo, o ministro quer ajudar São Paulo a receber o jogo de abertura da Copa no Morumbi. Tudo porque se o Mané Garrincha realmente aceitar essa reforma menor, a Fifa não permitirá o primeiro jogo do Mundial na capital federal. Simples. A Fifa considera que um estádio para apenas 40 mil torcedores não está apto a receber jogos de abertura e final da Copa. Orlando entrou no jogo para tirar de Brasília a honra de sediar o jogo de abertura. Ele não se preocupa em nada com a cidade ou com seus moradores.

Em primeiro lugar, nobre ministro, palavra que Brasília não conhece é “MODÉSTIA”. Creio que os monumentos projetados por Oscar Niemeyer, o plano urbanístico de Lucio Costa, as obras de Athos Bulcão e os jardins de Burle Marx falam por si só. Imaginem o presidente Juscelino Kubitschek pensando na construção da capital e fala para seus assessores: “vamos fazer uma capital no centro do Brasil, mas sejamos modestos porque a oposição vai nos criticar”. Parece brincadeira pensar em um projeto “modesto” quando o assunto é a Copa do Mundo de 2014.

Ora ministro, nós temos na democracia órgãos fiscalizadores. O Ministério Público, os Tribunais de Contas e a própria imprensa têm o dever de fiscalizar os gastos públicos. O gestor que fizer mal uso do dinheiro público deve ser penalizado e existem leis para isso. Brasília sangrou e sangra por conta de escândalos sucessivos. A sociedade brasiliense merece receber jogos da Copa, e se possível a abertura. Se um político desvia recursos, a pena recai sobre os moradores de Brasília - que ficariam sem a abertura do Mundial? Poderíamos fazer isso também no Rio de Janeiro, por exemplo. Por lá, ficou mais que comprovado o superfaturamento na realização do Pan-Americano. Mesmo assim, ninguém cogita a ideia de se retirar, do Maracanã, a final da Copa.

O ministro ainda disse que Brasília não tem demanda para um estádio de 71 mil lugares. Se pensarmos só no futebol, ele tem razão. Nosso campeonato regional não consegue lotar o Bezerrão. Mas o projeto do Mané Garrincha não prevê apenas um campo de futebol e vestiários para os atletas. Uma arena moderna prevê espaço cultural e abre suas portas para grandes shows. Aliás, para quem não sabe, Brasília perdeu grandes artistas nos últimos anos por não ter um equipamento moderno como esse que está sendo projetado para o nosso Mané.

Uma capital com 2,5 milhões de habitantes. Falar que não há demanda para ocupar 71 mil lugares parece piada para criança ouvir. Esse é o segundo motivo que me chama a atenção na declaração do ministro. Esse homem de Estado, que mora em Brasília, deveria sair da Esplanada dos Ministérios e conhecer o que está a sua volta e largar mão de seu preconceito. A nós, brasilienses, resta lutar mais e mais para que declarações como essas não prejudiquem nossas vidas e a vida de nossa capital. Brasília é, sim, a melhor cidade para se realizar a abertura da Copa do Mundo de 2014. E a Fifa já sinalizou isso. Mas o ministro Orlando Silva acha o contrário.

Projeção do Mané Garrincha para a Copa de 2014

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Tristeza que deixa a saudade

É. Como explicar tamanha tristeza? Em um dia estou no paraíso, no outro em uma cidade pegando fogo. Foi nesse último fim de semana. Sair de Brasília para passar algumas horas na Chácara São Francisco é sempre bom. Mas ter sua estada interrompida por um telefonema e ter que voltar quase de madrugada para a capital é um pecado mortal. Deixar o calor da família e voltar para a solidão do concreto armado projetado por Oscar Niemeyer... vida cruel!

Cheguei para almoçar. Na correria do dia, mamãe ainda arrumou tempo para preparar alguma coisa pra gente. Tudo de bom. Logo depois, o sol foi um convite para um pulo na piscina. Música sertaneja, presença do irmão mais velho, dos sobrinhos e de amigos. Tudo acompanhado por um drink copiado por mim de uma receita francesa: Menthe a l'eau. A bebida leva xarope de menta e água com gás em um copo com gelo. Como não encontrei o xarope de menta, resolvi experimentar com o xarope de guaraná. Aprovado por aqueles que experimentaram.

O calor ainda consumia a terra quando a pelota rolou. Dois times fracos se enfrentavam na Boca do Tigre. O campo, como sempre, lembrava um tapete verde. No time de lá: Donizeth, Rezende, Edinho, Paraíba e Jorge. Ao meu lado: Jorginho, Manoel, Rogério e Matheus. Pelada animada, apesar de contar com apenas duas equipes. Em quase 3 horas, tudo resolvido. Uma vitória para cada lado.

Voltamos e engatamos no dominó. Chácara pela noite só se consegue fazer três coisas. A primeira é jogar dominó. A segunda é jogar truco. A terceira é contar histórias de assombração para as crianças. Neste dia tinha pouca criança. A primeira e segunda opções reinaram. Foi quando meu telefone apitou. Como disse Lúcia Hippolito em um vídeo no Youtube: “tá piscando uma luzinha aqui”. Olhei e deparei-me com seis chamadas não atendidas. Pensei: “alguém morreu”.

Na verdade, as chamaras eram uma convocação. Retornei a ligação – infeliz decisão – e percebi que haveria uma reunião às 9h do dia seguinte. Lá se foi minha tranqüilidade. Não me animei mais. Pensei em voltar para a cidade ainda naquela noite. Decisão deixada de lado por conta do sono que me consumia. Resolvi voltar às 6h do domingo.

Dito e feito. Peguei meu carro logo cedo e abandonei a todos, que continuavam dormindo. O dever me chama. Encarei sozinho a BR-060 de volta para Brasília. Tudo bem, o que fica em nossas vidas são os momentos. E esse eu fiz questão de relatar aqui. Viva a Chácara São Francisco. Qualquer cinco minutos por lá é mais que um mês pela capital federal.

No fim, fica a saudade disso que aparece na foto

terça-feira, 20 de abril de 2010

Obra de arte - El 'pênalti' Loco

De volta, depois de ter perdido o caminho de casa na comemoração do título carioca do Botafogo. É, depois de três anos escutando todo tipo de piadinha de flamenguista finalmente chegou nossa vez. E em grande estilo e da melhor maneira possível, com dois gols de pênaltis. Por quê? Oras, o Flamengo sempre ganha os seus jogos decisivos por meio de lances polêmicos e quer mais polêmica que marcar dois pênaltis para o mesmo time em uma final?

Jovane Nunes escreveu no Correio Braziliense sobre a conquista do Botafogo: “A bola levou exatos 54min32s desde o pé do Loco até o fundo da rede. Um golaço de pênalti”. Nunca li algo tão real na minha vida. Aquele pênalti foi uma das coisas que mais gerou ansiedade e prazer na torcida do Botafogo. Parecia-me uma eternidade a cobrança do Loco Abreu. A bola subindo, desenhando uma parábola perfeita, “riscando” o travessão, quicando no gramado dentro do gol do Bruno, voltando e balançando levemente a rede do Flamengo. Simplesmente sensacional.

Quem falar que não existe golaço de pênalti não sabe ou nunca viu uma cobrança dessas. Cobrança, aliás, digna de craques. Zinedini Zidane mostrou como se faz na final da Copa do Mundo de 2006. Um ano depois, o mesmo Loco Abreu bateu uma penalidade sobre o nosso querido Brasil numa semi-final de Copa América. É, meus cinco leitores, parece que pênaltis como esses só podem ser vistos em jogos decisivos. E que bom que é assim. Que venham novos jogos, novas finais, novos “Locos” e, claro, novas conquistas. BOTAFOGO CAMPEÃO DESDE 1910.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Istó é Brasília - Superquadras

Brasília tem várias particularidades. Uma delas está na concepção de sua área residencial. As chamadas superquadras. Prédios com pilotis - possibilitando a ventilação - e parques para crianças são marcas registradas da ideia de Lucio Costa. Quem vive na capital sabe da qualidade de vida que tal projeto proporciona e entende as expressões "mãe, vou descer" e "tá embaixo do bloco". Para quem não mora, isso parece coisa de louco. Para retratar um pouco do que só Brasília tem, a seguir uma foto de uma superquadra no Plano Piloto.

Superquadra 308 Sul

Um homem caro demais

Eu não aprendo nunca. Há um ditado popular que diz: "O diabo é o diabo não porque ele é feio, mas porque ele é velho". Mas, no meu...