quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Um homem caro demais

Eu não aprendo nunca. Há um ditado popular que diz: "O diabo é o diabo não porque ele é feio, mas porque ele é velho". Mas, no meu caso, ele não se aplica. Vai ser panguá assim lá em casa!

Faço a introdução deste humilde relato com o fato de ter "caído" no Golpe do Peri por duas vezes. A primeira foi quando recebi uma mensagem para comprar uma entrada para o NFL Rio Game. Isso foi no início do ano e o preço a ser pago não deve ser mencionado neste singelo espaço.

Pois bem, vamos ao segundo Golpe do Peri.

Era o início de uma sexta-feira, em Niterói (RJ). Já estava com a rotina de treinos na Casarão Crossfit engatada. Então, acordei cedo e cumpri a atividade física do cotidiano. Voltei, tomei um café da manhã reforçado e logo fui caminhando para a estação das barcas. Pouco tempo depois, desembarquei no Rio de Janeiro e caminhei ruma à estação do metrô da Cinelândia, onde havia marcado de encontrar o arrombado. A meta era pegar os kits da NFL Rio Run, no Shopping Leblon, e seguir para a praia. O dia estava convidativo, com bastante sol.

Assim o fizemos. Caminhamos pela orla do Leblon e logo nos propusemos a alugar cadeiras e guarda-sol. O mar não estava bom. Agitado demais, a gente não conseguia curti-lo. Toda hora que entrávamos, nos tentava arrastar para si. Então, com todo cuidado e prudência, tocamos.

Cerveja trincando, milhares de ambulantes nos oferecendo biscoitos, óculos escuros, chá mate, maconha... e outros milhares oferecendo de tudo. Chamou atenção que os ambulantes eram, em sua maioria, gringos.

E é aí que começa o segundo Golpe do Peri.

Duas simpáticas colombianas chegaram e ofereceram massagem. Isso, massagem. Eu neguei de imediato. Agradeci em todas as línguas possíveis, acho que falei até klingon na hora, mas a insistência delas chamava atenção. Eis que o Peri opta por aceitar e se posiciona na cadeira de forma faceira. Uma das moças, a Adriana del Pilar, iniciou o procedimento nas costas do Peri. Eu continuava a negar as investidas da Carolina.

O Peri parecia feliz com o toque da moça. Eu continuava negando até que escutei: "Anda. Faz logo isso aí". Eu avisei a ele: "Muleke, posso até fazer, mas tu que vai pagar". Ele não disse que sim e nem que não, mas respondeu: "Faça. A vida pode ser boa". Fui convencido.

A Carolina, então, começou a me quebrar. Não que estava ruim, mas eu tenho dificuldade de as pessoas me tocarem. Logo, era um misto de "termina logo" com "continua, não para".

As massagens foram feitas ali mesmo, em nossas cadeiras. Não havia maca, ou toalha no chão, que a gente pudesse deitar-se. Era tudo na tora mesmo.

Passados entre 10 e 15 minutos, finalizamos. Estávamos mais relaxados, por suposto. E daí veio o duro golpe. O Peri pergunta: "Quanto é?" E a Adriana, num portunhol, responde: "Docentos para cada uno". Eu fingi que não tinha entendido e perguntei: "Quanto?" Ela repete. E eu também repito a pergunta mais umas três vezes na esperança de não ter entendido o portunhol dela. Doce engano. E lá vamos nós pagar R$ 200, cada um, numa massagem meia boca feita numa cadeira de praia no Leblon.

Eu queria matar o Peri, mas como ele não tinha prometido que pagaria a benesse, desembolsei a grana e agradeci gentilmente as colombianas. Não comentei com ele na hora, mas pensei comigo: "Quem é Caetano que só estacionou o carro no Leblon, se nós pagamos uma fortuna numa massagem na cadeira do Leblon?"

E assim se sucedeu o segundo Golpe do Peri. Acabamos por curtir muito o dia todo. É sempre muito bom estar com amigos em situações inusitadas. E essa ficará na lembrança.

Restou, no fim, apenas uma certeza: O Peri é um homem caro demais.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Da obra vermelha para o vermelho da vergonha

Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo.

Nessas andanças pelo Brasil, deparei-me novamente com a bela Belo Horizonte, a capital daquele povo hospitaleiro e cheio de prosa boa. Depois de dias de um grande evento, no qual trabalhamos bastante e entregamos um bom conteúdo jornalístico, organizou-se uma visita ao Instituto Inhotim, que fica em Brumandinho.

Instituto Inhotim

O local, que precisa ser visitado por todos os brasileiros e brasileiras ao menos uma vez na vida, é dotado de obras de arte, tanto em céu aberto quanto divididas em galerias. É um paraíso nessa nossa Pátria Amada, Brasil!

E é aí que entra a boa crônica desse dia. Depois de nos divertimos nos carrinhos de golfe que nos levavam para um lugar e outro numa velocidade impressionante, chegamos numa das obras mais aguardadas e comentadas: "Desvio para o Vermelho", de Cildo Meireles. Trata-se de uma obra que simula uma casa impregnada pela cor vermelha. Um tanto óbvia essa explicação, não? Essa obra explora temas sociais, políticos e sensoriais, dividida em três partes: Impregnação (sala vermelha), Entorno (sala de penumbra) e Desvio (pia com água vermelha).

Para quem conhece Inhotim, muitas das obras são interativas. Algumas você pode tocar, explorar e até mesmo se divertir gastando seu fôlego e dando boas gargalhadas. No entanto, nessa especificamente as coisas não são o que parecem ser. E eu, pra variar, dei aquela "rata", como dizem os goianos.

Esperamos na fila por alguns minutos até chegar nossa vez de entrar. Entramos e, de cara, vimos a "Impregnação", uma sala dotada de elementos vermelhos. Móveis, quadros, etc, etc, etc...

Eu fui entrando e falei: "Thaís, tira uma foto bem legal minha sentado nesse sofá aqui enquanto os outros não entram para atrapalhar". E me joguei naquele sofazão vermelhão e bonito. Abri meus braços, como se estivesse em casa mesmo, e por um momento pensei em colocar os pés na mesa de centro.

O microtempo estava se esgotando e a Thaís demorava um pouco para enquadrar tudo. Quanto menos se espera, eis que surge uma pessoa e sem rodeios e com muita "delicadeza" me diz:

- Senhor, por obséquio, vossa excelência não pode usufruir das benesses proporcionadas por esse exemplar único da estofaria brasileira.

Apertando a tecla sap:

- Oh, seu arrombado, cai fora daí. Não tá vendo que não pode sentar na porra do sofá, seu fdp? Sai daí logo, caraio. Vaza!

Eu tomei um susto. Nesse momento, quem ficou mais vermelho que a obra fui eu. Vermelho de vergonha, pois ninguém havia informado que essa obra em específico não era uma obra interativa. Eu saí sem graça, óbvio, mas feliz por ter conseguido a melhor foto de todos os tempos do Instituto Inhotim. Sem querer, a Thaís me presenteou com essa maravilha.

No canto esquerdo, a mão da senhorita educada

Definitivamente, repito, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo.

Um homem caro demais

Eu não aprendo nunca. Há um ditado popular que diz: "O diabo é o diabo não porque ele é feio, mas porque ele é velho". Mas, no meu...