Eu não aprendo nunca. Há um ditado popular que diz: "O diabo é o diabo não porque ele é feio, mas porque ele é velho". Mas, no meu caso, ele não se aplica. Vai ser panguá assim lá em casa!
Faço a introdução deste humilde relato com o fato de ter "caído" no Golpe do Peri por duas vezes. A primeira foi quando recebi uma mensagem para comprar uma entrada para o NFL Rio Game. Isso foi no início do ano e o preço a ser pago não deve ser mencionado neste singelo espaço.
Assim o fizemos. Caminhamos pela orla do Leblon e logo nos propusemos a alugar cadeiras e guarda-sol. O mar não estava bom. Agitado demais, a gente não conseguia curti-lo. Toda hora que entrávamos, nos tentava arrastar para si. Então, com todo cuidado e prudência, tocamos.
Cerveja trincando, milhares de ambulantes nos oferecendo biscoitos, óculos escuros, chá mate, maconha... e outros milhares oferecendo de tudo. Chamou atenção que os ambulantes eram, em sua maioria, gringos.
E é aí que começa o segundo Golpe do Peri.
Duas simpáticas colombianas chegaram e ofereceram massagem. Isso, massagem. Eu neguei de imediato. Agradeci em todas as línguas possíveis, acho que falei até klingon na hora, mas a insistência delas chamava atenção. Eis que o Peri opta por aceitar e se posiciona na cadeira de forma faceira. Uma das moças, a Adriana del Pilar, iniciou o procedimento nas costas do Peri. Eu continuava a negar as investidas da Carolina.
O Peri parecia feliz com o toque da moça. Eu continuava negando até que escutei: "Anda. Faz logo isso aí". Eu avisei a ele: "Muleke, posso até fazer, mas tu que vai pagar". Ele não disse que sim e nem que não, mas respondeu: "Faça. A vida pode ser boa". Fui convencido.
As massagens foram feitas ali mesmo, em nossas cadeiras. Não havia maca, ou toalha no chão, que a gente pudesse deitar-se. Era tudo na tora mesmo.
Passados entre 10 e 15 minutos, finalizamos. Estávamos mais relaxados, por suposto. E daí veio o duro golpe. O Peri pergunta: "Quanto é?" E a Adriana, num portunhol, responde: "Docentos para cada uno". Eu fingi que não tinha entendido e perguntei: "Quanto?" Ela repete. E eu também repito a pergunta mais umas três vezes na esperança de não ter entendido o portunhol dela. Doce engano. E lá vamos nós pagar R$ 200, cada um, numa massagem meia boca feita numa cadeira de praia no Leblon.
Eu queria matar o Peri, mas como ele não tinha prometido que pagaria a benesse, desembolsei a grana e agradeci gentilmente as colombianas. Não comentei com ele na hora, mas pensei comigo: "Quem é Caetano que só estacionou o carro no Leblon, se nós pagamos uma fortuna numa massagem na cadeira do Leblon?"
E assim se sucedeu o segundo Golpe do Peri. Acabamos por curtir muito o dia todo. É sempre muito bom estar com amigos em situações inusitadas. E essa ficará na lembrança.
Restou, no fim, apenas uma certeza: O Peri é um homem caro demais.

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