Segunda-feira, 6h30. O sol me acordara logo pela manhã. Ao levantar-me, abri a persiana do meu quarto e notei um céu azul, daqueles que só se vê em Brasília, com um ar frio típico do Planalto Central brasileiro nesta época do ano. Tudo bem, preciso balizar minha monografia e entregar a versão final ao meu orientador. Nada que em meia hora não esteja pronto.Pois bem, foi assim. Liguei meu computador já na sala e acompanhando o Bom Dia Brasil fiz algumas correções na peça acadêmica. Agora, só me falta encontrar o tal “estudo de caso” e terminar o que já recebeu nota: SS. Desliguei o computador e percebi um ser dentro de casa. Era meu pai. Recém chegado da chácara, estava de ressaca porque o fim de semana esportivo foi ingrato com ele. Fluminense e Vila Nova (GO) perderam.
Em poucas palavras passou para a cozinha. Fui tomar um café com ele. Afinal, era hora de saber das novidades rurais e aproveitar para dar uma zoada futebolística. Puxando assunto entrei de sola:
- Teu Vila Nova, hein? Que merda de time.
Ele, sem muito ânimo, respondeu:
- Uma bosta mesmo. Não vai chegar a lugar algum.
E antes que eu falasse qualquer coisa do Fluminense ele se antecipou:
- Seu Botafogo ganhou no roubo. Aquele argentino abriu as penas e participou da jogada. O gol foi irregular porque ele estava impedido.
Não discuti, pois o freguês tem sempre a razão. Deixe a conversa fluir. Uma xícara de café pra mim e ele reclamou do pão. Estava de mau humor. Aí eu comecei a falar do meu fim de semana, dos netos dele e da possibilidade de ir ao Rio de Janeiro ver a final entre Botafogo e Flamengo. Nessa hora, uma explosão de ira. Sei lá, não entendi muito. Quem sabe meus cinco leitores não me ajudam a entender o seguinte diálogo:
- Po, pai. Não sei se vou conseguir ir ao Rio para ver a final. No sábado terá eleição indireta para governador do DF. Eu devo acompanhar. A política por aqui está vivendo dias incertos. Acho que não terei como ir ver esse jogo.
Sem mais nem menos, meu pai solta a frase que nenhum solteiro merece escutar:
- Você precisa é casar.
Como assim? Estamos falando de futebol e o cara entra de sola no assunto casamento. Essa é uma coisa que não está nos meus planos por enquanto. Preciso fazer muita coisa antes. No entanto, talvez ele tenha razão. Afinal, sou o filho caçula e os outros irmãos casaram e já têm filhos. Mesmo assim, às 7h30 da matina de uma segunda-feira, falar em casamento é uma blasfêmia até para quem já é casado.
Pelo amor de Deus pai, vamos continuar falando de futebol.










