segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Solta o calcanhar dele, Calvin

Vergonha deveria ser a palavra certa para descrever o que o Calvin tem aprontado ultimamente. Baixinho, ele não perde tempo em dar umas boas dentadas nos calcanhares distraídos que passam por perto de sua grande boca. O “bote” parece de uma cobra: rápido e certeiro. E nós, responsáveis por sua educação, ficamos com cara de chinelo com familiares e visitas.

Na sexta-feira, o amigo Eduardo veio nos visitar. Paloma e eu pensamos: “que legal. Vamos levar o Calvin pra casa para ele conhecer nosso amigo e se divertir”. Tudo estava arrumado. Só faltou combinar com o Calvin. Faltou. Por volta das 16h30, depois de arrumar a casa, fui buscar o mascote. Alegre, esse Jack Russel Terrier logo percebeu que sairia para mais uma festinha. Antes mesmo de pegar sua comida e seus brinquedos, ele já pulava em minhas pernas e corria para a porta de saída. Entrou no carro e, para variar, colocou a cabeça para fora da janela. Aliás, isso é novo nele. Tenho deixado a janela aberta só com espaço para ele colocar a cabeça. Porque da última vez que fiz um teste com toda janela aberta, ele simplesmente saltou do carro, que estava a uns 15km/h. Foi sofrido.

Em minha casa, Calvin já se sente a vontade. Sobe no sofá, corre pelos quartos, lancha na área de serviço e espera a hora de descer. Começo a acreditar que ele está se acostumando com o apartamento. Tomara. Já passava das 20h quando decidimos levar o Calvin junto para buscar o Eduardo no aeroporto. Chegamos e ficamos no estacionamento por mais de meia hora. Calvin, claro, ficou numa agonia danada e começou a latir para rodas, carrinhos, sapatos e tudo mais que conseguir enxergar por debaixo do carro. E todos olhavam admirados.

Eis que Eduardo chegou. Ao longe fiz sinal para ele. Apesar da grande miopia, percebeu ser eu a gesticular. Ele não sabia da presença de Calvin e foi chegando, chegando... Aí veio o “bote” certeiro... Em menos de um segundo, Calvin, o veloz, salta e cai de boca no tênis do Eduardo. Paloma acredita que Calvin teve ciúmes de mim. Não sei ao certo, mas pode ser. Sempre que estou por perto o comportamento dele é esse. E quando estou longe, segundo relatos, é de um cão mais tranquilo.

Entramos no carro e Calvin continuou. Eu no volante, Eduardo no banco do passageiro e Paloma se gladiando com Calvin para que ele parasse de latir e tentar morder o Eduardo. Uma decisão foi tomada: “vamos deixá-lo na Veruscka”. Tadinho, saiu para passear e agora iria voltar para sua casinha. No meio do caminho, Calvin parou de latir. No entanto, consideramos ser mais prudente levá-lo para lá. A noite seria de bons papos e cerveja gelada.

Não foi a primeira vez que Calvin, o mordedor, conseguiu achar um pé. Na chácara do meu pai, certa vez, o deixei embaixo do pé de caju enquanto arrumava algumas coisas. Meu irmão veio todo distraído e passou por perto. O “bote” mais uma vez foi certeiro e o sangue escorreu pelo pé. Não que as mordidas do Calvin sejam fortes. Os dentes são afiados. E ele morde, na maioria das vezes, por brincadeira. Mas isto, poucas pessoas entendem. De qualquer forma, o Calvin continua nos oferecendo bons momentos de alegrias e risadas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Calvin volta ao Parque da Cidade. Confusão!


Não fosse o calor do verão no cerrado, o passeio com o Calvin no Parque da Cidade seria ainda melhor. De férias, termômetros marcando 31 graus, resolvi convidar o Gabriel para levar as sobrinhas (Isadora e Laís) e nosso mascote para passear. Paramos no estacionamento do Carrera Kart e foi ali que a confusão começou.

Peguei a coleira e saí para dar uma volta no gramado enquanto o Gabriel tentava, sem muito sucesso, fazer a Laís dar algumas pedaladas. Isadora, mais desenvolta, já estava lá na frente. No gramado em questão havia algumas corujas. Calvin, o corajoso, não poderia deixar por menos e logo correu para cima das pobres aves assim que percebeu a presença. Como estava na coleira, a investida não obteve muito sucesso. Pior para ele. Ao perceber que ali não poderia soltá-lo da coleira, chamei o Gabriel para seguirmos até outro lugar. Antes de sair, porém, veio o troco. Uma das corujas voou e deu um rasante nas costas do Calvin, que ao perceber o ataque apenas colocou o rabo entre as pernas e procurou logo o carro para sair.

Seguimos para o estacionamento seguinte. Antes de o deixarmos bem a vontade, Calvin encrencou com uma patinadora, para variar um pouco. Depois, com mais espaço e menos movimento, logo deixamos o Calvin solto. Sem problemas com movimento, ele resolveu brincar com as mangas no chão. E como o Gabriel esqueceu os brinquedinhos dele, aproveitamos para arremessar frutas para o Calvin buscar. Deu certo.

Já estava começando o pôr do sol quando o Caio ligou dizendo que passaria no Parque para me encontrar. Precisávamos conversar algumas coisas de trabalho. Tudo bem, eu sempre estou disponível aos amigos. Logo ele chegou. Ao longe foi avistado pelo Calvin, que pensando ser algum intruso correu para nos proteger. Correu muito e chegou antes mesmo que Gabriel ou eu pudéssemos gritar para ele parar. Apenas disse de longe para o Caio não se mexer. Calvin chegou pronto para morder as calças dele. Logo voltou e quanto percebeu que o Caio não iria parar seguiu novamente para o ataque. Ai ai ai viu Calvin.

Fui correndo ao encontro dos dois e peguei o Calvin no colo. Ele se acalmou ao perceber que o Caio era nosso amigo. Intrigou-me bastante esse comportamento do Calvin. Volto a repetir, ele é um Jack Russel Terrier. Gostei do espírito de cão que cuida da gente, de cão amigo, de cão companheiro. Ficou bem nítido isso hoje. Depois do ocorrido, ficamos mais alguns minutos e logo fomos embora. A tarde foi de muita agitação para o Calvin. Correu, comeu manga, saltou obstáculos e, na cabeça dele, ainda nos defendeu. Eita cachorrinho mais que amigo. Vai sonhar com essa valentia a noite toda.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Eu posso, você pode...


Alguns acontecimentos nos fazem sentir mais vivos. Este fim de semana, consegui cumprir as promessas que fiz no início de ano. E como é gratificante perceber que a perseverança foi sua companheira no decorrer dos meses. Para quem não sabe, completei a Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte. Não digo que esta foi uma meta estabelecida no primeiro dia do ano, mas foi sim algo planejado.

Retornando a Brasília, percebi que conquistei três grandes vitórias no campo da atividade física. A primeira ocorreu em julho, quando ao lado do amigo Eduardo Lopes corri e completei a Meia Maratona da Cidade do Rio de Janeiro. Foram 21 quilômetros de esforço físico e também psíquico. Explico. Não basta correr, precisa ter a cabeça boa para não desistir, pois o cansaço é grande.

Passados dois meses da Meia Maratona, lá estava eu novamente em outro desafio. Desta vez, no dia 22 de setembro, acompanhado pelo Rogério Herbert, pedalei 112 quilômetros. Uma viagem de Brasília até a Chácara São Francisco, em Alexânia – a cidade que nunca dorme, pois só dorme quem despertou e ela ainda não despertou.

Entre o pedal e a corrida eu prefiro o pedal. Mas aventurei-me novamente nas passadas solitárias e no dia 9 de dezembro encarei o asfalto de BH. Desta vez foram 18 quilômetros. E quando estava correndo e apreciando a Lagoa da Pampulha pensei nestas coisas e nas pessoas que me apoiaram. Ninguém faz nada sozinho. Se no Rio tive a amizade e companheirismo do “Goiaba”, no pedal tive a fraternidade do “Gero” e em BH o carinho da Nanda e do Wesley, que mesmo sem correr me esperaram pacientemente na chegada.

E a lição que aprendi é que tudo é possível quando você não desiste. É naquele momento de fraqueza, de dúvida se você deve continuar ou não que você precisa pegar forças dos amigos. E graças a Deus, eles nunca me faltaram. As lembranças estão guardadas no meu coração. E algumas em fotos e medalhas. Mas o que vai ficar é a certeza que em 2012 eu venci a mim mesmo. E isto é algo que nos faz bem. Não sou melhor que ninguém. Todos podemos e devemos nos desafiar sempre. O sucesso é apenas a vitória de você sobre você mesmo. Movimente-se e faça acontecer. Se eu consegui, tenho toda certeza do mundo que você também consegue.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um novo amigo: Calvin


Não vou criar aqui uma cópia do “Marley e Eu”, mas confesso que não posso deixar de escrever sobre o nosso amigo que chegou em boa hora, o Calvin. A ideia de ter um cachorrinho partiu das sobrinhas da minha noiva. O namorado da minha cunhada pensou e comprou um Jack Russel Terrier. Pra quem não sabe de que raça se trata, é aquele cãozinho do filme “O Máscara”. O nome é uma homenagem ao estilista americano Calvin Klein.

O Calvin chegou em casa ainda bem pequeno, com uns 60 dias de vida. E foi crescendo, crescendo e crescendo. E como dizem que o cachorro escolhe seu dono (leia-se amigo preferido), tive a honra de ser escolhido por ele. Desde o primeiro dia, literalmente, o Calvin não sai do meu pé. Eu estaciono o carro na rua e ele via para a janela. Eu entro na casa e ele pega brinquedos para me alegrar. Eu vou tomar café e ele fica embaixo da mesa deitado me esperando levantar. Eu vou tomar banho e ele fica sentado ao lado de fora esperando eu acabar. É um amor interessante.

Desde criança gosto de cachorros. O último que tive morava na casa da minha avó. Se chamava Pinguim. Era um cachorrinho preto com o peito branco. Daí o nome. Tadinho do Pinguim. Morreu atropelado. Escapou um dia da casa da minha avó e pimba, entrou debaixo de um carro. Eu fiquei triste, claro. Tinha apenas 12 anos. Depois disso confesso que perdi um pouco a graça por animais de estimação. Mas a chegada do Calvin mudou tudo e retomei esse carinho por cães.

O Calvin é inteligente, esperto e dinâmico. Pula como nenhum outro. O fato de a raça ter sido desenvolvida para a caça o faz um cão pequeno, rápido, ágil, inteligente e surpreendente. Uma vez coloquei uma música no notebook e o deixei bem a vontade. Ainda filhote, ele procurou o som atrás do computador. Depois ficou cheirando cada tecla. Por fim, ao perceber que não descobrira, resolveu colocar a pata no teclado e acabar com a brincadeira. Deu certo, na concepção dele. 

Nosso Calvin hoje já tem sete meses. Nas próximas crônicas vou contar episódios específicos sobre ele. Tem uma promessa de que a primeira cria dele será doada a mim. O nome já foi escolhido: Zizou. Uma homenagem ao craque Zinedine Zidane, o carrasco do Brasil nas Copas de 1998 e 2006. Espero que meus sete leitores tenham paciência para ler essas crônicas. Até a próxima.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Elza Soares - Um encontro para ser lembrado

Como botafoguense que sou, admiro a mulher que Elza Soares foi para o maior ídolo do Botafogo, Mané Garrincha. O filme “A Estrela Solitária” retrata bem o papel fundamental que a cantora desempenhou na vida do craque. Hoje, tive a hora de conhecer pessoalmente esta artista tão especial do Brasil. Como descrever este recorte da minha vida? Tentarei fazê-lo fiel ao que realmente foi.

Pela manhã recebi uma ligação da deputada com quem trabalho. Pediu para eu ir ao gabinete de outra parlamentar para “monitorar” o encontro. Fui e quando cheguei percebi de quem se tratava. Um sorriso cativante foi dado no primeiro olhar. Com óculos escuro, não consegui perceber os olhos tão marcantes de Elza. Fiquei de frente a ela, que conversava com a parlamentar.

As histórias, como não poderia deixar de ser, tratavam de Mané Garrincha. E com  muito carinho, Elza relembrava fatos marcantes dos 17 anos de convívio com o Anjo das Pernas Tortas. “Imaginem, talvez eu tenha sido a única mulher do mundo a ser presenteada com uma Copa do Mundo. O Mané me deu a Copa de 62”, lembrou Elza, sorrindo.

Depois gravou um vídeo pedindo aos deputados para derrubarem o veto ao projeto de lei que garante o nome Mané Garrincha ao estádio de Brasília. Para a Copa de 2014, está sendo erguido um grande e moderno estádio e o GDF não quer dar o nome de Mané Garrincha a ele. Elza foi firme: “É um verdadeiro absurdo alguém querer retirar à força uma homenagem a quem realmente ergueu o nome do Brasil e fez com que o nosso povo tivesse orgulho de sua pátria”.

Concordo com ela. Para que deixar de homenagear um dos maiores jogadores da história do futebol? Escutei outros tantos episódios. Ao falar com um deputado ao telefone, Elza perguntou se ele sabia o que era Garrincha. Explicou sobre o pássaro arisco que deu o apelido a Garrincha. “Deixe esse passarinho viver”, clamou.

Não resisti tanta simpatia e pedi para registrar o momento. Antes de me posicionar ao lado de sua cadeira (Elza tem 75 anos e algumas limitações físicas), falei: “Sou botafoguense e não poderia deixar de levar essa grande lembrança comigo”. Ela, com muito carinho e sorrindo me respondeu: “Vou ter que te decepcionar. Apesar de ter sido mulher do Garrincha, sou flamenguista”. Não me incomodei e brinquei: “Talvez por esse amor ele tenha vestido aquela camisa (Flamengo) uma vez. Compreensível”. Sorrimos e nos despedimos.

Foi um dia especial e que mereceu uma citação neste humilde espaço. Garrincha, com suas pernas tortas, driblou seus adversários dentro de campo pelo mundo afora. Agora, precisa de nossa força para que a homenagem a ele seja mantida. Eu continuarei na luta para que o nome de Mané Garrincha não seja esquecido. “Tem que continuar Estádio Mané Garrincha... Tem que continuar Estádio Mané Garrincha”, cantou Elza Soares no último show em Brasília.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Olha eu aqui mais uma vez

O ano começou. E eu recomeço a escrever, pela milésima vez, neste espaço. A promessa é sempre a mesma: publicar periodicamente. Vou me esforçar. O que tem de novo em 2012? Bem, muitos dizem que o mundo acaba. Não acredito. O fim, estou certo disso, ainda vai demorar bilhões de anos. É algo simples. O universo continua se expandindo, fisicamente, e só depois vai começar a retrair até chegar ao ponto de um simples próton ou elétron. Pelo menos é o que a física ensina.

Descartando o fim do mundo, para este ano os projetos são promissores. Até porque anos pares são sempre bons em minha vida. Sempre foram. Se em anos ímpares as dificuldades são grandes, nos pares tudo se resolve com mais naturalidade e a felicidade é constante. Enfim devo ir pra chácara do meu pai de bike. Além disso, quero ter mais tempo para montar outro quebra-cabeça. Até porque o último demorou mais de ano.

A família virá sempre em primeiro plano. Apesar da dedicação ao trabalho, creio que só estarei bem se estiver nos pilares da minha família. Dali tiro forças para tudo. Quero ser mais caridoso. A caridade é uma porta aberta para a felicidade plena. Doar tempo ao próximo e ajudar sempre, sem olhar a quem. É muito bonito falar isso. Todos falam, poucos fazem. E eu quero fazer ainda mais.

Recentemente, vi um documentário do astrofísico e cosmólogo Stephen Hawking. Esse inglês é bomba atômica para o mundo religioso. Mas tem algumas teorias que me fizeram pensar. Pensar não na existência ou não de Deus, mas sim no momento. Sim, não estamos apenas fazendo graça neste momento da história do universo. Estamos aqui e é aqui que devemos fazer. O que vem depois? Não sei. Mas eu quero fazer agora e não me preocupar com o depois.

Muita gente se apega ao que não conhece para explicar o que ainda não se tem uma explicação racional. Deus conforta aqueles que não querem admitir uma realidade. Sempre fui religioso e continuo sendo, mas não acredito em imposições, seja de padre, pastor, rabi ou qualquer outro “representante” de Deus na Terra. Para mim, é uma questão de escolha.

Tirando a religiosidade, o que resta somos nós. Você, eu e o próximo. E espero muito que possamos, com nossas atitudes, fazer um mundo melhor. Até porque é o único que temos e sem chances de encontrarmos outro.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Planejando sempre. Executando o possível

Mais alguns meses sem escrever sequer uma linha neste humilde espaço. Tudo bem, as coisas não são mesmo como a gente espera ou planeja. Aliás, planejar não significa executar. Muitos planos são traçados no decorrer da vida. Alguns triunfam, outros se perdem no momento em que organizamos as prioridades.

2011. O ano se aproxima do fim. Em janeiro prometi a mim mesmo que faria outra viagem legal pelas lindas terras da América Latina. O tempo passou e me consumiu em outros projetos. Agora sei que 2011 não será um ano de viagens, mas de preparação para uma nova vida. Sim, uma vida a dois. Abandonei a odisseia latino-americana para dedicar-me à minha vida. O plano agora é constituir família.

Claro, isso não impede que eu faça a tal viagem. Mas agora será a dois, ou a quatro, ou a seis. Tudo depende da disposição de companheiros de viagens. Na última éramos quatro. Na próxima, se Deus permitir, seremos no mínimo cinco. Ah, os planos que fazemos. À minha cabeça vem aquele mapa amarelado – com um pingo de café derramado na noite enquanto você planejava – os sonhos do vento gelado no rosto, ou da brisa do mar no corpo.

O maior erro é pensarmos que executar os planos que fazemos depende apenas de nós. A vida nunca depende apenas de uma personagem. Não se trata de um monólogo ou de um mundo próprio. Tudo está relacionado. Assim como tudo no universo se direciona para o início e o fim ao mesmo tempo. Lamentar não muda a realidade. Fazer novos planos é necessário. Até porque, quem não sonha não vive. E quem não planeja não executa. Assim vou levando a vida. Planejando sempre. Executando alguns e mudando outros. O importante é não parar de sonhar e planejar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sempre perfumes de mulheres

Olfato. Este é um dos sentidos que mais me agradam no corpo humano. Sem dúvida, mostra o que vai bem e o que não anda tão bem. Você pode ver algo que aparenta estar divino, mas quando sente o cheiro pode confirmar ou não a primeira impressão visual. Simples assim. E pelo olfato lembramos romances e relacionamentos no decorrer da vida. Quem nunca viu o clássico “Perfume de Mulher", com Al Pacino?

E foi passando por uma boa loja de perfumes que revivi a nostalgia de recordações que estavam esquecidas. Em primeiro lugar me veio à memória meu avô. Sim, um perfume clássico, robusto e sem frescuras. Estava à procura de um perfume novo para mim e, por isso, sentia fragrâncias masculinas. Logo, percebi alguns cheiros familiares no lado feminino da loja.

O primeiro, um J’Adore. Francês, suave, elegante e formidável. Ímpar na pele macia de uma linda mulher. Esse perfume me faz pensar naquelas mulheres meigas, carinhosas, amorosas e com uma atração diferenciada. É o tipo de perfume que marca um olhar, um sorriso e um primeiro encontro.
Depois, senti um tradicional Burberry. Esse me lembra mulheres de atitude. Mulheres que não brincam com o tempo e decididas. Um verdadeiro furacão de emoções. Falo do tradicional Burberry, pois depois de tantas variações fica difícil sentir o mesmo em relação aos outros.

O Angel é mais doce, coisa de mulher que gosta de ser “criança”. Em minha opinião, claro, é enjoativo. Você gosta quando o percebe, mas logo depois não quer mais senti-lo. Sem falar que mulheres que gostam de ser “crianças” dão um trabalho danado quando o amor se acaba.

Para terminar essa breve explanação, cito o 212 Sexy. E é verdade, é uma fragrância que sempre leva a outros caminhos. Sempre o percebo em mulheres “pra frente”, preparadas para uma boa noite. Não que sejam “mulheres da vida”, mas sim aquelas que sabem o que procuram em uma noite apenas. Nada de continuísmo.

E como na vida tudo tem começo, meio e fim, encerro este ensaio dizendo que, independente do perfume, mulheres são sempre mulheres. Dignas de todas as bajulações e de todo investimento. Mulher já é bom demais por natureza, cheirosa então...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Para que a vida tenha graça

Falar em muito trabalho ou mesmo que um dia é pouco para tantas atividades a se desempenhar em míseras 24 horas já é algo batido. Os dias me ocupam. Esta constatação não é só minha. É sua também. Veja bem, quanta coisa você gostaria de fazer e não consegue? Posso enumerar várias em algumas linhas. E olha que não sou vidente.

Mas nesta tormenta em que se transformaram nossas vidas, precisamos tomar cuidado para apenas não nos frustrarmos. Os encontros com a família e com os amigos são refrigérios para a mente, a alma e o coração. Valorize-os. Não perca tempo se chateando com um comentário ou algo que não saiu da forma como você gostaria. Ninguém é perfeito. Nem você é perfeito.

E aí mora a graça. As imperfeições, sim, transformam cada pessoa em um ser único. Se todos fossem perfeitos, tudo seria igual. Sem novidades. Sem polêmica. Sem os “dois lados”. Deguste a palavra do outro e a maneira como vive. Tudo conta no grande aprendizado da vida.

Digo isso porque estou aprendendo a superar meus preconceitos a cada dia. E como temos de nos matar para superar algo enraizado, cultivado e forjado durante anos de uma vida curta. E sim, a vida é curta. O que são 100 anos em relação à eternidade? Nada.

Viver é mais fácil e simples do que planejamos, esperamos ou executamos. É contemplar o que se esquece por conta da correria. É aproveitar o breve momento de um sorriso. É apertar com força seu filho, afilhado, sobrinho ou qualquer criança que te procura. É dizer “bom-dia”, “obrigado” e desejar sucesso sempre ao próximo. O que oferta aos teus terá em dobro ainda em vida.

Bem, meus caros leitores, fica a dica. Não sou exemplo e nem pretendo sê-lo para ninguém. Mas talvez se exercitar um pouco disso seu dia termine melhor que começou. E sua vida se transforme no decorrer dos anos. Assim espero, assim desejo que ocorra comigo e contigo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Conhece-te a ti mesmo

Não é fácil conhecer uma pessoa. Você pode conviver com ela durante anos e mesmo assim se surpreender com alguma atitude, alguma postura ou decisão tomada. Não coloco a culpa na outra pessoa. Chamo para mim a responsabilidade de tentar conhecer ao máximo as pessoas que me cercam todos os dias. Tarefa difícil e quase impossível.

Na Grécia Antiga, Sócrates escreveu: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o resto do universo”. Claro, conhecer-te a ti mesmo. Eis a questão. Não sabemos ao certo quem somos e como somos capazes de reagir a situações extremas. Me ocorre que ultimamente tenho tirado mais de 70% do meu dia ao trabalho. O convívio com os colegas desgasta e acabamos por dizer algo que possa entristecer alguém. Isso me incomoda.

Quando pego meu carro de volta para casa e entro, todos os dias, na larga Avenida do Eixo Monumental de Brasília faço uma breve avaliação das minhas atitudes durante as horas que antecederam o anoitecer. Confesso que quase todo dia percebo que muita coisa poderia ser diferente. Aquela palavra que não deveria ser dita. Aquela informação que deveria ser melhor trabalhada. Aquele bom-dia que poderia ter sido desejado com um sorriso maior no rosto. Aquela caneta que poderia ter recolhido para alguém. Aquele café que poderia ter oferecido... Tudo me vem na memória.

Tenho aprendido a fazer duas coisas no dia. Quando me levanto, e isso ocorre sempre às 6h, peço a Deus para que eu possa fazer o bem. Planejo ações e tento executá-las. Ao fim do dia, como dito, faço o balanço. Um dia, tenho certeza, vou ter mais o que comemorar. Hoje, busco o autoconhecimento. Porque o homem é apenas uma partícula na imensidão do universo. Mas a complexidade de seu intelecto se parece, segundo cientistas da pós-modernidade, com a complexidade do universo. Talvez, por isso, Sócrates tenha sido tão feliz em sua colocação. “Conhece-te a ti mesmo”. Por aí vou, tentando acertar mais que errar na vida. Experimente isto.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pós-modernidade: o bem vence o tempo

“O problema das pessoas é que o mundo evoluiu e já se passou da modernidade, atingindo um estágio pós-moderno capaz de descaracterizar toda e qualquer intenção de se fazer o bem”. A frase foi pronunciada antes das 7h de uma quinta-feira em algum lugar da capital da República Federativa do Brasil. O adolescente, que acordara cedo de mau-humor, ficou pensando naquilo enquanto esperava por um pão quente na chapa.

Estranho despertar para um ser que ultimamente só se preocupa com espinhas, futebol, iPod e uma possível paixão em sua escola. Mesmo assim, enquanto saturava seu leite de Todd, resolveu se aventurar em desvendar o que tal frase significava naquele momento. O avô, que acordou um pouco mais tarde, por volta das 7h20, foi pego de surpresa ao ser questionado sobre o que havia mudado tanto que atrapalhava as pessoas a fazer o bem. Meio acordado, meio dormindo, disse: “o dinheiro, a violência e o egoísmo”.

Em meados de 1960, um outro adolescente se deparava com questionamento parecido, mas nem tanto enigmático. “O que faz o homem voar e chegar à Lua? Eis a grande questão a ser resolvida pelo então jovem que hoje é avô. Passados 50 anos, cinco décadas ou duas gerações, se fala em pós-modernidade de uma forma estranha. O que é moderno já é ultrapassado? O pós-moderno é o futuro? Não sei.

A evolução da tecnologia com o uso massivo do computador, do celular, de veículos que estacionam sem condutor e outras tantas coisas estão no cotidiano do adolescente, que agora já saboreia seu pão feito na chapa. Com a boca cheia, fixando o olhar para o chão, deixa escapar: “Vocês não entendem nosso mundo. É diferente”.

Os avós ficam pasmos, mas concordam. Ora, quando tinham 14 anos não contavam com tanta tecnologia, que hoje é um mundo distante. Ligar um computador, mandar e-mail, twittar... Nossa, quanta coisa estranha. Mas o avô não perde tempo e começa a falar com neto.

- Sim, meu filho. Os anos passaram e nem sempre nós, que parecemos dinossauros em meio à extinção, acompanhamos sua evolução. Mesmo assim, tem algo que nem o tempo, nem o avanço tecnológico, nem nada pode mudar: o caráter de uma pessoa. Seja na pré-história, na época de Cristo, no mundo medieval, na Revolução Francesa, nas duas Guerras Mundiais, na modernidade ou nessa tal pós-modernidade, nada pode mudar a honestidade, a generosidade e a solidariedade de uma pessoa do bem. Fazer o que é bom sem olhar a quem. Isso ultrapassou os tempos e nunca será perdido, pois no coração do homem existe um “cômodo” cheio de carinho, amor e fraternidade. Nunca te esqueças disso e ajude a fazer com que essa mensagem não seja desvirtuada pela pós-modernidade.

O neto achou que o avô estava “viajando” naquele momento, mas sentiu algo em seu coração. O fruto de tal conversa só foi conhecido quase uma vida depois. No leito de morte, o neto, que agora se tornara avô de sete crianças, chama a esposa e pergunta em seu último sussurro de vida: “eu venci a pós-modernidade?” A esposa, que minutos depois se tornaria viúva, respondeu:

- Meu amor, em minha vida sempre vi pessoas querendo tirar proveito das outras. O jeitinho brasileiro foi algo presente nas rodas de amigos e também sociais. Ao te conhecer, notei que poderia haver algo diferente daquilo que eu havia vivido até ali. Exemplo de solidariedade, compromisso, dedicação e amor, você não só venceu a pós-modernidade, mas também o que vem depois dela e o que virá daqui há séculos. As palavras voam, mas os exemplos arrastam. E você arrastou uma família e duas gerações para darem continuidade à essa mensagem. Eu te amo!

Ao ouvir isso, o adolescente que comera aquele pão na chapa entregou-se ao destino da vida, certo de que os ensinamentos que aprendera com seu avô foram passados para outras gerações.

Da obra vermelha para o vermelho da vergonha

Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo. Nessas andanças pelo Brasil, deparei-me novamente com a bela Belo H...