segunda-feira, 27 de março de 2017

Tem como aumentar para 36 horas?


Impressiona o passar dos dias. Talvez pelas obrigações diárias e cobranças eternas de tudo e todos, já não consigo mencionar o tempo como algo que passa devagar, sem pressa. Para falar a verdade, sinto necessidade de mais tempo a todo instante. Quem dera os dias passassem a ter 36 horas e não mais as 24 horas. São muitos afazeres inadiáveis, além dos momentos que precisamos arrumar para lazer, visitar amigos, família e cuidar da casa.

Minha casa, inclusive, tem sido um lugar aonde só vou para dormir. Esta semana retomei o almoço em casa. Custe o que custar, vou fazer meu almoço e ficar com meus dois cachorrinhos por pelo menos uma hora. Hoje deu muito certo. Claro que a correria foi inevitável. Isso porque, antes de mais nada, tive de comprar frutas, legumes e hortaliças. Cheguei a minha casa e coloquei roupa para lavar enquanto lavava os alimentos.

O tempo, de Salvador Dalí

Aproveitei o meio tempo para descer com Zizou e Amélie. No retorno, a batata já estava quase cozida e era hora de secar a alface. Em seguida, temperei o peito de frango e cortei tomates e cebola. Arrumei a rúcula e preparei o prato das hortaliças. Ficou até bonito. Com a batata cozida, passei o peito frango e arrumei tudo no prato. Não fiz foto, mas confesso que tive orgulho. Retomar a alimentação em casa é qualidade de vida.


Almocei com prazer, escutando notícias sobre a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e outros temas. Logo, escutei o barulho da máquina encerrando as atividades. Hora de colocar a roupa para secar. Uma hora e meia de almoço e uma vida resolvida. Acho que o tempo bem aproveitado torna-se leve e prazeroso. Hora de voltar ao trabalho. A noite ainda tem a corrida diária para fazer, roupa para passar, dever de casa das aulas de francês e descida com os cachorros. É... a ideia das 36 horas diárias me cairia bem nesta etapa da vida.

terça-feira, 21 de março de 2017

Tome o controle da situação. Isso vale ouro

Odeio quando as coisas saem do meu controle. Odeio ficar a reboque de decisões de terceiros. De pessoas que nem sempre pensam no outro. Assim como eu, acredito que boa parte da população mundial pensa assim. No entanto, é preciso tentar compreender todo o processo, aceitá-lo. Nem sempre depende de nós, da nossa querência... E a vida é assim. Não adianta reclamar ou resmungar pelos cantos. Muitas vezes, viramos apenas passageiros de situações. Simples assim.

Recentemente, tenho passado por boas provações nesse sentido. No trabalho, na família, nos relacionamentos que escolhemos viver... Sempre há situações que incomodam. Tenho trabalhado isso da seguinte forma:

Situação X. Consigo resolver?
Sim, então não vou me preocupar e apenas trabalhar para resolver.
Não, então não vou me preocupar, uma vez que não tenho como resolver mesmo.

Nem sempre é fácil, pois o incômodo crescente gera ansiedade e estresse. Por outro lado, contar até dez é sempre um grande passo. A terapia tem me ajudado muito. Estar com um profissional alheio ao seu cotidiano te faz pensar em quantos pontos de vista pode haver em uma única situação. E olha que estou ficando perito nisso. O que outrora me incomodava, agora não tem passado de ruído somado a outros tantos que assobiam diariamente em meus ouvidos.

Encarar a realidade é sempre a melhor saída. Não adianta querer viver algo que não existe ou que se passa apenas na sua cabeça. Encare os fatos. Seja corajoso e não tenha medo de mudar. Mudar é bom. A mudança que muitas vezes esperamos pode estar dentro de nós mesmos. É apenas aceitar o processo, se render a ele e deixar fluir.




Administrar a vida é tarefa complicada. Requer muito conhecimento humano e autoconfiança. No que depende de nós, adiante... Se depender do outro, nunca se esqueça disso, prepare-se para a decepção. Já dizia o Barão de Itararé: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo”. A verdade é que não tem muita gente interessada na vida alheia não. Viver é sempre o melhor remédio para esse tipo de situação.

Certa vez uma senhora de uns 70 anos me deu uma lição de vida. Dizia ela: “Meu filho, sabe o que adoro nesta minha idade? Eu faço o que quero, falo o que me vem à cabeça e o povo ainda acha engraçadinho”. Está aí a graça da vida. Não se preocupe com o que o outro pensa de ti. Seja você, sempre. Assim, quem gostar de você vai gostar pelo que você é e não pelo que aparenta ser. E assim a vida ficará mais leve. Chega de se preocupar com o que as outras pessoas vão pensar. Tenha prudência, mas que tua vontade prevaleça em suas decisões. É o que quero para mim e para você.

terça-feira, 7 de março de 2017

O cinema que inspira...

Não há fórmula ou mesmo uma receita para se viver a vida. Muitas vezes planejamos, sonhamos, refazemos os planos e, mesmo assim, a vida nos atropela e nos faz recomeçar. Muitas vezes do zero. Há magia nisso. Só os fortes conseguem seguir depois de grandes derrotas. Lembro a frase do eterno personagem Rocky Balboa: “Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha”.



O cinema é mesmo uma fonte de inspiração para quem quer viver. Dizem que a arte imita a vida, e vice-versa. Eu adoro filmes, de todos os gêneros. Confesso que deixei o terror de lado faz um bom tempo, mas em dia com os outros. No fim de semana assisti a dois dramas fantásticos. O primeiro chama-se Amour e foi vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012, se não me engano. O segundo, A odisseia de Alice, é também de muito valor por retratar de forma real a vida da única mulher em um cargueiro pelos mares do mundo. Bota lição de relacionamentos nisso, em ambas as películas.

E sobre relacionamentos a vida só nos proporciona acúmulo de experiências. Você nunca estará preparado. É sempre novo, diferente, atraente, desafiador e, porque não assumir, monótono. O mais legal nisso tudo é que você pode fazer sempre diferente. Se reinventar ou mesmo fazer ajustes necessários. Ajustes esses não para agradar a ninguém, mas para te tornar uma pessoa melhor. Afinal, o que conta no fim de nossas vidas deve ser o que de bom plantamos por onde passamos.

No filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain tem uma cena muito boa. O personagem entra num jogo onde para diante de uma estátua. Ela aponta para o céu e o personagem fica sem entender porque chegara até ali. Eis que uma criança o cutuca e diz: “Quando o dedo aponta o céu, o idiota olha para o dedo”. Voilá! Quantas vezes deixamos de olhar para o que está por vir para nos prendermos ao pequeno? Olhar o dedo não mudará nada sua visão de vida. No entanto, se olhar para o céu as possibilidades serão infinitas.

E o que dizer da frase do Don Corleone, de O Poderoso Chefão: “Um homem que não se dedica à família nunca será um homem de verdade”. Nossa, que forte. Considero essa frase muito real. E não apenas para homens, mas também para mulheres. Afinal, família é família.



Sei que cada um dos meus seis leitores tem suas frases favoritas do cinema. Poderia listar outras tantas aqui, mas não convém. O recado foi dado. Busque filmes que dizem algo também, não apenas entretenimento. O cinema é um retrato da vida e muitas vezes pode lhe dizer algo bacana. É assim que encaro os filmes que me proponho a assistir…


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ela chegou e o ciúme reinou

A cena tornou-se rotineira nos últimos dias. Chego, abro a porta e dois ‘serumaninhos’ aparecem quase que sorridentes a me receber. Zizou sempre fez isso. A novidade, no entanto, é Amélie. Amélie é outro Jack Russel Terrier que adotei para fazer companhia ao “ziza”. Deu muito certo. O maior problema nisso tudo, acreditem, sou eu. Explico.



Sempre ouvi dizer que Zizou e Calvin sentem ciúmes de mim. Nunca levei muito a sério, pois é um sentimento muito humano. Mas está constatado o quanto Zizou se sente meu dono. Isso mesmo que vocês leram. Ele tem um sentimento de posse sobre minha pessoa. Bizarro! Talvez pelo jeito demasiadamente carinhoso que sempre o tratei. E, agora, ele precisa dividir minha atenção diariamente com Amélie.

É notória a diferença de postura adotada quando estou dando atenção a eles e quando estou fazendo outras coisas. Na primeira opção, de atenção a eles, Zizou não perde tempo em tentar expulsar Amélie de perto. Rosna, late e parte para o ataque. Amélie, que não é boba, revida. No entanto, ela sabe que ele é muito maior e que, portanto, o recuo é inevitável. Por outro lado, quando não estou dando atenção, Zizou corre para brincar com ela. Inacreditável.

A psicologia canina, se é que isso existe, deve explicar um pouco esse comportamento. Como um cão pode se achar detentor da posse de um humano? Acho que na cabeça do Zizou é exatamente isso que ocorre: “É meu e ninguém tasca”. Sinto dizer, Zizou, mas não é assim que a banda toca. Aliás, camarada, se você entendesse um pouco da música que está tocando, tiraria melhor proveito da situação. Aproveite Amélie. Ela será sua companheira por muitos anos. E se voltar a bater nela, chamo a polícia e você vai ser enquadrado na Lei Maria da Penha. Se liga, rapá.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Botafogo, preciso te dizer algo

Estou ficando velho e já não controlo tão bem minhas emoções. A estreia do Botafogo na Libertadores 2017 mostrou o quanto posso ficar tenso por conta de uma paixão. Acompanhado de amigos, num certo momento, eu simplesmente desisti do jogo. Era muita tensão desnecessária. Imagine que você se organiza para ver um jogo de futebol que, teoricamente, deveria ser um momento de prazer e simplesmente não consegue ter prazer.

Percebi minha incapacidade no momento do segundo gol. Já ganhávamos por 1 a 0, mas quando a bola balançou a rede e que eu fui levantar da cadeira para comemorar, simplesmente perdi as pernas e sentei-me no chão mesmo. É demais para mim. Como posso seguir a partir deste ponto?


O Botafogo, para quem me conhece, é algo importante em minha vida. É amor sim. Amor gratuito, daqueles sem vergonha que fazem você passar raiva, xingar, chutar e perder o sono. Mas é amor verdadeiro, daqueles que te fazem acordar sorrindo, cantarolando músicas que nem mesmo você sabe a letra. Assim é essa relação. E só quem é Botafogo pode entender do que estou falando.

TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM O BOTAFOGO. Na boca de comentaristas, narradores e até de outros torcedores, essa frase não faz tanto sentido. Saída da boca de um botafoguense, ela simplesmente resume o que é o Botafogo. Superstição, amor, raiva, paixão, decepção, glória, fracasso... tudo no mesmo balaio e em poucos minutos. Quem consegue lidar com isso? Eu não mais. Não tenho mais 15 anos. O coração precisa ser preservado para coisas maiores como esposa, filhos, netos...

Botafogo, você continuará sendo meu Botafogo. O mesmo de sempre. Mas não posso, ou não devo, deixar que nosso amor destrua uma das partes desta relação duradoura. Estarei contigo, sempre. Mas não espere mais tanto de mim. O coração precisa ser forte e você castiga demais, mesmo nos momentos de suprema alegria como na vitória contra o Colo Colo.




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Pássaro das 4

Pela janela do quarto
Escuto um pássaro
Sem falta, sem atraso
Todo dia, às 4

Assim como o veludo
O cantar é macio
No meu mundo desnudo
Nenhum pássaro faz ninho

Lá pelas 4
O cantar é exato
Desperto assim, sem ti
Neste mundo ingrato

Será um tico-tico?
Talvez um bem-te-vi
Sendo certo um sabiá
É porque não está aqui

Esse pássaro sempre volta
Todo dia lá pelas 4
Já meu amor por você
Virou peça de teatro

Ederson Marques

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Nada é nada ou nada é tudo?

O amanhecer hoje foi um pouco diferente. Despertei com uma vontade danada de escrever, sobre tudo e sobre nada. Escrever apenas. Ultimamente tenho pensado nisso. O ofício de jornalista me faz escrever. Todos os dias, escrevo. É uma nota, uma reportagem, um e-mail, uma mensagem nas redes sociais... E por aí vai. No entanto, nem todo dia tenho vontade de escrever. O faço porque necessito.

O paradoxo na minha vontade de escrever hoje está justamente no que escrever. Apesar de querer dissertar linhas e mais linhas, me faltam assuntos ou mesmo um único assunto. Ao tomar meu café da manhã, fiquei pensando nisso. Escrever sobre a vida? Ah, tanta gente o faz a toda hora. Sobre política? Nem comece. Religião é confusão. Futebol é chover no molhado. Sentimentos? Como diriam os gaúchos: Bah! Então caio no nada.

O nada também tem suas virtudes. Não direcionar palavras é uma forma de não julgar atos, situações ou pessoas. O nada, na verdade, é charmoso. Imaginar a ausência de tudo já nos faz pensar em algo grande. Por falar nisso, ainda não chegaram à conclusão sobre de onde surgiu tudo que conhecemos, não? O Universo, não é mesmo? De onde veio? Do nada? O nada pode ser muito misterioso.

O nada pode ser e também pode não ser. Quando alguém tenta mostrar desprezo por algo ou alguém, ela responde: nada. Amigos meus, inclusive, morrem de medo desta resposta. Quando perguntam às mulheres: Meu amor, o que ocorreu? E a resposta vem curta e seca: NADA. Praticamente suas vidas passam pelas suas cabeças em fração de um mísero segundo. Nesta hora, o nada volta a poder ser tudo.

O charme do nada está aí. Meu texto, neste momento, não diz nada com nada. Mas passa uma mensagem: a minha vontade de escrever. Se tu tens uma vontade não perca tempo e execute-a. Você não tem nada a perder, apenas pode ter a frustração de não ter feito nada para que sua vontade prevalecesse sobre o tudo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

É vida que segue... E vida em abundância

Sim, eu sei e todos sabemos que na vida tudo passa, que existe um momento para cada coisa e que tudo ocorre na hora que precisa ocorrer. Essas máximas costumam não fazer muito sentido na hora em que você se depara com situações inusitadas e de desespero. Perder um parente querido, um amor que se vai, um emprego que fica pelo caminho... Tudo é muito doloroso se não estamos minimamente preparados. No entanto, a máxima é verdadeira: tudo passa.

A maneira de encarar essas situações e a forma como você perceberá a carruagem passar são o que importa. Que vai passar, isso sabemos. Recentemente, deparei-me exatamente nesta extrema angústia de querer ver as coisas acontecerem rapidamente. E você, com certeza, também já passou ou passará por isso. Sinto dizer, mas não adianta querer adiantar os ponteiros. Não somos senhores do tempo. Ainda não dominamos, sequer, as nuances da Teoria da Relatividade. O que nos resta então? Sentar e esperar? NÃO.

Nesta hora, de incertezas, precisamos fazer exatamente o contrário. Precisamos viver. E viver intensamente. Certa vez, a Babi Renault escreveu em seu perfil: "Vida, te sinto!" Naquele momento, em que tudo estava nos trilhos, não compreendi o que poderia significar o "sentir" a vida. Hoje, depois da noite escura e da chegada do dia claro, compreendo e saboreio cada caractere desta bela frase.

Passei a semana em João Pessoa, Paraíba. Rever amigos e trocar os ares me mostrou exatamente que, apesar de você se fechar em seu mundo sempre que algo te assusta, o mundo continua girando em volta de si mesmo, em volta do Sol e por aí vai... O movimento dos astros nunca para. Por que, então, você vai parar? Erga a cabeça, comece a caminhar, a correr, a fazer coisas que te dão prazer. Veja e reveja filmes, escute novas músicas, tenha um novo olhar de tudo que te cerca... Olhe com carinho para as pessoas que cruzarem seu caminho. Tudo vale a pena e tudo será diferente se assim você quiser que seja. No fim, o que importa não é o que ficou pelo caminho, mas o que ainda está por vir. E o que está por vir depende diretamente da forma como você olhará a vida a partir de agora. Não temas, pois há um momento para cada coisa e compreender isso é crucial para que seu movimento esteja em sintonia com o resto do Universo. Para terminar, vou deixar apenas uma citação: "Sem você, as emoções de hoje seriam apenas pele morta das emoções do passado". (Hipólito)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Pokemon X Zizou: A evolução dos bichos de estimação


Como de costume, despertei cedo e fui cumprir os afazeres do dia. O primeiro deles é tratar e levar Zizou, meu Jack Russel Terrier, para uma boa volta. Assim como milhares de pessoas, eu baixei o jogo sensação recém-chegado ao Brasil: Pokemon Go. Decidi aproveitar a volta com Zizou para encontrar alguns desses bichinhos virtuais. E encontrei vários.

Vale ressaltar que a motivação para que eu baixasse esse jogo partiu de meus sobrinhos. Dois deles estão, há 15 dias, comentando com ansiedade a possibilidade. Nunca fui fã do desenho que tem um tal de Pikachú como protagonista, mas fiquei curioso para saber como mesclaram a realidade com a ficção. E, realmente, ficou fantástico.

Voltando ao passeio. Enquanto apontava meu celular para alguns bichos virtuais, sentia a coleira puxando de um lado para o outro. Olho de relance e Zizou me olhava atento. Creio que o animalzinho tentava entender o que se passava. Se pudesse falar, acho que soltaria um sonoro: “Porra, larga essa merda e presta atenção em mim”. Meio que me sentindo um idiota, joguei o celular no bolso e segui. Não demorou muito e o bicho – o celular – vibrou no bolso. Um novo pokemon. Retirei rapidamente e, pimba! Mais um na lista. E quando olho para Zizou, a decepção era flagrante e o distanciamento inevitável.

Retornei ao lar depois de uns 20 minutos de caminhada. Ao entrar, soltei Zizou que foi logo procurando uma bolinha para brincar. Nesse momento alguns pensamentos vieram a me incomodar. Hoje, um cachorrinho já não é visto como no meu tempo de infância. Lá atrás, eu ficava ansioso para encontrar o cachorro que morava na casa da minha avó. Eu ficava a semana toda pensando no Pinguin (nome do vira-lata) e em como poderia brincar com ele. Jogava bola, corria, brincava de cabo de guerra, dava banho... Enfim, era uma festa. Hoje, talvez Zizou já não desperte tanto interesse em meus sobrinhos. Aliás, tenho certeza que não largariam os pokemons nem por um segundo para bater uma peladinha com Zizou. Triste.

Com esta realidade na minha cabeça, peguei Zizou, dei um abraço e falei: “Relaxa negão, você não será trocado por nenhum bicho virtual”. Meio que entendendo o que eu ali falava, Zizou balançou o rabinho e deu-me uma lambida caprichada. Acho que nesse momento fizemos as pazes. Ah! E sobre o Pokemom Go... Quando eu tiver atoa eu penso em capturar outros.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Da malandragem à generosidade. Eis o carioca

“O carioca é aquele que sai na escola de samba
O carioca é aquele que pelo Rio se inflama
O carioca é aquele que vive de gozação
Mas ama seus companheiros, pois todos são seus irmãos”
Ari do Cavaco / Otacílio
 
Nessas idas e vindas ao Rio de Janeiro, o carioca sempre consegue me surpreender. Seja pela malandragem ou pela camaradagem, eles nunca conseguem passar em branco. Meus sete leitores lembram do episódio em que um deles disse que estava me aplicando uma “tática comercial” para justificar uma situação em que ele ganharia mais na venda de duas capas de chuva. Claro que não colou. Mas desta vez, ao levar meu sobrinho Matheus comigo, a situação foi totalmente diferente.
 
Estávamos em Niterói prontos para ir ao jogo do nosso Botafogo. O destino era o Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro. Uma longa viagem. Pegamos um ônibus no terminal com destino às proximidades da Central do Brasil. De lá, pegaríamos o trem para o estádio. Muitas linhas saem da Central do Brasil e meu receio era passar perto de uma cracolândia que fica perto da entrada da estação. Quando atravessamos a ponte Rio-Niterói, o motorista disse que saltaríamos em breve. Vestidos com a camisa do Botafogo, nos posicionamos perto da porta. Eis que surge o grande Altamir.
 
Escutei uma voz:
 
- Estão indo para o Engenhão? Cuidado com essas ruas próximas à Central do Brasil. São perigosas. Vou visitar meu irmão que mora ao lado do estádio.
 
Não me preocupei:
 
- Se estiveres indo para lá, podemos ir juntos. Afinal, vamos pegar o mesmo trem.
 
E descemos do ônibus. Como adiantara Altamir, a cena era meio triste. Uma longa rua com o comércio agitado. Nas calçadas, alguns “cracudos” e pessoas tomando cerveja. Altamir alertou:
 
- Vamos pelo meio da rua, entre os carros mesmo. É a maneira mais segura de chegarmos à Central do Brasil.
 
Seguimos e tudo deu certo. Durante o caminho, ele perguntou de onde éramos e ao saber que nossa casa era em Brasília, logo sorriu e disse que serviu na Marinha por alguns anos em nossa capital. O sorriso dele não saiu mais do rosto. Perguntou sobre como anda a cidade, a roubalheira dos políticos – mas lembrou que todos os estados mandam para lá a pior corja – e a seca tradicional do cerrado.
 
Já dentro do vagão rumo ao Engenho de Dentro, as cenas mais engraçadas já presenciadas por mim dentro de um trem. Se o conhecido “drops, halls, caramelo, amendoin... Só paga 100” te incomodava, em Brasília, no Grande Circular ou no eterno 145, imagine a seguinte frase:
 
“Atenção ao vendedor. Atenção. Eu estou aqui com esses tabletes de chocolate e vocês não vão adivinhar de onde são. São da Cacau Show. Ehhhh... Aquele que a Camila Pitanga faz propaganda no intervalo da novela. E NÃO SÃO ROUBADOS. Olha bem pra minha cara. Eu tenho cara de ladrão? Juro pela minha sogra mortinha que não são roubados. E o preço? Apenas 5 real. Quem mais vai querer?”
 
Muito interessante o senso de sobrevivência da pessoa. Mesmo sem ter vendido um quadradinho sequer, ele repetia aos gritos: “Quem mais vai querer?”. Confesso que não vi ninguém comprando. Ao mesmo tempo, uma confusão do outro lado do vagão.
 
- Te meto a porrada. Se não quer, não peça – esbravejou o vendedor de cerveja. Sim, um vendedor de cerveja dentro do trem rumo ao estádio. Eu não pensei duas vezes e comprei logo um latão. E olha que estava bem gelada.
 
Altamir, sempre sorrindo, disse:
 
- Hoje estão bem tranquilos. Durante a semana, você não consegue identificar nem o que estão vendendo. É uma gritaria só.
 
Chegamos ao Estádio Nilton Santos e, sempre muito prestativo, Altamir nos deu dicas de como voltar com segurança para Niterói. Disse para não pegarmos o ônibus 154 porque ele passa perto do Maracanã e tinha jogo do Flamengo logo depois. Voltar de trem também poderia ser perigoso, apesar de que quando o jogo do Botafogo terminasse, o do Flamengo já teria começado. A chance das duas torcidas se encontrarem nos trens era bem pequena. Na opinião dele, o melhor seria pegarmos o 170 até a Estação das Barcas e de lá seguir para Niterói. O 170 não passava perto do Maracanã.

Altamir fez questão de nos deixar no portão de acesso. Apesar de ser flamenguista, o que não tira o brio da figura, ele disse que estaria torcendo pelo Botafogo. Deu certo, vencemos o Náutico por 1 a 0. A volta para Niterói, apesar de longa de cansativa, ocorreu tudo bem. E o Altamir restou na memória deste humilde espaço de relatos sobre as andanças pela vida.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Acabou-se. Só restou dentadas

A psicologia canina, se é que existe isso, parece ter dado um nó em minha cabeça. Vocês conhecem as histórias e peripécias de Calvin e Zizou, nossos dois JRTs que gostam de aprontar. Pois bem. Se a amizade entre eles era uma esperança para Calvin se socializar, acabou-se. Os dois não se batem mais. Mais que isso: querem se matar, ao que parece. É dentada para todo lado. Juntos, agora, só em fotografias. Daquelas que serão vistas daqui a anos e surgirão comentários: "Como eram amigos. Até sei lá quem fazer sei lá o que com o outro".

Não sei dizer quem começou ou porque começou. Certo é que a guerra agora é aberta e não existe mais alvo civis ou militares. Vale tudo. Meu cunhado ganhou uma fêmea de JRT, a Lalai. Até então, uma oportunidade para Zizou conhecer outra criatura dócil e sapeca. Saí de casa a pé para a visita, que ocorreu na noite passada. Depois de mais ou menos 1,5 km cheguei ao destino. Peguei o elevador e logo estava de frente para a porta da discórdia.

Toc, toc, toc... Após não ser atendido, toquei a campainha. Pléééééé!!! Algo arranhou a porta na parte inferior. Calvin percebera a presença de Zizou e se preparou. Para evitar um ataque frontal, peguei Zizou no colo e a porta se abriu. Os saltos do Calvin já mostravam a vontade que ele estava de massacrar. Levantei mais alto para que ele não alcançasse as patas de Zizou. Sem sucesso. Calvin achou o rabo de Zizou e lascou a dentada, ficando por alguns segundos pendurados até que eu desse um tapa nele. O sangue mostrou a gravidade do ataque. Demoramos uns 5 minutos para estancar.

Ferido, Zizou tentou de toda forma descer para revidar aquela mordida. Arrepiou-se todo e tentava se soltar das minhas mãos a dentadas também. Fiquei marcado com isso. Minha cunhada pegou Calvin e o trancou no primeiro cômodo que viu. Ali ficou constatado que entre Calvin e Zizou tudo se acabou. Não resta mais nada. Apenas dentes para lá e dentes para cá.

Ah, e sobre a Lalai... É uma criatura danada, agitada, dócil e também gosta de morder. Talvez pelos dentes ainda serem de leite – ela só tem 60 dias – as mordidas são necessárias. Zizou brincou com ela e não mais viu Calvin na noite. Triste saber que agora ou tenho que estar com Zizou ou com Calvin. Os dois juntos, só em fotografias.

Calvin e Lalai brincando. Falta Zizou, mas isso agora é impossível.

Um homem caro demais

Eu não aprendo nunca. Há um ditado popular que diz: "O diabo é o diabo não porque ele é feio, mas porque ele é velho". Mas, no meu...