Pela janela do quarto
Escuto um pássaro
Sem falta, sem atraso
Todo dia, às 4
Assim como o veludo
O cantar é macio
No meu mundo desnudo
Nenhum pássaro faz ninho
Lá pelas 4
O cantar é exato
Desperto assim, sem ti
Neste mundo ingrato
Será um tico-tico?
Talvez um bem-te-vi
Sendo certo um sabiá
É porque não está aqui
Esse pássaro sempre volta
Todo dia lá pelas 4
Já meu amor por você
Virou peça de teatro
Ederson Marques
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Nada é nada ou nada é tudo?
O amanhecer hoje foi um pouco diferente. Despertei com uma vontade danada de escrever, sobre tudo e sobre nada. Escrever apenas. Ultimamente tenho pensado nisso. O ofício de jornalista me faz escrever. Todos os dias, escrevo. É uma nota, uma reportagem, um e-mail, uma mensagem nas redes sociais... E por aí vai. No entanto, nem todo dia tenho vontade de escrever. O faço porque necessito.
O paradoxo na minha vontade de escrever hoje está justamente no que escrever. Apesar de querer dissertar linhas e mais linhas, me faltam assuntos ou mesmo um único assunto. Ao tomar meu café da manhã, fiquei pensando nisso. Escrever sobre a vida? Ah, tanta gente o faz a toda hora. Sobre política? Nem comece. Religião é confusão. Futebol é chover no molhado. Sentimentos? Como diriam os gaúchos: Bah! Então caio no nada.
O nada também tem suas virtudes. Não direcionar palavras é uma forma de não julgar atos, situações ou pessoas. O nada, na verdade, é charmoso. Imaginar a ausência de tudo já nos faz pensar em algo grande. Por falar nisso, ainda não chegaram à conclusão sobre de onde surgiu tudo que conhecemos, não? O Universo, não é mesmo? De onde veio? Do nada? O nada pode ser muito misterioso.
O nada pode ser e também pode não ser. Quando alguém tenta mostrar desprezo por algo ou alguém, ela responde: nada. Amigos meus, inclusive, morrem de medo desta resposta. Quando perguntam às mulheres: Meu amor, o que ocorreu? E a resposta vem curta e seca: NADA. Praticamente suas vidas passam pelas suas cabeças em fração de um mísero segundo. Nesta hora, o nada volta a poder ser tudo.
O charme do nada está aí. Meu texto, neste momento, não diz nada com nada. Mas passa uma mensagem: a minha vontade de escrever. Se tu tens uma vontade não perca tempo e execute-a. Você não tem nada a perder, apenas pode ter a frustração de não ter feito nada para que sua vontade prevalecesse sobre o tudo.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
É vida que segue... E vida em abundância
Sim, eu sei e todos sabemos que na vida tudo passa, que existe um momento para cada coisa e que tudo ocorre na hora que precisa ocorrer. Essas máximas costumam não fazer muito sentido na hora em que você se depara com situações inusitadas e de desespero. Perder um parente querido, um amor que se vai, um emprego que fica pelo caminho... Tudo é muito doloroso se não estamos minimamente preparados. No entanto, a máxima é verdadeira: tudo passa.
A maneira de encarar essas situações e a forma como você perceberá a carruagem passar são o que importa. Que vai passar, isso sabemos. Recentemente, deparei-me exatamente nesta extrema angústia de querer ver as coisas acontecerem rapidamente. E você, com certeza, também já passou ou passará por isso. Sinto dizer, mas não adianta querer adiantar os ponteiros. Não somos senhores do tempo. Ainda não dominamos, sequer, as nuances da Teoria da Relatividade. O que nos resta então? Sentar e esperar? NÃO.
Nesta hora, de incertezas, precisamos fazer exatamente o contrário. Precisamos viver. E viver intensamente. Certa vez, a Babi Renault escreveu em seu perfil: "Vida, te sinto!" Naquele momento, em que tudo estava nos trilhos, não compreendi o que poderia significar o "sentir" a vida. Hoje, depois da noite escura e da chegada do dia claro, compreendo e saboreio cada caractere desta bela frase.
Passei a semana em João Pessoa, Paraíba. Rever amigos e trocar os ares me mostrou exatamente que, apesar de você se fechar em seu mundo sempre que algo te assusta, o mundo continua girando em volta de si mesmo, em volta do Sol e por aí vai... O movimento dos astros nunca para. Por que, então, você vai parar? Erga a cabeça, comece a caminhar, a correr, a fazer coisas que te dão prazer. Veja e reveja filmes, escute novas músicas, tenha um novo olhar de tudo que te cerca... Olhe com carinho para as pessoas que cruzarem seu caminho. Tudo vale a pena e tudo será diferente se assim você quiser que seja. No fim, o que importa não é o que ficou pelo caminho, mas o que ainda está por vir. E o que está por vir depende diretamente da forma como você olhará a vida a partir de agora. Não temas, pois há um momento para cada coisa e compreender isso é crucial para que seu movimento esteja em sintonia com o resto do Universo. Para terminar, vou deixar apenas uma citação: "Sem você, as emoções de hoje seriam apenas pele morta das emoções do passado". (Hipólito)
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Pokemon X Zizou: A evolução dos bichos de estimação
Como
de costume, despertei cedo e fui cumprir os afazeres do dia. O primeiro deles é
tratar e levar Zizou, meu Jack Russel Terrier, para uma boa volta. Assim como
milhares de pessoas, eu baixei o jogo sensação recém-chegado ao Brasil: Pokemon
Go. Decidi aproveitar a volta com Zizou para encontrar alguns desses bichinhos
virtuais. E encontrei vários.
Vale
ressaltar que a motivação para que eu baixasse esse jogo partiu de meus
sobrinhos. Dois deles estão, há 15 dias, comentando com ansiedade a
possibilidade. Nunca fui fã do desenho que tem um tal de Pikachú como
protagonista, mas fiquei curioso para saber como mesclaram a realidade com a
ficção. E, realmente, ficou fantástico.
Voltando
ao passeio. Enquanto apontava meu celular para alguns bichos virtuais, sentia a
coleira puxando de um lado para o outro. Olho de relance e Zizou me olhava
atento. Creio que o animalzinho tentava entender o que se passava. Se pudesse
falar, acho que soltaria um sonoro: “Porra, larga essa merda e presta atenção
em mim”. Meio que me sentindo um idiota, joguei o celular no bolso e segui. Não
demorou muito e o bicho – o celular – vibrou no bolso. Um novo pokemon. Retirei
rapidamente e, pimba! Mais um na lista. E quando olho para Zizou, a decepção
era flagrante e o distanciamento inevitável.
Retornei
ao lar depois de uns 20 minutos de caminhada. Ao entrar, soltei Zizou que foi
logo procurando uma bolinha para brincar. Nesse momento alguns pensamentos
vieram a me incomodar. Hoje, um cachorrinho já não é visto como no meu tempo de
infância. Lá atrás, eu ficava ansioso para encontrar o cachorro que morava na
casa da minha avó. Eu ficava a semana toda pensando no Pinguin (nome do
vira-lata) e em como poderia brincar com ele. Jogava bola, corria, brincava de
cabo de guerra, dava banho... Enfim, era uma festa. Hoje, talvez Zizou já não
desperte tanto interesse em meus sobrinhos. Aliás, tenho certeza que não largariam os pokemons nem por um segundo para bater uma peladinha com Zizou. Triste.
Com
esta realidade na minha cabeça, peguei Zizou, dei um abraço e falei: “Relaxa
negão, você não será trocado por nenhum bicho virtual”. Meio que entendendo o
que eu ali falava, Zizou balançou o rabinho e deu-me uma lambida caprichada.
Acho que nesse momento fizemos as pazes. Ah! E sobre o Pokemom Go... Quando eu
tiver atoa eu penso em capturar outros.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Da malandragem à generosidade. Eis o carioca
“O
carioca é aquele que sai na escola de samba
Nessas
idas e vindas ao Rio de Janeiro, o carioca sempre consegue me surpreender. Seja
pela malandragem ou pela camaradagem, eles nunca conseguem passar em branco.
Meus sete leitores lembram do episódio em que um deles disse que estava me
aplicando uma “tática comercial” para justificar uma situação em que ele
ganharia mais na venda de duas capas de chuva. Claro que não colou. Mas desta
vez, ao levar meu sobrinho Matheus comigo, a situação foi totalmente diferente.
-
Te meto a porrada. Se não quer, não peça – esbravejou o vendedor de cerveja.
Sim, um vendedor de cerveja dentro do trem rumo ao estádio. Eu não pensei duas
vezes e comprei logo um latão. E olha que estava bem gelada.
O
carioca é aquele que pelo Rio se inflama
O
carioca é aquele que vive de gozação
Mas
ama seus companheiros, pois todos são seus irmãos”
Ari
do Cavaco / Otacílio
Nessas
idas e vindas ao Rio de Janeiro, o carioca sempre consegue me surpreender. Seja
pela malandragem ou pela camaradagem, eles nunca conseguem passar em branco.
Meus sete leitores lembram do episódio em que um deles disse que estava me
aplicando uma “tática comercial” para justificar uma situação em que ele
ganharia mais na venda de duas capas de chuva. Claro que não colou. Mas desta
vez, ao levar meu sobrinho Matheus comigo, a situação foi totalmente diferente.
Estávamos
em Niterói prontos para ir ao jogo do nosso Botafogo. O destino era o Estádio
Nilton Santos, no Engenho de Dentro. Uma longa viagem. Pegamos um ônibus no
terminal com destino às proximidades da Central do Brasil. De lá, pegaríamos o
trem para o estádio. Muitas linhas saem da Central do Brasil e meu receio era
passar perto de uma cracolândia que fica perto da entrada da estação. Quando
atravessamos a ponte Rio-Niterói, o motorista disse que saltaríamos em breve.
Vestidos com a camisa do Botafogo, nos posicionamos perto da porta. Eis que surge
o grande Altamir.
Escutei
uma voz:
-
Estão indo para o Engenhão? Cuidado com essas ruas próximas à Central do
Brasil. São perigosas. Vou visitar meu irmão que mora ao lado do estádio.
Não
me preocupei:
-
Se estiveres indo para lá, podemos ir juntos. Afinal, vamos pegar o mesmo trem.
E
descemos do ônibus. Como adiantara Altamir, a cena era meio triste. Uma longa
rua com o comércio agitado. Nas calçadas, alguns “cracudos” e pessoas tomando
cerveja. Altamir alertou:
-
Vamos pelo meio da rua, entre os carros mesmo. É a maneira mais segura de
chegarmos à Central do Brasil.
Seguimos
e tudo deu certo. Durante o caminho, ele perguntou de onde éramos e ao saber
que nossa casa era em Brasília, logo sorriu e disse que serviu na Marinha por
alguns anos em nossa capital. O sorriso dele não saiu mais do rosto. Perguntou
sobre como anda a cidade, a roubalheira dos políticos – mas lembrou que todos
os estados mandam para lá a pior corja – e a seca tradicional do cerrado.
Já
dentro do vagão rumo ao Engenho de Dentro, as cenas mais engraçadas já
presenciadas por mim dentro de um trem. Se o conhecido “drops, halls, caramelo,
amendoin... Só paga 100” te incomodava, em Brasília, no Grande Circular ou no
eterno 145, imagine a seguinte frase:
“Atenção
ao vendedor. Atenção. Eu estou aqui com esses tabletes de chocolate e vocês não
vão adivinhar de onde são. São da Cacau Show. Ehhhh... Aquele que a Camila
Pitanga faz propaganda no intervalo da novela. E NÃO SÃO ROUBADOS. Olha bem pra
minha cara. Eu tenho cara de ladrão? Juro pela minha sogra mortinha que não são
roubados. E o preço? Apenas 5 real. Quem mais vai querer?”
Muito
interessante o senso de sobrevivência da pessoa. Mesmo sem ter vendido um
quadradinho sequer, ele repetia aos gritos: “Quem mais vai querer?”. Confesso
que não vi ninguém comprando. Ao mesmo tempo, uma confusão do outro lado do
vagão.
-
Te meto a porrada. Se não quer, não peça – esbravejou o vendedor de cerveja.
Sim, um vendedor de cerveja dentro do trem rumo ao estádio. Eu não pensei duas
vezes e comprei logo um latão. E olha que estava bem gelada.
Altamir,
sempre sorrindo, disse:
-
Hoje estão bem tranquilos. Durante a semana, você não consegue identificar nem o
que estão vendendo. É uma gritaria só.
Chegamos
ao Estádio Nilton Santos e, sempre muito prestativo, Altamir nos deu dicas de
como voltar com segurança para Niterói. Disse para não pegarmos o ônibus 154
porque ele passa perto do Maracanã e tinha jogo do Flamengo logo depois. Voltar
de trem também poderia ser perigoso, apesar de que quando o jogo do Botafogo
terminasse, o do Flamengo já teria começado. A chance das duas torcidas se
encontrarem nos trens era bem pequena. Na opinião dele, o melhor seria pegarmos
o 170 até a Estação das Barcas e de lá seguir para Niterói. O 170 não passava
perto do Maracanã.
Altamir fez questão de nos deixar no portão de acesso. Apesar de ser flamenguista, o que não tira o brio da figura, ele disse que estaria torcendo pelo Botafogo. Deu certo, vencemos o Náutico por 1 a 0. A volta para Niterói, apesar de longa de cansativa, ocorreu tudo bem. E o Altamir restou na memória deste humilde espaço de relatos sobre as andanças pela vida.
Altamir fez questão de nos deixar no portão de acesso. Apesar de ser flamenguista, o que não tira o brio da figura, ele disse que estaria torcendo pelo Botafogo. Deu certo, vencemos o Náutico por 1 a 0. A volta para Niterói, apesar de longa de cansativa, ocorreu tudo bem. E o Altamir restou na memória deste humilde espaço de relatos sobre as andanças pela vida.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Acabou-se. Só restou dentadas
Não sei dizer quem começou ou porque começou. Certo é que a guerra agora é aberta e não existe mais alvo civis ou militares. Vale tudo. Meu cunhado ganhou uma fêmea de JRT, a Lalai. Até então, uma oportunidade para Zizou conhecer outra criatura dócil e sapeca. Saí de casa a pé para a visita, que ocorreu na noite passada. Depois de mais ou menos 1,5 km cheguei ao destino. Peguei o elevador e logo estava de frente para a porta da discórdia.
Toc, toc, toc... Após não ser atendido, toquei a campainha. Pléééééé!!! Algo arranhou a porta na parte inferior. Calvin percebera a presença de Zizou e se preparou. Para evitar um ataque frontal, peguei Zizou no colo e a porta se abriu. Os saltos do Calvin já mostravam a vontade que ele estava de massacrar. Levantei mais alto para que ele não alcançasse as patas de Zizou. Sem sucesso. Calvin achou o rabo de Zizou e lascou a dentada, ficando por alguns segundos pendurados até que eu desse um tapa nele. O sangue mostrou a gravidade do ataque. Demoramos uns 5 minutos para estancar.
Ferido, Zizou tentou de toda forma descer para revidar aquela mordida. Arrepiou-se todo e tentava se soltar das minhas mãos a dentadas também. Fiquei marcado com isso. Minha cunhada pegou Calvin e o trancou no primeiro cômodo que viu. Ali ficou constatado que entre Calvin e Zizou tudo se acabou. Não resta mais nada. Apenas dentes para lá e dentes para cá.
Ah, e sobre a Lalai... É uma criatura danada, agitada, dócil e também gosta de morder. Talvez pelos dentes ainda serem de leite – ela só tem 60 dias – as mordidas são necessárias. Zizou brincou com ela e não mais viu Calvin na noite. Triste saber que agora ou tenho que estar com Zizou ou com Calvin. Os dois juntos, só em fotografias.
Calvin e Lalai brincando. Falta Zizou, mas isso agora é impossível.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Um braço para lá de especial
Por muito tempo busquei olhar o céu do Brasil de uma forma especial. Contemplar as estrelas e os cosmos é parte da minha vida. Sempre que posso, e as nuvens permitem, olho para o céu noturno do hemisfério sul. Antes que me perguntem, respondo. Eu nunca comprei uma luneta para olhar melhor essa maravilha. O motivo? Não sei explicar. Gosto de tudo relacionado ao universo. E acredito que não passamos de poeira cósmica criada por algum ser muito superior. Neste caso, Deus.
Na chácara São Francisco, já consegui presenciar céus incríveis. Uma noite sem lua, com falta de energia em Alexânia (cidade a 10 km de distância), o céu realmente se despiu. Mas nunca foi o que eu buscava ou passou perto do que eu buscava. Eu buscava ver um pedaço do braço. Sim. Do braço da nossa Via Láctea. É sabido que nosso Sistema Solar orbita nossa galáxia na extremidade de um de seus braços em espiral. E estamos muito distantes do centro da Via Láctea. Muitos cientistas, aliás, acreditam que exista um buraco negro lá no meio. Mas isto ainda é motivo de discussão entre os cabeçudos. Eu vou me ater ao que vi.
No dia 25 de novembro de 2014, peguei um avião para João Pessoa, na Paraíba. Era para eu sair de Brasília às 23h50, mas a forte chuva adiou o voo por mais de uma hora. Paciência. Voamos então para Salvador, na Bahia, onde fizemos uma escala. De Salvador para João Pessoa atrasaram mais uma hora. Quase perdido no tempo, por conta dos atrasos, vi que ao sair de Salvador o relógio já passava das 3h da matina. A partir daí, contemplei o que esperei muito tempo para ver.
Após a decolagem, percebi que a rota a seguir ia perto da costa, mas sobre o Oceano Atlântico. Depois que as luzes de Salvador ficaram para traz, surgiu o toque de sorte. O piloto apagou todas as luzes do avião e as pessoas dormiram. Resultado: tudo escuro dentro e fora da aeronave. Perfeito. Eu estava sentado na poltrona 23F, longe das asas e, portanto, longe da luz emitida por elas. E eu estava posicionado para o lado do oceano. Não poderia perder a chance. Para completar a sorte, céu de brigadeiro.
Olhei para o lado e lá estava ele. O firmamento era facilmente identificado por conta da claridade emitida por milhares, talvez bilhares de estrelas. Quem poderia contar? Busquei a constelação do Cruzeiro do Sul para me localizar. Encontrei com dificuldade, pois nunca havia contemplado tantas estrelas no céu. Percebi que a cada segundo ele ficava para trás, seguindo para a calda do avião. Lembre-se que nosso destino era ao Norte.Fiquei imaginando o que Edmond Halley viu ao mapear, em 1678, as estrelas do céu meridional. Imaginei também por quantas vezes essas estrelas salvaram a vida dos conquistadores, mostrando o caminho para o Novo Mundo e também para o triste massacre da cultura indígena da América. As estrelas são sempre um achado novo e velho. Olhar hoje para o céu é olhar para as estrelas em 1994, segundo especialistas. Isto porque a luz viaja muito para chegar aqui e, portanto, quando chega já se passaram quase 20 anos de sua emissão. E isto é fantástico.
Não vou me alongar mais. Estou publicando duas fotos que chegam perto do que eu vi na chácara São Francisco e no voo de Salvador para João Pessoa. A segunda, que mostra o braço da Via Láctea, chega mais perto do que vi lá de cima. Acho que será difícil repetir esse feito. Mas nós não sabemos os mistérios, os segredos e as surpresas que os cosmos nos preparam.
Esse vídeo é incrível e mostra o efeito que a rotação da Terra faz com o braço da Via Láctea no hemisfério sul.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Canário, uma contradição incompreensível
É estranho não compreender as atitudes dos homens. Imaginem o quão terrível é, por exemplo, prender um Canário da Terra em uma gaiola por amá-lo e apreciar seu canto. De fato nunca compreendi a lógica disso. Tive, quando criança, dois periquitos australianos. Aqueles coloridinhos que você compra em qualquer casa rural. Quando morreram, chorei e me culpei por tê-los deixado preso a vida toda naquela gaiolinha. Nunca mais quis ter pássaros.
Muitos anos se passaram e meu contato com pássaros apenas diminuiu. No máximo via pombas urbanas e pardais pelas ruas de Brasília. Nada muito especial como quando era criança, ainda na fazenda onde um tio trabalhava e a gente via João de Barro, Rolinhas, Bem-Te-Vi, Tiziu, Pica-Pau, Araras, e outras tantas espécimes. Confesso que já não parava para escutar um canto, para ver a cor da plumagem, apreciar a natureza das aves.
A vida se resumiu a pombas urbanas e pardais. Até que meu pai comprou uma chácara em Goiás. No início, não havia muitos pássaros. Contam que os filhos do vizinho viviam com estilingues carregados para derrubar qualquer pássaro que ousasse sobrevoar a área. E realmente não ouvíamos muitos cantos por perto, apesar de estarmos dentro do cerrado. Estranho não?
Mas isso mudou. E é agora que entra a parte mais contraditória desta vida que às vezes não consigo compreender. Um compadre meu, o Rezende, é um amante de pássaros, principalmente de Canário da Terra. Desde criança, via em sua casa gaiolas com vários deles presos e cantando. Rezende sempre se orgulhou de seus canários. Com o passar dos anos, montou um grande viveiro em um cômodo de outra casa. Pela manhã, quando por lá dormia, acordava ao canto deles logo no romper da alvorada. Era diferente, pois como disse antes, a vida se resumiu a pombas urbanas e pardais.
Rezende, então, provou que a mesma mão que prende, liberta e preserva. Como? Ele pegou um casal de Canário da Terra e levou para a chácara. Iniciou-se, aí, um processo de reintegração na natureza de canários que antes estavam presos. Com a colocação dos canários, vieram as Rolinhas, o João de Barro, o Tucano, o Sabiá... A natureza voltou a ser ocupada por eles e meus ouvidos passaram a escutar sons que há tempos já tinham sido esquecidos.
Devemos agradecer sempre por aquilo que não compreendemos. Não fosse o Rezende, aquele mesmo que tinha pássaros presos em sua casa, não conseguiríamos repor aquilo que foi caçado pelo homem. Hoje, o amanhecer na Chácara São Francisco é calmo, sereno e com muito canto de pássaros. Como manda a Mãe Natureza.
Obrigado Rezendão
Pra você deixo essa música
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Zizou na área... mais confusão
Que meus seis leitores já conhecem o Calvin isto não tenho dúvida. A parada agora é outra. Não bastasse o Calvin para fazer todas as travessuras do mundo possíveis e morder calcanhares distraídos, ganhamos mais um amigo: Zizou. O nome não é novidade neste humilde espaço. A novidade é que ele não é filhote do Calvin. Enfim, o dono do canil de Jack Russel Terrier ofereceu um e nós aceitamos.
Na rua, ninguém consegue distinguir quem é Calvin e quem é Zizou no jogo do bicho. Isto porque são irmãos. Mas apenas por parte de mãe. A marca na cara é praticamente a mesma. No entanto, fisicamente Zizou é mais alto que Calvin. No meio dos profissionais, um é chamado de JRT pata curta e o outro de JRT pata longa. A personalidade de um também é bem diferente do outro. Calvin é o que já conhecem. Ziziou é mais tranquilo, talvez por ter ficado no canil até seus 11 meses.
Zizou chegou à nossa casa com muito medo. Medo de tudo. Até de sua sombra. Tão desconfiado, que ao sair para passear parecia uma pessoa saindo da balado no fim da noite para pegar o carro no estacionamento escuro: olha para todos os lados, menos para frente. E foi numa dessas, sem que eu percebesse, que ele deu de cara no porte de uma placa de trânsito. O barulho foi um só... toc!
Depois, com uma semana de novo lar, ele recebeu a visita do Calvin. A farra foi grande. E isto deu mais confiança a ele. Hoje, passadas quase três semanas, Zizou já está na boa. Recentemente, deu até aula de etiqueta para o Calvin na chácara da família. Enquanto Calvin ficou preso por mau comportamento (morder tornozelos de crianças e quem mais aparecesse pela frente), Zizou entrou na roda e conquistou a todos. As crianças então, nem se fale. Era carinho pra lá e pra cá. Mas Calvin também se divertiu e isto que importa.
Agora temos dois JRT. Um para fazer nossa alegria e tocar o terror e o outro para fazer a alegria das crianças. E assim segue a vida.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Solta o calcanhar dele, Calvin
Na sexta-feira, o amigo Eduardo veio nos visitar. Paloma e eu pensamos: “que legal. Vamos levar o Calvin pra casa para ele conhecer nosso amigo e se divertir”. Tudo estava arrumado. Só faltou combinar com o Calvin. Faltou. Por volta das 16h30, depois de arrumar a casa, fui buscar o mascote. Alegre, esse Jack Russel Terrier logo percebeu que sairia para mais uma festinha. Antes mesmo de pegar sua comida e seus brinquedos, ele já pulava em minhas pernas e corria para a porta de saída. Entrou no carro e, para variar, colocou a cabeça para fora da janela. Aliás, isso é novo nele. Tenho deixado a janela aberta só com espaço para ele colocar a cabeça. Porque da última vez que fiz um teste com toda janela aberta, ele simplesmente saltou do carro, que estava a uns 15km/h. Foi sofrido.
Em minha casa, Calvin já se sente a vontade. Sobe no sofá, corre pelos quartos, lancha na área de serviço e espera a hora de descer. Começo a acreditar que ele está se acostumando com o apartamento. Tomara. Já passava das 20h quando decidimos levar o Calvin junto para buscar o Eduardo no aeroporto. Chegamos e ficamos no estacionamento por mais de meia hora. Calvin, claro, ficou numa agonia danada e começou a latir para rodas, carrinhos, sapatos e tudo mais que conseguir enxergar por debaixo do carro. E todos olhavam admirados.
Entramos no carro e Calvin continuou. Eu no volante, Eduardo no banco do passageiro e Paloma se gladiando com Calvin para que ele parasse de latir e tentar morder o Eduardo. Uma decisão foi tomada: “vamos deixá-lo na Veruscka”. Tadinho, saiu para passear e agora iria voltar para sua casinha. No meio do caminho, Calvin parou de latir. No entanto, consideramos ser mais prudente levá-lo para lá. A noite seria de bons papos e cerveja gelada.
Não foi a primeira vez que Calvin, o mordedor, conseguiu achar um pé. Na chácara do meu pai, certa vez, o deixei embaixo do pé de caju enquanto arrumava algumas coisas. Meu irmão veio todo distraído e passou por perto. O “bote” mais uma vez foi certeiro e o sangue escorreu pelo pé. Não que as mordidas do Calvin sejam fortes. Os dentes são afiados. E ele morde, na maioria das vezes, por brincadeira. Mas isto, poucas pessoas entendem. De qualquer forma, o Calvin continua nos oferecendo bons momentos de alegrias e risadas.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Calvin volta ao Parque da Cidade. Confusão!
Não fosse o calor do verão no cerrado, o passeio com o Calvin no Parque da Cidade seria ainda melhor. De férias, termômetros marcando 31 graus, resolvi convidar o Gabriel para levar as sobrinhas (Isadora e Laís) e nosso mascote para passear. Paramos no estacionamento do Carrera Kart e foi ali que a confusão começou.
Peguei a coleira e saí para dar uma volta no gramado enquanto o Gabriel tentava, sem muito sucesso, fazer a Laís dar algumas pedaladas. Isadora, mais desenvolta, já estava lá na frente. No gramado em questão havia algumas corujas. Calvin, o corajoso, não poderia deixar por menos e logo correu para cima das pobres aves assim que percebeu a presença. Como estava na coleira, a investida não obteve muito sucesso. Pior para ele. Ao perceber que ali não poderia soltá-lo da coleira, chamei o Gabriel para seguirmos até outro lugar. Antes de sair, porém, veio o troco. Uma das corujas voou e deu um rasante nas costas do Calvin, que ao perceber o ataque apenas colocou o rabo entre as pernas e procurou logo o carro para sair.
Já estava começando o pôr do sol quando o Caio ligou dizendo que passaria no Parque para me encontrar. Precisávamos conversar algumas coisas de trabalho. Tudo bem, eu sempre estou disponível aos amigos. Logo ele chegou. Ao longe foi avistado pelo Calvin, que pensando ser algum intruso correu para nos proteger. Correu muito e chegou antes mesmo que Gabriel ou eu pudéssemos gritar para ele parar. Apenas disse de longe para o Caio não se mexer. Calvin chegou pronto para morder as calças dele. Logo voltou e quanto percebeu que o Caio não iria parar seguiu novamente para o ataque. Ai ai ai viu Calvin.
Fui correndo ao encontro dos dois e peguei o Calvin no colo. Ele se acalmou ao perceber que o Caio era nosso amigo. Intrigou-me bastante esse comportamento do Calvin. Volto a repetir, ele é um Jack Russel Terrier. Gostei do espírito de cão que cuida da gente, de cão amigo, de cão companheiro. Ficou bem nítido isso hoje. Depois do ocorrido, ficamos mais alguns minutos e logo fomos embora. A tarde foi de muita agitação para o Calvin. Correu, comeu manga, saltou obstáculos e, na cabeça dele, ainda nos defendeu. Eita cachorrinho mais que amigo. Vai sonhar com essa valentia a noite toda.
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Um homem caro demais
Eu não aprendo nunca. Há um ditado popular que diz: "O diabo é o diabo não porque ele é feio, mas porque ele é velho". Mas, no meu...
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Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo. Nessas andanças pelo Brasil, deparei-me novamente com a bela Belo H...
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Tenho certeza que você já passou por isso. E se não passou, talvez pela sua pouca idade, ainda passará. Chega um momento que tudo parece si...





