Aos meus cinco leitores, publico hoje uma crônica espetacular do mestre Nelson Rodrigues. Esse texto fez muito sucesso na época de ouro do futebol brasileiro e até hoje desperta grande interessa da comunidade boleira do Brasil.
Garrincha, o anjo de pernas tortas
Nelson Rodrigues
Vocês se lembram de Charles Claplin, em Luzes da Ribalta, fazendo número das pulgas adestradas? Pois bem, Mané deu-nos um alto momento chaplinhano. E o efeito foi uma bomba.
Na primeira bola que recebeu já o povo começou a rir. Aí é que está o milagre. O povo ria antes da jogada, da graça, da pirueta. Ria adivinhando que Garrincha ia fazer a sua grande área como na ópera. Como se sabe só o jogador medíocre faz futebol de primeira. O craque, o virtuoso, o estilista prende a bola. Sim, ele cultiva a bola como uma orquídea de luxo.
Foi uma das jogadas mais histriônicas de toda a vida de Mané. Primeiro pulou por cima da bola. Fez que ia, mas não foi. Pula pra lá, pra cá. Com a delirante agilidade de 58. Lá estava a bola imóvel, impassível, submissa ao gênio. E garrincha só faltou plantar bananeiras.
Garrincha, o anjo de pernas tortas
Nelson Rodrigues
Vocês se lembram de Charles Claplin, em Luzes da Ribalta, fazendo número das pulgas adestradas? Pois bem, Mané deu-nos um alto momento chaplinhano. E o efeito foi uma bomba.
Na primeira bola que recebeu já o povo começou a rir. Aí é que está o milagre. O povo ria antes da jogada, da graça, da pirueta. Ria adivinhando que Garrincha ia fazer a sua grande área como na ópera. Como se sabe só o jogador medíocre faz futebol de primeira. O craque, o virtuoso, o estilista prende a bola. Sim, ele cultiva a bola como uma orquídea de luxo.
Foi uma das jogadas mais histriônicas de toda a vida de Mané. Primeiro pulou por cima da bola. Fez que ia, mas não foi. Pula pra lá, pra cá. Com a delirante agilidade de 58. Lá estava a bola imóvel, impassível, submissa ao gênio. E garrincha só faltou plantar bananeiras.
Esse rapaz da raiz da serra compensou-nos de todas as nossas humilhações pessoais e coletivas. Vocês sabem que do nosso lábio sempre pendeu a baba elásticas e bobina da humildade. De 58 a 62, o mais indigente dos brasileiros pode tecer a sua fantasia de onipotência.
E por tudo isso, as multidões – sem que ninguém pedisse ou sem que ninguém lembrasse –, as massas derrubaram os portões e oferecerem a Mané Garrincha uma festa de amor como não houve igual nunca, assim na terra como no céu.
Garrincha nunca teve marcação e chamava seus adversários de João
Um comentário:
Gostei da visita. Realmente fazia muito tempo. Dessa turminha de Brasília só você e o Paulinho, não sei se você conhece, é que de vez em quando aparece. Vi que visitou o seu xará.
Tem muita gente boa por esse mundo de blog, precisamos só arrumar tempo para visitar.
abraços e volte sempre.
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