sexta-feira, 10 de abril de 2026

Da obra vermelha para o vermelho da vergonha

Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo.

Nessas andanças pelo Brasil, deparei-me novamente com a bela Belo Horizonte, a capital daquele povo hospitaleiro e cheio de prosa boa. Depois de dias de um grande evento, no qual trabalhamos bastante e entregamos um bom conteúdo jornalístico, organizou-se uma visita ao Instituto Inhotim, que fica em Brumandinho.

Instituto Inhotim

O local, que precisa ser visitado por todos os brasileiros e brasileiras ao menos uma vez na vida, é dotado de obras de arte, tanto em céu aberto quanto divididas em galerias. É um paraíso nessa nossa Pátria Amada, Brasil!

E é aí que entra a boa crônica desse dia. Depois de nos divertimos nos carrinhos de golfe que nos levavam para um lugar e outro numa velocidade impressionante, chegamos numa das obras mais aguardadas e comentadas: "Desvio para o Vermelho", de Cildo Meireles. Trata-se de uma obra que simula uma casa impregnada pela cor vermelha. Um tanto óbvia essa explicação, não? Essa obra explora temas sociais, políticos e sensoriais, dividida em três partes: Impregnação (sala vermelha), Entorno (sala de penumbra) e Desvio (pia com água vermelha).

Para quem conhece Inhotim, muitas das obras são interativas. Algumas você pode tocar, explorar e até mesmo se divertir gastando seu fôlego e dando boas gargalhadas. No entanto, nessa especificamente as coisas não são o que parecem ser. E eu, pra variar, dei aquela "rata", como dizem os goianos.

Esperamos na fila por alguns minutos até chegar nossa vez de entrar. Entramos e, de cara, vimos a "Impregnação", uma sala dotada de elementos vermelhos. Móveis, quadros, etc, etc, etc...

Eu fui entrando e falei: "Thaís, tira uma foto bem legal minha sentado nesse sofá aqui enquanto os outros não entram para atrapalhar". E me joguei naquele sofazão vermelhão e bonito. Abri meus braços, como se estivesse em casa mesmo, e por um momento pensei em colocar os pés na mesa de centro.

O microtempo estava se esgotando e a Thaís demorava um pouco para enquadrar tudo. Quanto menos se espera, eis que surge uma pessoa e sem rodeios e com muita "delicadeza" me diz:

- Senhor, por obséquio, vossa excelência não pode usufruir das benesses proporcionadas por esse exemplar único da estofaria brasileira.

Apertando a tecla sap:

- Oh, seu arrombado, cai fora daí. Não tá vendo que não pode sentar na porra do sofá, seu fdp? Sai daí logo, caraio. Vaza!

Eu tomei um susto. Nesse momento, quem ficou mais vermelho que a obra fui eu. Vermelho de vergonha, pois ninguém havia informado que essa obra em específico não era uma obra interativa. Eu saí sem graça, óbvio, mas feliz por ter conseguido a melhor foto de todos os tempos do Instituto Inhotim. Sem querer, a Thaís me presenteou com essa maravilha.

No canto esquerdo, a mão da senhorita educada

Definitivamente, repito, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Um trajeto automático

Recentemente, vi um meme no Instagram. De certo, investigadores colocaram um localizador no carro do suspeito para traçar as rotas diárias que o elemento percorria. Depois de dias de avaliação, perceberam que, no início do dia, o sujeito saí de casa e se dirigia ao trabalho. Ali, permanecia durante todo o dia. Posteriormente, saía do trabalho e retornava para casa, em um ciclo de vida resumido a casa-trabalho-casa. ME IDENTIFIQUEI.

O bendito meme

Não que eu seja suspeito de qualquer crime ou que careça de investigadores no meu encalço, mas a rotina em si. A única diferença entre o bendito meme e minha vida é que antes de ir ao trabalho eu acabo por treinar. Então, meu rastro seria casa-box-trabalho-casa. E isso exaustivamente e repetidamente repetido nesse ciclo.

Rotinas são sempre condenadas ou mesmo tidas como massificantes para a destruição mental das pessoas. Quem nunca escutou que a rotina torna um relacionamento monótono? Ou que a rotina cansa demais para ser vivida rotineiramente? Ahhhh, doce rotina. Como te demonizam sem nenhuma justiça.

Como dizia o saudoso Bob Marley: "Seja feliz do jeito que você é, não mude sua rotina pelo que os outros exigem de você. Simplesmente viva de acordo com o seu modo de viver".

Eu gosto da minha rotina. Antes de ir treinar, eu cuido dos meus cachorros. Logo, às 5h, eles já estão me esperando para fazer o café da manhã e descer para um passeio ainda no escuro. Quando a gente sobe, é hora de um cafezinho para mim enquanto ajeito as coisas do treino. Atentos, Zizou e Chloé ficam no meu pé.

Depois é seguir para a box. Uma hora de treino, banho e trabalho. Ali, a rotina não é lá muito certa, dependendo da agenda do dia. O certo é que no fim do dia eu pego meu "caminho da roça" e chego em minha casa. Mais uma vez, Zizou e Chloé requerem cuidados. Isso feito, passo aos meus cuidados. Um jantar breve, uma leitura curta e, quase sempre, uma série antes de Morfeu dar um "oi".

Benefício de se acordar cedinho

No outro dia, às 5h, lá vamos nós!

A rotina não me cansa. Ela é uma forma de eu manter a mente ativa, cumprindo responsabilidades sem procrastinar e tocando a vida sem muitas surpresas. A rotina me faz bem.

E aos meus seis leitores, cumpram suas rotinas e sejam mais que felizes, sejam leves, sorriam e acenem sempre.

Ah, e sobre os investigadores, sinto decepcioná-los, mas minha vida é isso aí mesmo.

sábado, 15 de março de 2025

Deus, voltei!

Nossa, estava aqui revendo e a última postagem foi em 31 de outubro de 2022. Para ser sincero, eu nem lembro por onde eu andava nesta data, afinal, eu já estive em tantos lugares nos últimos tempos.

Mas, agora, preciso me ater ao presente. Estou em João Pessoa, às 00h03 esperando um voo que ocorrerá somente às 4h20. Por que tão cedo no aeroporto? Eu não faço ideia. Apenas deu vontade de chamar um Uber e parar aqui.


Pelos meus relatos, a última vez que estive por aqui, em João Pessoa, foi em setembro de 2016. Pelas minhas memórias, foi uma viagem para resolver pendências contratuais não tão agradáveis. Mas a vida seguiu, e fluiu.

De 2016 para 2025... Jesus, quase 10 anos!

João Pessoa evoluiu como cidade e, no fim, eu me pergunto se evoluí como ser humano. Muitas vezes, falo que cinco anos é período importante para refletirmos sobre mudanças na vida. Em cinco anos, muitas coisas podem acontecer. Imagina em nove anos... Como posso contar em poucas palavras o que foi minha vida nesse tempo?

A reposta para essa pergunta não é simples. Eu pensei em mil coisas para escrever aqui, mas cinco delas foram marcantes ao ponto de merecerem destaque. E enumero a seguir:

1. Eu me mudei para Curitiba (PR) e consegui muitos amigos e expandir minha mente;
2. Comecei a praticar crossfit, o que mudou radicalmente minha vida;
3. Conheci um grande amor;
4. Perdi meu pai, o que me fez repensar tudo sobre minha existência;
5. e o Botafogo ganhou uma Libertadores da América.

Tudo isso parece muito e ao mesmo tempo estranho, pois agora me deparo em frente ao mesmo café que estive em 2016 com outras avaliações e perspectivas de vida. Isso me faz refletir sobre o tempo, mais uma vez, e suas nuances.

Meus poucos leitores já pararam para refletir sobre isso? Eu não sei a idade de vocês, mas hoje acredito no que meu pai me dizia sobre o que ser feito "daqui pra frente". Eu não tenho lá muito tempo a perder, a programar e esperar acontecer. Eu preciso agir. E isso é urgente!

Tenho 45 anos, apesar da aparência ter fixado em 36 (palavras da minha treinadora, ela quem disse). Não devo chegar aos 90 anos. Aliás, minha meta são 82 anos, quando poderei rever o cometa Halley mais uma vez (a última e única vez foi em 1986). E cada dia, a partir de agora, conta.

Difícil explicar isso para as outras gerações, como foi difícil papai explicar isso para nós. Mas com o tempo não tem concorrência ou competição, ele sempre vence.

Estou aqui, sentando em um café, pela  madrugada, divagando sobre a vida. Saudade mil de uma pessoa, que gostaria que estivesse aqui comigo. Não tenho lá muito a escrever mais, apesar do desejo de que as horas passem para que eu retorne para minha Brasília. Saudade da minha mamãe, do meu Zizou, da minha Clhoé e de quem pertence o meu coração. Mas vamos continuar.

Talvez daqui a nove anos eu volte a escrever aqui de João Pessoa. Espero que, sim, ao lado daquela que detém meu coração e com a satisfação de que em breve meu cometa venha nos visitar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Ep. 2 - Um plano infalível

 Não demorou muito e precisei deixar a casa dos meus pais. Não sabia para onde ir ou a quem recorrer. Certo era que voltar a morar com eles não seria possível, uma vez que meu "eu do passado" já ocupava aquele espaço físico. Desci as escadas e o relógio já marcava 8:13. Em 4 de setembro, Brasília exibia sua conhecida beleza depois de um longo período de seca. O calor era forte já no início da manhã e o ar estava carregado com fumaça de queimadas. Por outro lado, ipês floridos alegravam o dia. Mas naquele momento, minha única preocupação era em como me segurar por três anos até o fim da missão.


Bloco A da 409 Norte

Caminhei em direção à banca de revistas. De relance, avistei alguns conhecidos que, em 2025, já não mais estavam entre nós. Evitei o contato. Por outro lado, ao passar pelos pilotis do bloco A, um jovem apressado me deu um esbarrão. Negro, de estatura mediana, sorriso marcante e uma mecha branca no cabelo. É claro que o reconheci de imediato. Edgar, vulgo Edgambá ou Neguinho, estava deveras atrasado para sua aula. O diálogo foi rápido:


- Edgar?, perguntei.


Ele não me olhou e disse apenas:


- 'Tô' atrasado.

Edgar e eu em 2020


Edgar sempre foi um grande amigo. Ele é alguns anos mais novo que eu. Quanto éramos crianças, a gente acabava aprontando algumas peripécias juntos. Sempre tínhamos um plano infalível para tudo, seja para ganhar em alguma brincadeira ou apenas para tomar alguns bonecos do Comandos em Ação de outras crianças. Coisas da infância. O fato de sermos tão amigos durante toda vida me fez ter uma ideia. “Oras, vou ficar aqui e esperar Edgar voltar. Ele saberá como me ajudar”, pensei.


Fiquei ali sentado em um dos bancos da quadra. Passei a manhã toda relembrando os planos para que a missão alcançasse sucesso. Aproveitei aquelas horas para lembrar do meu futuro. Deixei Zizou e Amélie aos cuidados de minha namorada. Ela, que apesar de ser contra minha viagem no tempo, me apoiou de imediato devido à causa. Com todo carinho e atenção, recordei-me, ela me disse quando fui designado para a empreitada:


- Se não tivermos por quem ou pelo que lutar, a vida nunca valerá a pena.


Essas palavras não saem da minha cabeça. A missão precisa ser cumprida, mesmo depois de um equívoco meu que a tenha atrasado por três anos.


Já passava das 12h30 quando Edgar retornou. O chamei e, agora, ele parou para conversar comigo. Eu tentei explicar rapidamente quem eu era, mas ele resistia à ideia. Me questionava se eu não era um estelionatário ou um charlatão querendo sua atenção ou um prato de comida. Até que tive uma ideia que mudaria o rumo da prosa. Lembrei de um episódio que vivemos na infância. Episódio esse que confirmou meu apelido de Ninja.


Acho que deveríamos ter entre 12 e 13 anos. Brincávamos no estacionamento entre os blocos D e F. Eu gostava do Jiraiya e, naquele momento, queria ser um ninja. Daí, comecei a espalhar que eu era ninja. Tudo que a gente ia fazer, eu falava que “o ninja tá aqui”. Edgar foi se "emputecendo" com aquilo e em um desses momentos ele apelou. Pegou sua sandália rider e em um movimento rápido a atirou contra meu rosto. A distância entre nós dois não chegava a um metro e meio e mesmo assim consegui me esquivar daquele ataque devido ao meu reflexo de ninja. Outros amigos presenciaram o fato e, assim, meu apelido de Neco Ninja se consolidou.


A partir daí, as coisas mudaram. Edgar, que sempre tinha um plano infalível para tudo, me chamou para subir e almoçar. Só que ele não poderia contar aos pais e irmãos quem eu era. Então, sugeriu que eu mudasse o nome e me tornasse o “instrutor de jiu-jitsu” dele. Ele queria me chamar de Sebastião, mas eu não gostei, apesar de meu avô ser Sebastião. O problema desse nome são suas variações, além, é claro, de ser nome de gente com mais de 70 anos. Entre essas variações, me incomodam Bastião, Tião e Sebá. Edgar concordou e, então, decidimos que eu me chamaria Luke, como o jedi.


Natal de 2019. Zezinho e eu

Subimos e eu já estava com bastante fome. O Zezinho, pai do Edgar, abriu a porta. Logo, reclamou:


- Pô, Edgar, você traz amigos pra cá sem avisar?


Edgar explicou quem eu era e que eu precisaria ficar alguns dias com ele. O Zezinho não se opôs. Homem de grande caráter e coração, logo pediu para eu me sentar e começar a almoçar. Estava tudo caminhando bem, até que em meio a uma conversa descontraída, eu solto uma informação perigosa:


- Então, Faísca, obrigado por tudo isso que está fazendo por mim. Sou muito grato.


Ele parou de comer, olhou para mim e respondeu:


- Você me chamou de que?


Eu não sabia onde colocar a cara. Zezinho tinha um irmão e os dois foram apelidados de Faísca e Fumaça quando jovens. Apelido esse que ele nunca gostou e que pouquíssimas pessoas tinham conhecimento. O clima pesou e ele insistiu no questionamento. Eu me apressei para engolir e pedi licença. Ao sair, pensei comigo: “Pô, tu és burro ou o que? O cara te dá comida e abrigo e você caga tudo”. De volta à estava zero. Na casa do Faísca, ops, Zezinho, já não posso ficar.


Continua...


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Ep. 1 - Um encontro com o passado

O ano é 2025. O país se transformou em um caos absoluto depois que o resultado das eleições não contemplou um dos candidatos. Após o encerramento da votação, pequenos grupos armados insurgiram em diversas partes. Ao que tudo indica, a ação foi orquestrada e planejada com muita cautela anteriormente. Com todas as fragilidades do sistema, o braço forte do Estado ficou ao lado do perdedor das urnas e, com isso, fomos obrigados a resistir. E foi desta maneira que surgiu a Resistência.


Em meio ao caos, essa Resistência reuniu parte da classe trabalhadora – que também saiu dividida do processo – e profissionais liberais de diversos segmentos. Servidores públicos, jornalistas, advogados, escritores, filósofos, cientistas... Todos se viram obrigados a pegar em armas, ao mesmo tempo em que dedicaram seus esforços para combater o que deveria ser combatido. Em resumo, estamos há pouco mais de dois anos nas trincheiras, enfrentado aquele que deveria nos proteger. Mas algo vai mudar... E tudo passa por tecnologia.

Meteoro corta o céu de Goiás em 2022

Em abril de 2022, um meteoro cruzou o céu de Goiás, provocando um clarão e surpreendendo moradores. O que a imprensa não noticiou à época é que parte da rocha interestelar tocou o chão e que o governo a capturou. Esse pedaço do Cosmo trouxe consigo uma substância desconhecida. Cientistas que até então trabalhavam para o governo tiveram acesso ao material, que tinha um aspecto gelatinoso de cor azul petróleo predominante e algumas falhas em branco e preto. Um desses cientistas, que se alinhou à Resistência após ser perseguido junto com sua família, roubou parte da amostra.


Dos estudos com o “alienígena”, conseguiram encontrar uma maneira de quebrar a barreira do espaço/tempo, possibilitando, assim, um teletransporte na linha temporal. Nossos cientistas, então, construíram uma máquina movida pela substância, que de tão poderosa era capaz de colocá-la em funcionamento com apenas uma gotícula. Mas para que tudo ocorresse, não se podia viajar nela apenas uma pessoa. Eram necessárias duas. E para complicar ainda mais o processo, as duas precisavam ter pensamentos e desejos antagônicos ao ponto de não haver qualquer possibilidade de concordância. Era o equilíbrio universal fazendo sua exigência para que o homem pudesse romper essa última barreira do conhecimento.


Sim, a viagem ao tempo se tornou possível, mas com os perigos e as particularidades que uma nova tecnologia oferece.


Como tínhamos alguns prisioneiros sob nossa custódia, poderíamos colocar um plano ousado em prática: evitar que o conservadorismo chegasse ao poder. Com conhecimento histórico e in loco (cresci em Brasília na década de 1990), fui designado para cumprir a missão. Quando nos preparávamos para o início da operação, nossa base foi atacada. Tiros, bombas, lança-chamas... era um caos generalizado. Foi nesse momento que me empurraram para dentro da máquina junto com o adversário. Uma pequena quantidade da matéria alienígena foi rebocada na porta. Nesse momento, tive que apertar rapidamente o dia, o mês e o ano desejado: 04-09-1999. A porta se fecha e na correria e desespero, erro a digitação e clico 04-09-1996.


Barulhos, luzes apagando e acendendo, além de uma turbulência são percebidos. Só quando tudo se acalma, percebo o equívoco na data selecionada. A porta se abre e me deparo com a portaria do Bloco C da 209 Norte, quadra vizinha a que eu morava na década de 1990, a 409 Norte. Meu companheiro de viagem corre assim que a porta se abre e eu, ainda confuso, tento me recompor do que acabara de ocorrer.


Família na década de 1990

Meu primeiro pensamento foi: “errei. Agora, preciso ficar aqui durante três anos para cumprir a missão. Espero que o tempo não me faça esquecer o propósito disso tudo”. Saí devagar da portaria e vi a quadra de esportes em que jogávamos time contra com os amigos da 209. Muitas lembranças saltaram naquele momento.


Era cedo, a madrugada se rompia, dando início a um novo dia. Curioso, caminhei pela calçada entre as árvores de jamelão e manga. Passei pela banca de revistas e cheguei ao estacionamento do prédio em que meus pais moravam. O Bloco F continuava feio, precisando de uma grande reforma, o que ocorreria décadas depois daquele dia. Parei entre as vagas para os carros e olhei para a janela do apartamento 107. Nele, moravam nossos vizinhos que passaram a compor nossa família. Ouvi a voz da Mercedes conversando com o Resende. A luz da cozinha ainda estava acesa. No apartamento de cima, o 207, moravam meus pais.

Eu e meu sobrinho, em 1997

Ainda no estacionamento, procurei o carro do papai – uma Elba em cor azul claro perolado. A encontrei ao lado de outra Elba, uma de cor verde escuro (de propriedade do Resende). Estavam ali, como sempre estiveram durante anos. Me perguntei se poderia subir para ver meus pais. Como, aos 45 anos, eles me reconheceriam? Além disso, como explicar o fato de ser filho deles se na verdade eu estava dentro da casa deles com 16 anos? A minha situação não era boa. Mas, por algum motivo, queria vê-los. Meu pai havia falecido em 2022, quando eu já tinha 42 anos.


Tracei um plano. Comprei flores no comércio da 209 e, assim, simulei uma entrega. Toquei o interfone do apartamento 207. Uma voz muito conhecida atendeu:


- Pronto!, disse a voz da minha mãe.

- Entrega para dona Lázara, respondi.

- Sobe!, ordenou ela.


Eram 32 degraus ao todo divididos em quatro escadas. A cada passo, um pensamento diferente passava pela minha cabeça. Subi devagar e ajeitando o capuz do meu casaco. A porta estava entreaberta. Notei, no canto entre a porta e a parede do corredor, o piso antigo em taco. Eis que a porta se abre:


- Meu filho, o que fazes aqui?, questionou minha mãe.

Nessa hora, fiquei assustado, pois não passava pela minha cabeça que ela me reconheceria.

- Oi, mãe. Vim fazer uma visita. Trouxe flores, afirmei.


Ela me abraçou e me puxou para dentro. Em um dos sofás, meu pai sentado via TV. No outro, meu irmão estava deitado. Minha irmã não estava em casa naquele dia.


Era uma situação estranha, mas curiosa. Eu estava na minha casa, mas não me sentia em casa e estava louco de curiosidade para me ver aos 16 anos. Ao que tudo indica, eu ainda estava dormindo no mesmo quarto que dividia espaço com meu irmão. Mas sem pestanejar, disse que tinha “coisas” novas para eles. Retirei da minha bolsa uma caixa de som (estilo JBL) e comecei a explicar o funcionamento via rede wi-fi. Em 1996, nem computador nós tínhamos em casa. Internet era coisa que havíamos ouvido falar.


- Mas como isso é possível?, questionou meu pai.


Eu não sabia como explicar. Tentava dizer que era uma tecnologia nova, mas que ainda não havia se popularizado. Ao mesmo tempo, queria correr no quarto para me ver. Nas duas tentativas de ida, meu irmão me enxia de novas perguntas e eu não avançava em direção ao corredor que dava acesso ao nosso quarto. Sem muito sucesso, acabei por perceber que estava fugindo ao foco da missão. Por outro lado, pensava como eu ficaria três anos naquele mundo até a data desejada para o cumprimento dessa missão? Bem, com certeza muita coisa há de ocorrer nesse período. Por ora, caberia a mim me reinventar nessa sociedade “ultrapassada” que tanto me deu e me fez ser o que eu sou. E essas aventuras até o grande dia ainda serão contadas. Mas não hoje.



Continua...


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

O Vagão

Andei por horas
Por dias
Por meses
Por anos

Um dia, meu
criador cansou
O fogo pegou
e queimado estou

Ah, seu eu pudesse trilhar
Um novo caminho,
um novo destino
Um novo lugar



segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Sentir e sentir

A gente não pede para sentir
porque o sentir é momentâneo, é espontâneo
Só que no meu sentir, há muito de ti
e eu me pergunto:
É mais fácil sorrir ou agredir?

Assim como numa alvorada
o meu sentir se renova na madrugada
Deixando para trás tudo que
não faz bem, que estraga

Se um dia tu me agredistes, relaxa
depois de uma noite triste, tudo se encaixa
Agora, se preferistes sorrir
Obrigado! Certeza que vou retribuir

Nesse jogo, eu vivo um dia de cada vez
sempre me aventurando e tentando ser feliz
Porque na matéria do coração
eu sou um eterno aprendiz



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A vida é um risco

Sair de uma posição confortável para se arriscar ao desconhecido. Não fosse essa inquietação, essa coragem de desbravar, a humanidade jamais teria chegado até onde estamos nesse momento. A evolução do planeta Terra, e da própria humanidade, pode ser replicada em uma escala menor, dentro de nós mesmos. A nossa vida é um emaranhado de estradas e cabe a cada um de nós escolhermos por qual delas seguir.


Fico a imaginar nosso planetinha em sua origem. Aquela confusão cósmica e cada qual se acotovelando para garantir uma órbita segura e estável. E por quantas e inúmeras vezes nos pegamos dessa mesma forma, galgando espaços em busca de uma situação confortável, seja ela na escola, na faculdade ou na profissão? É um momento de muito atrito, de muitas descobertas e, claro, de muita perseverança.

Depois de garantida essa órbita estável, era hora de olhar para si mesmo. Nosso planeta, então, começa a se resfriar. Milhares e milhares de anos se cuidando e permitindo-se moldar ao ponto de se tornar atraente, habitável. É o que fazemos ali por volta das 30 anos. Já não somos mais crianças e, até essa idade, já vivemos histórias interessantes e de pura formação. Temos, em outras palavras, o couro grosso, o pelo duro. Estamos testados e prontos para algo maior.


A vida, então, passar a ser vida. As maravilhas das cores, dos perfumes e das belezas naturais abrem caminho para a chegada do Amor. O homem passa a transitar confiante entre os seus. A Terra, agora, já tem nome. Não é apenas um planeta, mas está nominada pelos seus habitantes mais sabidos. A maturidade leva à ciência dos atos, à leveza das decisões e também à dureza das responsabilidades. Sim, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo ou aquele que cativas”. É o homem deixando de ser criatura e passando a tomar conta de seus próprios passos.


Segue-se o curso da vida. Você está pronto para entender um pouco mais dos mistérios que cercam nossa existência. A busca constante por respostas o leva a buscas inimagináveis aos seus antepassados. O caminho certo não é mais o horizonte, mas sim as estrelas. E, assim, tu passas a compreender as tuas origens. Entendes todo processo que esse planetinha passou para ter o que de melhor tu podes ter: condições de vida. Então, não a desperdice!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

É tempo de amar

Os dias passam...
A distância aumenta...
Os anos se vão...
Na lógica desse espaço/tempo
O amar ainda não se perdeu não

Palavra simples não é amar
Ao contrário, vira rama.
Rama que brota do peito, da alma
Que busca sem nenhum receio
Pelo que lhe dá combustão: o seu coração.

Mas amar não é ato isolado
Não se ama sozinho
O amar exige transição, doação
Assim como Cristo o fez
Em sua transubstanciação

"O mar vai virar sertão
E o sertão vai virar mar"
"O mundo vai acabar"
Dessas muitas profecias, uma última não poderia faltar:
No tempo certo, eis que voltaremos a nos amar

Ederson Marques



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Madrugada de um pseudo-detetive escritor do futuro

Um stradivarius tem quatro cordas e um som inconfundível. Ele também oferece quatro oportunidades e uma série de lembranças, algumas suaves e outras brutais. Com esse estalo na memória, comecei a rever o Xangô de Baker Street pela madrugada. Em cada cena, lembrei-me dos tempos de faculdade e de cada folha vencida do romance rabiscado por Jô Soares. E sorrisos me acompanhavam com as deduções do então brilhante detetive Sherlock Holmes e as “coisices” do Dr. Watson.

Imaginem que, lá pelas 2 horas da madrugada, eu já começava a tramar aventuras e situações que levassem o detetive britânico a gastar boa parte de seus neurônios para tentar descobrir o que seria meio óbvio aos olhos de um bom brasileiro. E aí os delírios começaram.

Havia uma moça muita bela, cheia de virtudes e destemida, adorada por todos que a cercavam. Essa moça tinha uma voz encantadora, um sorriso largo e falava quatro idiomas fluentemente, o que facilitava sua comunicação em todos os recintos que frequentava. De cabelos lisos, cor de mel, olhos castanhos e pele rosada, não passava despercebida. No entanto, apesar de todas as suas qualidades e beleza, sofria por causa do machismo enraizado na sociedade.

Holmes, galanteador como suponho deveria ser, não pode deixar de se encantar por esta moça logo no primeiro encontro dos dois. O perfume adocicado da bela mulher o deixara tão arrebatado que momentaneamente perdera quatro dos cinco sentidos humanos. Nesta hora, apenas o olfato lhe dominava e o fazia lembrar dos dias quentes em um café às margens do Rio Sena no verão parisiense. A fragrância lhe era familiar, mas o nome lhe fugia à memória toda vez que tentava recordar. Holmes só voltava de seu êxtase quando Watson o cutucava com sua bengala de marfim.

Nesses devaneios, pensei que a tal moça escondia em meio a sua radiante luz um pouco de trevas, que em determinados momentos a dominava. E nesses momentos, a encantadora poderia tramar e executar planos tão mirabolantes que dariam calafrios até mesmo em João Grilo, o maior arquiteto de mentiras que já existiu em terras tupiniquim. Mas quem desconfiaria dela? Quem poderia acusa-la de algo nocivo? Quem teria a audácia de suspeitar de uma criatura?

Eu só consegui pensar em uma pessoa: Dr. Watson. O médico tende a ser, por si só, mais racional e menos propício aos dispersos sentimentos. Apenas Watson suspeitaria que de um corpo tão incrivelmente talhado pelo Criador saltariam forças tão obscuras. Ele também imaginaria que uma pessoa que dominava quatro idiomas tinha intelecto suficiente para ludibriar toda uma sociedade.

Antes de dormir, porém, imaginei algumas boas situações em que esse trio poderia se esbarrar. Sempre tendo a virtuosa moça como a executora de tramas impossíveis de serem descobertas por Holmes, que vivia enfeitiçado pela beleza e cheiro de tal graciosidade. Holmes seria, então, presa fácil. A única solução seria colocar Watson como o salvador de tudo, mesmo que os louros ficassem sob a renomada fama de Holmes. Ainda voltarei a escrever sobre esse trio. Ah, eu volto!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Meias para que te quero


Stormtroopers nas canelas
Faz um tempinho que não escrevo por aqui. Seria cômodo dizer que estou sem tempo, que a vida está uma correria, blá blá blá... A verdade é que estava apenas sem saco mesmo para escrever. Talvez a “imbecilização” e superficialidade do debate estritamente político nas redes sociais tenham tirado meu tesão por escrever algumas linhas. Mas como fugir disso, depois de 17 anos trabalhando com isso? Ah, sei lá!

Gosto de meias. Em especial, meias com estampas. As uso bastante para treinar e isto já é quase uma marca registrada. Os comentários são diversos. Há pessoas que gostam, outras acham exageradas. Fato é que minhas meias nunca passam despercebidas, seja em Brasília ou Curitiba.

Das que eu tenho, gosto bastante de uma cuja estampa é do King Kong. Esta é quase sempre elogiada. Por outro lado, tem uma do Jason que causa reações não muito animadora nos brutos e nas brutas. Eu vou me divertindo com essas reações. Muita gente me pergunta onde compro minhas meias. Oras, compro onde encontro. Feiras, shopping, rua... Sempre aparece uma meia legal no meio do caminho.

Mestre dos mestres
A última preciosidade que comprei é estampada pelo mestre dos mestres do Kung Fu: Bruce Lee. Só de olhar para a meia sinto minhas forças crescerem em uns 10%. É coisa de louco a capacidade psicológica que essas coisas exercem em nós. Se estou bem e me sinto bem, a força vem.

Com esta constatação, acredito que meus recordes pessoais devam crescer nas próximas semanas. Vou anotar todos e volto para publicar cada aumento de PR. Vai ser legal. A Vessel Crossfit que me aguarde nos próximos dias. 

Meias do Motörhead para competir
Esqueci de mencionar que elas me salvam também de vez em quando. Outro dia, esqueci de colocar meias sociais na bolsa de treino. Terminada a ralação, depois do banho, percebi que teria de usar um terno com meias estampadas. Até que não ficou muito feio, mas que o povo não parou de me zoar o dia todo, isso é verdade. O que importa, no fim das contas, é que meias são sempre divertidas e coloridas. Ah, e sobre política... Blá blá blá!!!
Meias dos Beatles em pleno Salão Verde da Câmara

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Quem esse lazarento pensa que é?

Alguns telefonemas e trocas de farpas em grupos de Whatsapp. Assim teve início o contato com esse ucraniano direto, sem frescuras, meses antes da decisão sobre minha vinda para Curitiba. De estatura privilegiada, ele não passa despercebido por onde chega e tem uma vontade de fazer a coisa funcionar tão grande quanto eu tenho. Abro esse humilde espaço para escrever sobre o Juvino Grosco, o maior parceiro que o trabalho no Paraná poderia me arrumar.

Certo dia, em Brasília, eu percebo um cara fazendo uma live atrás da outra na página de um dos nossos clientes. Mando mensagens no grupo pedindo para parar porque o efeito seria ruim sem um planejamento prévio. Segundos depois, recebo uma resposta ríspida e direta: “Vamos continuar fazendo”. Eu expliquei sobre o algoritmo usado pelo Facebook e a resposta seguinte foi ainda mais direta: “Você deveria conhecer mais de Paraná”.

Pouco tempo depois, recebo a notícia de que deveria embarcar para o Paraná e ajudar na campanha do Sérgio Souza. Nosso planejamento era mostrar o que ele tinha feito para centenas de municípios e, então, sobrou para a dupla Ederson/Juvino percorrer boa parte do Estado fazendo entrevistas e imagens. E aí eu pensei: “Caracas, Juvino é complicado, mas vamos lá”. Eu estava totalmente errado. Nada de complicado. Em primeiro lugar, ele conhece esse Paraná como poucas pessoas e, depois, o Paraná o conhece. Em cada município que pisávamos, prefeitos, vice-prefeitos e lideranças nos recebiam de forma carinhosa. Todos conheciam Juvino e demostravam muito respeito por ele. Isso me chamou atenção.

Os dias foram passando e a amizade e o respeito aumentando. Chegou a campanha. Não consegui ajudar Juvino em quase nada. O plano era eu estar na rua com eles, fazendo boa parte das postagens nas redes sociais, mas o trabalho exigiu outra frente de atuação e fiquei na base. De longe, rezava pela segurança deles nas estradas (nem sempre boas e algumas muito perigosas) e me esforçava para atender de imediato qualquer demanda. Incrível a capacidade e dinamismo do Juvino. Ele não deixou nenhuma reunião sem publicação. Algo incrível!

Eu sempre fazia questão de repetir para quem quisesse ouvir, sem medo algum de cometer qualquer injustiça, que Juvino carregou a campanha de rua nas costas. Um trator para trabalhar esse ucraniano que, segundo a Débora Weiller, "tem até olhos azuis".

Terminamos esse processo, meu amigo, e saiba que tens um grande amigo em Brasília que te admira, respeita e não mais vai discutir contigo ao telefone. Até porque tenho certeza de que, assim como eu, você já deve ter a resposta para aquela pergunta que tanto nos fez rir neste processo todo: “Quem esse lazarento pensa que é?”

Obrigado pela amizade da sua família. E que o Gui seja tão foda quanto você, meu velho.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Descamisado: Tem coisas que só acontecem...


Os dias vão passando e as crônicas vão saltando. Poderia escrever sobre várias coisas que ocorreram no fim de semana frio de Curitiba. Do tal do Murph (tô com o corpo doendo até agora, dois dias depois) até a visita rápida da Soraya Lacerda. Mas é melhor eu contar algo inusitado aos meus seis leitores. Sou botafoguense e disso todos vocês já sabem. Conhecem aquela frase? Tem coisas que só acontecem com o Botafogo! Pois bem, ela poderia ser facilmente adaptada a mim.

Era domingo. Me programei para lavar a roupa na lavanderia comum do condomínio que estou morando. Por volta das 14h, subi ao terraço e percebi que não tinha ninguém na frente da danada. Olhei para um lado e depois para o outro, só para ter certeza. Desci correndo e peguei minhas roupas. Subi com sabão em pó e com o amaciante assobiando uma música do Manu Chao. Tudo no esquema!

Abri a boca da bicha e coloquei tudo lá dentro: camisa, short, bermuda, cuecas, meias... Estava salvando minha semana no trabalho e no Kahu Crossfit, afinal precisava de roupas limpas para a semana. Fiz tudo como manda o manual de uso daquela belezura que lava até 10kg. Coisa linda de Deus. Era esperar por volta de duas horas e subir novamente para recolher as cheirosinhas. Pois bem, lá pelas 15h25 meu interfone tocou. Era a síndica:

- Senhor, vi pelas câmeras de segurança que o senhor colocou roupas para lavar, né?

- Sim, coloquei e já estou subindo para retirá-las.

Aí que o bicho pegou. A síndica disse, com voz tensa:

- É que tivemos um probleminha aqui e preciso da sua presença agora.

- Fodeu! Pensei logo. Eu fiz tudo certo. O que poderia dar errado? Subi pelas escadas mesmo. Do primeiro para o sexto andar. Cheguei e encontro uma mulher bufando e com os olhos vermelhos. Até eu ficaria. Um frio danado e tenho de sair de casa para resolver problema de máquina de lavar?

O problema foi o seguinte. O tambor daquela beleza cedeu. A máquina parou e travou a porta. Tentei abrir de qualquer forma, em vão. Só pensava: Que bosta. Com que roupa vou treinar e trabalhar? A síndica informou que o técnico só poderia ir arrumar na terça-feira e que, até lá, minhas roupas ficariam presas na máquina. Desci desolado, desconfiado e só pensando como seria.

Abri o guarda-roupas para ver o estrago. Restaram três cuecas, uma calça jeans, duas camisas sociais e três camisetas, além de duas bermudas de surfista. Ah, o terno ainda estava lá, mas hoje mesmo o levei para a lavanderia. Sábado preciso estar no Rio de Janeiro para um casamento. Espero que até lá eu consiga ter ao menos uma cueca limpa.

Tem coisas que só acontecem com o Botafogo... E comigo!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Curitiba, seja gentil e surpreendente

Não é fácil ou simples deixar o conforto de lado e se aventurar em águas desconhecidas. O novo assusta, causa estranheza e te faz ter novas sensações e sentimentos. Há cinco dias, desembarquei em Curitiba para uma temporada. O frio do clima me recepcionou, mas a famosa frieza do paranaense foi o que mais me causou arrepios.

Com muito orgulho, posso dizer que conheço um pouco desse Brasil. Curitiba é a 21ª capital em que coloco meus pés. Na bagagem, a vontade de desenvolver um bom trabalho e de abrir o leque de possibilidades. E, por isso, a importância de se correr com novas amizades. Nesse quesito, busquei logo a comunidade que tem a mesma vibe que eu: crossfiters.

Já na segunda, fui ao Kahu Crossfit para uma aula experimental. Espaço bacana, aparelhos bacanas, motivação mil... Resultado: uma hora de treino ouvindo apenas a voz do coach. "Como assim? Aqui ninguém conversa, reclama das dores, xinga pelo cansaço..." Foi aí que me toquei da tal frieza do paranaense. Não é exagero. Eles mesmos reconhecem isso. Cheguei a entrar em outro box, mas pela logística do trabalho, me matriculei no Kahu. Foi uma decisão acertada. Explico.

Na terça-feira, retomei o treino às 7h - mesmo horário em que fazia no meu querido Vessel Crossfit, em Brasília. A turma desse horário no Kahu tem muitos iniciantes e, assim, tive mais espaço para conversas e brincadeiras. As amizades, então, começaram a fluir. Flávia, Maria Fernanda, Diego e o Felipe, que já até morou em Brasília. Questionei sobre essa frieza toda e eles riram. Disseram: "Não é porque somos metidos. A gente simplesmente é assim. Você vai entender com o tempo". Eu, dado como sou e cheio de conversas, disse: AMÉM.

Na quarta-feira, já estava no grupo do zapzap da galera. Ainda como um estranho no ninho, mas tentando notar as particularidades de todos, fui seguindo. Pela noite, me chamaram para um barzinho famoso pela pizza e chopp gelado. Como tudo aqui fica perto da minha casa, fui caminhando e voltei de Uber pela segurança. Noite agradável e de amizades consolidadas.

No feriado, o treino me surpreendeu. Marcado para 10h30, às 10h25 éramos apenas o coach, a Quinha e eu. Do nada, como se fossem uma bateria de escola de samba executando o recuo, chegam umas 15 pessoas e a coisa rendeu. Nesse treino específico, vi que o paranaense não é tão frio assim e que a estada aqui será muito agradável e promissora.


São apenas cinco dias de uma nova jornada. Ainda vou percorrer essa terra ao lado do Juvino por algum tempo. Espero que a acolhida que tive no Kahu se repita em outros lugares. Como diria um amigo: "Deus no comando e coragem na cara. O resto acontece".

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sobre chegar e partir

Gosto de escrever. Não me incomoda escrever, ler, reescrever, reler... É um processo criativo e de aperfeiçoamento de uma técnica antiga, que remonta às pinturas rupestres de nossos ancestrais. Esta noite, ainda quando eu cochilava tentando engatar um sono profundo e de descanso, veio-me a lembrança de um poema que surgiu em minha cabeça quando estava sendo zoado por Eduardo e Carolina no carnaval. Aliás, os dois se uniram contra minha pessoa e nem a Renata, sempre solícita, conseguiu sair em minha nobre defesa. Mas essa é outra história.

Ocorre que nesta noite consegui jogar para o papel aquele sentimento. Veja se prestou.

Chegar e partir



Na vida, como na física, existe uma constante que ninguém deve discutir
Existe tempo para tudo, inclusive de chegar e de partir

A gente chega no mundo sem nem mesmo pedir
Corremos para lá e para cá e quando menos se espera, da mesma forma sem pedir, chega a hora dura, a hora de partir

Antes, porém, chegamos e partimos milhares de vezes
E nesse meio termo temos de compreender que o tempo da chegada e da partida é uma questão de escolhas.

Escolhemos visitar uma amigo ou uma amiga, escolhemos não chegar a um compromisso, escolhemos até mesmo a hora de um belo sorrir
Mas se tem uma coisa que não escolhemos é a hora do amor chegar e partir.

O amor, nesse caso, quebra toda lógica da física conhecida. Ele é ousado.
Se não respeita a teoria do espaço/tempo, como vai respeitar a teoria do chegar e do partir?

Independe do homem escolher chegar e partir do coração de uma mulher... e a recíproca é verdadeira.
Porque o amor não enxerga essas "coisices" da ciência exata. Ele é, de fato, inexato, imprevisível.

Tente ter certeza de todas as chegadas e partidas da sua vida. Ora, tem gente que já deixa até casa pronta no cemitério. Não que esteja certo ou errado. É que, nesse caso, é difícil prevenir.

Nos trens de chegadas e de partidas, o que vale no fim é o que se deixa pelo caminho
Amor, dedicação, carinho, solidariedade, paixão, tesão... Palavras boas do português nós temos de monte que nos fazem sorrir
Mas se tem duas delas que me encucam, são as que não me canso de repetir: chegar e partir.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Quase 7 mil dias de saudade

Demorei alguns dias para começar esse relato. Pouco dias, na verdade, se comparado aos milhares de dias que demoramos para nos rever. Tentando pensar em exatidão, algo perto de 6.948 dias. Em anos, 19. A expectativa e ansiedade eram enormes, desde o dia em que confirmei minha ida a São Paulo. Carolina Ferrucci Monção, chegou a hora de você ser minha personagem neste humilde espaço.

Se você, leitor, tivesse que descrever uma pessoa e tivesse que fazer isso com apenas uma palavra, como seria? Me fiz essa pergunta depois que retornei para casa. No caso da Carol, seria uma covardia ter que limitar todas as suas virtudes em uma única palavra. Nem o poeta mais refinado conseguiria fazê-lo. Sucede-se o relato, então, de tudo isso em centenas, talvez milhares de palavras.

Nunca tinha imaginado sentir o que senti. Ainda em Brasília, ela me alertou sobre aterrissar em Congonhas: “fique de olho o quanto o avião passa perto dos prédios”. Realmente, é algo diferente e emocionante. Antes de pegar minha mala, ao melhor estilo Carol, ela mandou a seguinte mensagem:


E saí rumo à Pizza Hut, passando entre pessoas que se espremiam no desembarque doméstico. Na minha cabeça, esperaria por ali uns 15 minutos. Eis que sinto um toque no ombro e ao me virar, vejo uma pessoa sorridente, de abraço fácil e carinhoso, a dizer: Oiê! Ela já estava lá e armou essa para mim. Como negar um abraço? Irresistível! Sim, 19 anos depois e pude sentir novamente esse abraço aconchegante e cheio de amor.

Claro que os dias que sucederam foram incríveis e tenho a comentar pouco sobre eles por aqui. Seria um texto muito longo. Vale a pena comentar dois episódios. Talvez, três. O primeiro é que ganhei uma lasanha de boas-vindas. Nham, nham!!! Carol se uniu a doce e meiga amiga Andreza e fizeram uma delícia dessa, harmonizada com um bom vinho verde e regrada a boas lembranças e novas histórias. Se o mundo acabasse naquela hora, não ia achar ruim não. Afinal, a Carol é simplesmente surpreendente.

Andamos muito. Nossa, como andamos naqueles dias. Ela mostrou disposição de atleta olímpico. Me levou a "tudo que tuá" com tanta empolgação que não poderia negar-lhe um sorriso a cada minuto. E sorrimos muitas vezes, gargalhamos outras tantas e brincamos demais com a vida. E ainda teve o Tico e o Fubá, dois gatos malandrinhos que gostam de quem gostam deles. E, claro, eu gosto muito de animais e vocês já sabem disso. Então, o Fubá até ensaiou uma soneca comigo uma vez. Se Zizou ou Amélie sonham com isso, estou frito.

Todo dia era sempre o mesmo sorriso. O cansaço só nos vencia na hora de ver filmes. Era cada “pescada” no meio da trama... E no último dia, com toda dedicação e animação (não sei de onde ela tira tanta animação assim), Carol me levou para dar uma volta na Avenida Paulista, que ESTAVA ABERTA naquele dia. Bandas de rock, emos, nemos, ciclistas, equilibristas, altruístas, masoquistas, sadistas e tudo que você puder imaginar estava por lá. Uma vida vivida de forma bem vivida.

Ah, Carol! Ah, Carol! Só posso agradecer por tudo isso que você é. Não consigo explicar tudo isso. Depois de 19 anos, a amizade nunca mudou. Aquela quinta-feira, no aeroporto de Congonhas, parecia ser apenas o dia seguinte ao último dia que te vi aqui em Brasília. O B1 e o B2 vestidos com a camisa da Legião Urbana arrebentam desde a década de 1990. Que mais e mais anos nos acompanhem para todo o sempre. Obrigado, Carol ou Nega. Obrigado por ser sempre assim: você. Ah, e se me permite descrevê-la em uma única palavra, ouso escrever: “AMOR”. Se cuida, mas nem tanto!

Carol com Tico e eu com Fubá


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Teclar ou falar? Uma decisão a ser vivida

As pessoas, apesar de acharem que estão mais próximas por conta das novas tecnologias e redes sociais, estão se distanciando. Não digo isso sem antes ter feito uma análise do momento vivido pela população brasileira. Hoje, as pessoas não conversam mais. Quase tudo, seja no trabalho ou no seio familiar, é tratado via WhatsApp. Ou seja, é teclado e não falado. Estou errado?

Eu, em particular, participo de 45 grupos só de trabalho. Tenho mais uns cinco entre amigos e mais um da família. São mais de 50 telas piscando o dia todo, o que me gera mais de 1 mil mensagens por dia para serem lidas e, quiçá, respondidas. Isto me tirou o prazer em teclar pelo celular e gerou preguiça em me comunicar via mensagens de texto.

Pela noite, como sempre, me veio a inspiração de um poema que trata sobre o tema. Poema, esse, que será publicado em uma coletânea de poemas editada pelo amigo Evan do Carmo. Agradeço de antemão o espaço. Leia a seguir e me diga se você gostou.

Teclar ou falar?

Ei, psiu!
Eu resolvi lhe falar
Pois o teclar já não é mais parte do meu gostar

Teclar é frio, é vazio
E muitas vezes gera confusão
O falar, não!
Ele é quente e alegre
E na maioria das vezes acalenta o coração

Falar não é para qualquer um
Porque como já nos foi ensinado: "a boca fala do que o coração está cheio"
Já o teclar, não!
Ele esconde intenções e acaba por abafar os sentimentos dos corações

O teclar é moderno, o falar é tradição
E entre o teclar e o falar, escolho o falar, mesmo que te ocupe a audição

E sobre o falar, vai uma última observação:
Não adianta mandar áudio, tem de telefonar.
Porque no áudio botamos edição e já no telefonar, botamos o coração.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Em busca de mim mesmo

Tenho certeza que você já passou por isso. E se não passou, talvez pela sua pouca idade, ainda passará. Chega um momento que tudo parece simplesmente parar. Sim. Parar. Chegamos a um ponto que a tudo questionamos: trabalho, profissão, religião, vida... Será que fiz certo até aqui? Quais as possibilidades daqui para frente? Alguns chamam isso de crise dos 30, dos 35, dos 40... E por aí vai. Eu simplesmente chamo a isso de “busca do autoconhecimento”. E é nessa hora que você prova você mesmo.


Eu pensava estar com a vida encaminhada, como dizem e esperam sempre meus pais. Formado, pós-graduado, empresário com contratos razoáveis, casado com uma bela mulher e bons amigos ao redor. Estava com 36 anos de idade e, o normal naquele momento, era buscar apenas maior conforto para o resto da vida. Tudo parecia “encaminhado”. Mas as coisas mudaram rapidamente. E absurdamente rápidas.

A primeira coisa a desandar foi os contratos que meu sócio e eu tínhamos. Os atrasos repentinos nos pagamentos inviabilizaram outros projetos que tentávamos fazer andar. Demitimos funcionários e nos viramos como dava. A grana ficou bem curta. Em seguida, veio minha separação. Essa, sim, me jogou no chão. Não esperava. Simplesmente aconteceu de uma maneira também rápida. Não desejo isso para ninguém. “Ninguém nunca está preparado para isso, Dengo. E ninguém sai ileso de uma separação”, me disse, à época, um grande amigo e irmão.

A partir daí, os dias já não mais eram vividos, apenas passavam de maneira sem graça. As pessoas perguntavam a todo o momento o que estava acontecendo. Eu evitava esse tipo de conversa, sempre. Deixei de frequentar festas de família, casamentos de amigos e até encontros em barzinhos. Era tudo muito sem graça. Mas, por outro lado, era forte em tentar retomar um rumo. Virei cozinheiro, pintor, faxineiro... Fiz boas novas amizades. Reencontrei antigas amizades. Passei meu aniversário bem longe de casa. Voltei a estudar. Adotei uma nova cachorrinha para fazer companhia ao Zizou. Amélie foi um grande acerto nesse período.

Mesmo assim, as coisas ainda se arrastavam. Então procurei me aventurar. Comecei a correr todo dia. O tempo agora era meu grande desafio. Os 6km deveriam ser vencidos em menos de 30 minutos. Perdi 19kg. Isso foi bom. Depois, fui praticar SUP. Todo fim de semana, por uma hora e meia, a solidão das remadas no Lago Paranoá me ajudavam a meditar e repensar a vida. Em seguida, peguei o skate do meu sobrinho emprestado e retomei essa prática. Caí algumas vezes, mas nada grave. Essas coisas me ajudaram a ocupar o tempo e voltar a ter algum prazer. Mas, mesmo assim, precisava de algo mais. Então, decidi saltar de paraquedas. Sim, loucura e vontade de sentir a vida. Foi incrível e com certeza voltarei a fazer.


Hoje, mais de um ano depois de “startado” todo esse processo, ainda me encontro em busca do eixo que talvez eu nunca tive na vida. Os planos pipocam em minha cabeça. De fazer cursos de paraquedismo e mergulho, até deixar o Brasil por um período. Não sei ao certo o que vem por aí. Mas vou me permitir viver “um dia de cada vez”, sem pressa e sem medos. Talvez seja minha crise dos 37 (hehehe), mas não acredito nisso. Depois de pensar estar com a vida encaminhada, hoje sinto algo muito parecido com o que sentia no momento em que precisava decidir qual curso fazer depois do extinto 2º Grau. Com uma grande diferença. Hoje sou muito mais preparado para encarar os desafios que hão de chegar e também mais maduro para planejar e executar bons planos. 

Se os dias continuam passando ou sendo vividos? Ah, ainda não tenho resposta para essa pergunta. Mas o tempo – senhor de tudo que existiu, existe e existirá – me responderá no momento certo. E que assim seja.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Merci beaucoup, ZAZ!

Algumas vezes, mesmo para quem tem por ofício a escrita, descrever algo ou simplesmente narrar um acontecimento se torna penoso. Isso porque se corre o risco de não ser fiel ao fato, de não conseguir passar ao leitor aquilo que realmente ocorreu em determinado tempo/espaço da história. Pois bem, mesmo com esse temor em mente, vou tentar aqui passar um pouco do que foi ZAZ por Brasília.


Para quem não sabe, ZAZ é uma talentosa cantora francesa que hoje espalha doçura e alegria por meio de seus sorrisos, gritos e ritmos por onde passa. Demorou anos, mas finalmente uma turnê dela veio bater em nossa capital. Como não poderia deixar de ser, comprei o ingresso com meses de antecedência. O que não adiantou muito, pois o show foi meio esvaziado. Fato que não poderia ter ocorrido, pois ZAZ merece público de Maracanã em seus melhores dias. Sem o majestoso e lendário estádio, coube à pacata casa de shows Net Live Brasília tamanha honraria.

O local não ajudou muito. Logo na entrada comentei com Veruchka e Gabriel: “ZAZ no Brasil é como Sidney Magal na Europa. Só vai quem conhece”. E é uma verdade. A plateia contou com a comunidade francesa em Brasília e brasileiros como eu, que conhecem um pouco e gostam da cultura francesa. Talvez tenha sido melhor, pois o ar-condicionado do local não suportou o público e o calor tomou conta. Realmente, ZAZ merecia algo melhor. No entanto, em Brasília, hoje, não temos boas casas para espetáculos. Fica o registro.

Se por um lado a casa decepcionou, por outro a cantora compensou. “La fée” (A fada) foi a primeira canção. Com arranjos novos, se comparado à gravação do CD, a música encantou como cartão de visitas. Lindo desempenho da bela moça que corria e gritava pelo palco com seu vestidinho colorido. Para cativar o público, ZAZ se arriscou no idioma de Camões. Boa noite Brasília! Gosto sempre que um artista internacional tenta agradar o público com gestos como esse. Sei lá. É algo que me faz pensar: “Legal! Ela se interessou por nós”.

Mas, sem graça e meio tímida, logo retomou o francês. Perguntou quantos da plateia falavam francês. Pediu para que levantassem a mão. Uma galera! Eu nem me arrisquei. Fiquei quietinho na minha, como um bom menino de Alexânia ao entrar numa loja de cristais. Fiquei encantado assim que ela se retirou do palco e o telão atrás começou a rodar imagens dela cantando “Si jamais j’oublie” (Se eu me esquecer). É uma das músicas mais bonitas. Fala exatamente do amor dela pela música, pelos gritos e pelo canto. Fantástica!

O mais divertido do show foi ver minha sobrinha Isadora com as amigas e amigos do colégio. Era uma alegria só. Ah, e ver Veruchka gravar várias partes do show também foi divertido. Eu sempre acho que tem coisas que devemos ver e guardar. Esse show era uma dessas coisas. Foi lindo! Mas tenho de agradecer de antemão essa ousadia da Veru. Agora tenho boas lembranças desse dia. :)


Como não poderia deixar de ser, o momento mais aclamado da noite foi quando ZAZ mandou “Je veux” (Eu quero). Nessa hora, parecia que todo mundo sabia a música. Até eu arrisquei cantar alguns pedaços. Mesmo que baixinho. Hehehe Para encerrar a noite, “On ira” (Nós iremos). Nessa hora, Isadora já estava bem cansadinha e saímos antes do Au revoir!

Cara, foi uma noite para ser lembrada. Quem não foi, perdeu. Ou não. O gosto é algo sempre discutível. Mas para mim, foi um belo show. Valeu a grana empenhada, a chuva de leve na entrada e a chegada tarde em casa. Tudo recompensado pela bela voz e talento de ZAZ, essa menina que já é grande e será ainda gigante. Que noite, amigos. ZAZ, merci beaucoup!

OBS: O trompetista da ZAZ é um capítulo à parte. Talvez um dia escreva sobre...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Tem como aumentar para 36 horas?


Impressiona o passar dos dias. Talvez pelas obrigações diárias e cobranças eternas de tudo e todos, já não consigo mencionar o tempo como algo que passa devagar, sem pressa. Para falar a verdade, sinto necessidade de mais tempo a todo instante. Quem dera os dias passassem a ter 36 horas e não mais as 24 horas. São muitos afazeres inadiáveis, além dos momentos que precisamos arrumar para lazer, visitar amigos, família e cuidar da casa.

Minha casa, inclusive, tem sido um lugar aonde só vou para dormir. Esta semana retomei o almoço em casa. Custe o que custar, vou fazer meu almoço e ficar com meus dois cachorrinhos por pelo menos uma hora. Hoje deu muito certo. Claro que a correria foi inevitável. Isso porque, antes de mais nada, tive de comprar frutas, legumes e hortaliças. Cheguei a minha casa e coloquei roupa para lavar enquanto lavava os alimentos.

O tempo, de Salvador Dalí

Aproveitei o meio tempo para descer com Zizou e Amélie. No retorno, a batata já estava quase cozida e era hora de secar a alface. Em seguida, temperei o peito de frango e cortei tomates e cebola. Arrumei a rúcula e preparei o prato das hortaliças. Ficou até bonito. Com a batata cozida, passei o peito frango e arrumei tudo no prato. Não fiz foto, mas confesso que tive orgulho. Retomar a alimentação em casa é qualidade de vida.


Almocei com prazer, escutando notícias sobre a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e outros temas. Logo, escutei o barulho da máquina encerrando as atividades. Hora de colocar a roupa para secar. Uma hora e meia de almoço e uma vida resolvida. Acho que o tempo bem aproveitado torna-se leve e prazeroso. Hora de voltar ao trabalho. A noite ainda tem a corrida diária para fazer, roupa para passar, dever de casa das aulas de francês e descida com os cachorros. É... a ideia das 36 horas diárias me cairia bem nesta etapa da vida.

Da obra vermelha para o vermelho da vergonha

Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo. Nessas andanças pelo Brasil, deparei-me novamente com a bela Belo H...