segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Quem esse lazarento pensa que é?

Alguns telefonemas e trocas de farpas em grupos de Whatsapp. Assim teve início o contato com esse ucraniano direto, sem frescuras, meses antes da decisão sobre minha vinda para Curitiba. De estatura privilegiada, ele não passa despercebido por onde chega e tem uma vontade de fazer a coisa funcionar tão grande quanto eu tenho. Abro esse humilde espaço para escrever sobre o Juvino Grosco, o maior parceiro que o trabalho no Paraná poderia me arrumar.

Certo dia, em Brasília, eu percebo um cara fazendo uma live atrás da outra na página de um dos nossos clientes. Mando mensagens no grupo pedindo para parar porque o efeito seria ruim sem um planejamento prévio. Segundos depois, recebo uma resposta ríspida e direta: “Vamos continuar fazendo”. Eu expliquei sobre o algoritmo usado pelo Facebook e a resposta seguinte foi ainda mais direta: “Você deveria conhecer mais de Paraná”.

Pouco tempo depois, recebo a notícia de que deveria embarcar para o Paraná e ajudar na campanha do Sérgio Souza. Nosso planejamento era mostrar o que ele tinha feito para centenas de municípios e, então, sobrou para a dupla Ederson/Juvino percorrer boa parte do Estado fazendo entrevistas e imagens. E aí eu pensei: “Caracas, Juvino é complicado, mas vamos lá”. Eu estava totalmente errado. Nada de complicado. Em primeiro lugar, ele conhece esse Paraná como poucas pessoas e, depois, o Paraná o conhece. Em cada município que pisávamos, prefeitos, vice-prefeitos e lideranças nos recebiam de forma carinhosa. Todos conheciam Juvino e demostravam muito respeito por ele. Isso me chamou atenção.

Os dias foram passando e a amizade e o respeito aumentando. Chegou a campanha. Não consegui ajudar Juvino em quase nada. O plano era eu estar na rua com eles, fazendo boa parte das postagens nas redes sociais, mas o trabalho exigiu outra frente de atuação e fiquei na base. De longe, rezava pela segurança deles nas estradas (nem sempre boas e algumas muito perigosas) e me esforçava para atender de imediato qualquer demanda. Incrível a capacidade e dinamismo do Juvino. Ele não deixou nenhuma reunião sem publicação. Algo incrível!

Eu sempre fazia questão de repetir para quem quisesse ouvir, sem medo algum de cometer qualquer injustiça, que Juvino carregou a campanha de rua nas costas. Um trator para trabalhar esse ucraniano que, segundo a Débora Weiller, "tem até olhos azuis".

Terminamos esse processo, meu amigo, e saiba que tens um grande amigo em Brasília que te admira, respeita e não mais vai discutir contigo ao telefone. Até porque tenho certeza de que, assim como eu, você já deve ter a resposta para aquela pergunta que tanto nos fez rir neste processo todo: “Quem esse lazarento pensa que é?”

Obrigado pela amizade da sua família. E que o Gui seja tão foda quanto você, meu velho.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Descamisado: Tem coisas que só acontecem...


Os dias vão passando e as crônicas vão saltando. Poderia escrever sobre várias coisas que ocorreram no fim de semana frio de Curitiba. Do tal do Murph (tô com o corpo doendo até agora, dois dias depois) até a visita rápida da Soraya Lacerda. Mas é melhor eu contar algo inusitado aos meus seis leitores. Sou botafoguense e disso todos vocês já sabem. Conhecem aquela frase? Tem coisas que só acontecem com o Botafogo! Pois bem, ela poderia ser facilmente adaptada a mim.

Era domingo. Me programei para lavar a roupa na lavanderia comum do condomínio que estou morando. Por volta das 14h, subi ao terraço e percebi que não tinha ninguém na frente da danada. Olhei para um lado e depois para o outro, só para ter certeza. Desci correndo e peguei minhas roupas. Subi com sabão em pó e com o amaciante assobiando uma música do Manu Chao. Tudo no esquema!

Abri a boca da bicha e coloquei tudo lá dentro: camisa, short, bermuda, cuecas, meias... Estava salvando minha semana no trabalho e no Kahu Crossfit, afinal precisava de roupas limpas para a semana. Fiz tudo como manda o manual de uso daquela belezura que lava até 10kg. Coisa linda de Deus. Era esperar por volta de duas horas e subir novamente para recolher as cheirosinhas. Pois bem, lá pelas 15h25 meu interfone tocou. Era a síndica:

- Senhor, vi pelas câmeras de segurança que o senhor colocou roupas para lavar, né?

- Sim, coloquei e já estou subindo para retirá-las.

Aí que o bicho pegou. A síndica disse, com voz tensa:

- É que tivemos um probleminha aqui e preciso da sua presença agora.

- Fodeu! Pensei logo. Eu fiz tudo certo. O que poderia dar errado? Subi pelas escadas mesmo. Do primeiro para o sexto andar. Cheguei e encontro uma mulher bufando e com os olhos vermelhos. Até eu ficaria. Um frio danado e tenho de sair de casa para resolver problema de máquina de lavar?

O problema foi o seguinte. O tambor daquela beleza cedeu. A máquina parou e travou a porta. Tentei abrir de qualquer forma, em vão. Só pensava: Que bosta. Com que roupa vou treinar e trabalhar? A síndica informou que o técnico só poderia ir arrumar na terça-feira e que, até lá, minhas roupas ficariam presas na máquina. Desci desolado, desconfiado e só pensando como seria.

Abri o guarda-roupas para ver o estrago. Restaram três cuecas, uma calça jeans, duas camisas sociais e três camisetas, além de duas bermudas de surfista. Ah, o terno ainda estava lá, mas hoje mesmo o levei para a lavanderia. Sábado preciso estar no Rio de Janeiro para um casamento. Espero que até lá eu consiga ter ao menos uma cueca limpa.

Tem coisas que só acontecem com o Botafogo... E comigo!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Curitiba, seja gentil e surpreendente

Não é fácil ou simples deixar o conforto de lado e se aventurar em águas desconhecidas. O novo assusta, causa estranheza e te faz ter novas sensações e sentimentos. Há cinco dias, desembarquei em Curitiba para uma temporada. O frio do clima me recepcionou, mas a famosa frieza do paranaense foi o que mais me causou arrepios.

Com muito orgulho, posso dizer que conheço um pouco desse Brasil. Curitiba é a 21ª capital em que coloco meus pés. Na bagagem, a vontade de desenvolver um bom trabalho e de abrir o leque de possibilidades. E, por isso, a importância de se correr com novas amizades. Nesse quesito, busquei logo a comunidade que tem a mesma vibe que eu: crossfiters.

Já na segunda, fui ao Kahu Crossfit para uma aula experimental. Espaço bacana, aparelhos bacanas, motivação mil... Resultado: uma hora de treino ouvindo apenas a voz do coach. "Como assim? Aqui ninguém conversa, reclama das dores, xinga pelo cansaço..." Foi aí que me toquei da tal frieza do paranaense. Não é exagero. Eles mesmos reconhecem isso. Cheguei a entrar em outro box, mas pela logística do trabalho, me matriculei no Kahu. Foi uma decisão acertada. Explico.

Na terça-feira, retomei o treino às 7h - mesmo horário em que fazia no meu querido Vessel Crossfit, em Brasília. A turma desse horário no Kahu tem muitos iniciantes e, assim, tive mais espaço para conversas e brincadeiras. As amizades, então, começaram a fluir. Flávia, Maria Fernanda, Diego e o Felipe, que já até morou em Brasília. Questionei sobre essa frieza toda e eles riram. Disseram: "Não é porque somos metidos. A gente simplesmente é assim. Você vai entender com o tempo". Eu, dado como sou e cheio de conversas, disse: AMÉM.

Na quarta-feira, já estava no grupo do zapzap da galera. Ainda como um estranho no ninho, mas tentando notar as particularidades de todos, fui seguindo. Pela noite, me chamaram para um barzinho famoso pela pizza e chopp gelado. Como tudo aqui fica perto da minha casa, fui caminhando e voltei de Uber pela segurança. Noite agradável e de amizades consolidadas.

No feriado, o treino me surpreendeu. Marcado para 10h30, às 10h25 éramos apenas o coach, a Quinha e eu. Do nada, como se fossem uma bateria de escola de samba executando o recuo, chegam umas 15 pessoas e a coisa rendeu. Nesse treino específico, vi que o paranaense não é tão frio assim e que a estada aqui será muito agradável e promissora.


São apenas cinco dias de uma nova jornada. Ainda vou percorrer essa terra ao lado do Juvino por algum tempo. Espero que a acolhida que tive no Kahu se repita em outros lugares. Como diria um amigo: "Deus no comando e coragem na cara. O resto acontece".

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sobre chegar e partir

Gosto de escrever. Não me incomoda escrever, ler, reescrever, reler... É um processo criativo e de aperfeiçoamento de uma técnica antiga, que remonta às pinturas rupestres de nossos ancestrais. Esta noite, ainda quando eu cochilava tentando engatar um sono profundo e de descanso, veio-me a lembrança de um poema que surgiu em minha cabeça quando estava sendo zoado por Eduardo e Carolina no carnaval. Aliás, os dois se uniram contra minha pessoa e nem a Renata, sempre solícita, conseguiu sair em minha nobre defesa. Mas essa é outra história.

Ocorre que nesta noite consegui jogar para o papel aquele sentimento. Veja se prestou.

Chegar e partir



Na vida, como na física, existe uma constante que ninguém deve discutir
Existe tempo para tudo, inclusive de chegar e de partir

A gente chega no mundo sem nem mesmo pedir
Corremos para lá e para cá e quando menos se espera, da mesma forma sem pedir, chega a hora dura, a hora de partir

Antes, porém, chegamos e partimos milhares de vezes
E nesse meio termo temos de compreender que o tempo da chegada e da partida é uma questão de escolhas.

Escolhemos visitar uma amigo ou uma amiga, escolhemos não chegar a um compromisso, escolhemos até mesmo a hora de um belo sorrir
Mas se tem uma coisa que não escolhemos é a hora do amor chegar e partir.

O amor, nesse caso, quebra toda lógica da física conhecida. Ele é ousado.
Se não respeita a teoria do espaço/tempo, como vai respeitar a teoria do chegar e do partir?

Independe do homem escolher chegar e partir do coração de uma mulher... e a recíproca é verdadeira.
Porque o amor não enxerga essas "coisices" da ciência exata. Ele é, de fato, inexato, imprevisível.

Tente ter certeza de todas as chegadas e partidas da sua vida. Ora, tem gente que já deixa até casa pronta no cemitério. Não que esteja certo ou errado. É que, nesse caso, é difícil prevenir.

Nos trens de chegadas e de partidas, o que vale no fim é o que se deixa pelo caminho
Amor, dedicação, carinho, solidariedade, paixão, tesão... Palavras boas do português nós temos de monte que nos fazem sorrir
Mas se tem duas delas que me encucam, são as que não me canso de repetir: chegar e partir.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Quase 7 mil dias de saudade

Demorei alguns dias para começar esse relato. Pouco dias, na verdade, se comparado aos milhares de dias que demoramos para nos rever. Tentando pensar em exatidão, algo perto de 6.948 dias. Em anos, 19. A expectativa e ansiedade eram enormes, desde o dia em que confirmei minha ida a São Paulo. Carolina Ferrucci Monção, chegou a hora de você ser minha personagem neste humilde espaço.

Se você, leitor, tivesse que descrever uma pessoa e tivesse que fazer isso com apenas uma palavra, como seria? Me fiz essa pergunta depois que retornei para casa. No caso da Carol, seria uma covardia ter que limitar todas as suas virtudes em uma única palavra. Nem o poeta mais refinado conseguiria fazê-lo. Sucede-se o relato, então, de tudo isso em centenas, talvez milhares de palavras.

Nunca tinha imaginado sentir o que senti. Ainda em Brasília, ela me alertou sobre aterrissar em Congonhas: “fique de olho o quanto o avião passa perto dos prédios”. Realmente, é algo diferente e emocionante. Antes de pegar minha mala, ao melhor estilo Carol, ela mandou a seguinte mensagem:


E saí rumo à Pizza Hut, passando entre pessoas que se espremiam no desembarque doméstico. Na minha cabeça, esperaria por ali uns 15 minutos. Eis que sinto um toque no ombro e ao me virar, vejo uma pessoa sorridente, de abraço fácil e carinhoso, a dizer: Oiê! Ela já estava lá e armou essa para mim. Como negar um abraço? Irresistível! Sim, 19 anos depois e pude sentir novamente esse abraço aconchegante e cheio de amor.

Claro que os dias que sucederam foram incríveis e tenho a comentar pouco sobre eles por aqui. Seria um texto muito longo. Vale a pena comentar dois episódios. Talvez, três. O primeiro é que ganhei uma lasanha de boas-vindas. Nham, nham!!! Carol se uniu a doce e meiga amiga Andreza e fizeram uma delícia dessa, harmonizada com um bom vinho verde e regrada a boas lembranças e novas histórias. Se o mundo acabasse naquela hora, não ia achar ruim não. Afinal, a Carol é simplesmente surpreendente.

Andamos muito. Nossa, como andamos naqueles dias. Ela mostrou disposição de atleta olímpico. Me levou a "tudo que tuá" com tanta empolgação que não poderia negar-lhe um sorriso a cada minuto. E sorrimos muitas vezes, gargalhamos outras tantas e brincamos demais com a vida. E ainda teve o Tico e o Fubá, dois gatos malandrinhos que gostam de quem gostam deles. E, claro, eu gosto muito de animais e vocês já sabem disso. Então, o Fubá até ensaiou uma soneca comigo uma vez. Se Zizou ou Amélie sonham com isso, estou frito.

Todo dia era sempre o mesmo sorriso. O cansaço só nos vencia na hora de ver filmes. Era cada “pescada” no meio da trama... E no último dia, com toda dedicação e animação (não sei de onde ela tira tanta animação assim), Carol me levou para dar uma volta na Avenida Paulista, que ESTAVA ABERTA naquele dia. Bandas de rock, emos, nemos, ciclistas, equilibristas, altruístas, masoquistas, sadistas e tudo que você puder imaginar estava por lá. Uma vida vivida de forma bem vivida.

Ah, Carol! Ah, Carol! Só posso agradecer por tudo isso que você é. Não consigo explicar tudo isso. Depois de 19 anos, a amizade nunca mudou. Aquela quinta-feira, no aeroporto de Congonhas, parecia ser apenas o dia seguinte ao último dia que te vi aqui em Brasília. O B1 e o B2 vestidos com a camisa da Legião Urbana arrebentam desde a década de 1990. Que mais e mais anos nos acompanhem para todo o sempre. Obrigado, Carol ou Nega. Obrigado por ser sempre assim: você. Ah, e se me permite descrevê-la em uma única palavra, ouso escrever: “AMOR”. Se cuida, mas nem tanto!

Carol com Tico e eu com Fubá


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Teclar ou falar? Uma decisão a ser vivida

As pessoas, apesar de acharem que estão mais próximas por conta das novas tecnologias e redes sociais, estão se distanciando. Não digo isso sem antes ter feito uma análise do momento vivido pela população brasileira. Hoje, as pessoas não conversam mais. Quase tudo, seja no trabalho ou no seio familiar, é tratado via WhatsApp. Ou seja, é teclado e não falado. Estou errado?

Eu, em particular, participo de 45 grupos só de trabalho. Tenho mais uns cinco entre amigos e mais um da família. São mais de 50 telas piscando o dia todo, o que me gera mais de 1 mil mensagens por dia para serem lidas e, quiçá, respondidas. Isto me tirou o prazer em teclar pelo celular e gerou preguiça em me comunicar via mensagens de texto.

Pela noite, como sempre, me veio a inspiração de um poema que trata sobre o tema. Poema, esse, que será publicado em uma coletânea de poemas editada pelo amigo Evan do Carmo. Agradeço de antemão o espaço. Leia a seguir e me diga se você gostou.

Teclar ou falar?

Ei, psiu!
Eu resolvi lhe falar
Pois o teclar já não é mais parte do meu gostar

Teclar é frio, é vazio
E muitas vezes gera confusão
O falar, não!
Ele é quente e alegre
E na maioria das vezes acalenta o coração

Falar não é para qualquer um
Porque como já nos foi ensinado: "a boca fala do que o coração está cheio"
Já o teclar, não!
Ele esconde intenções e acaba por abafar os sentimentos dos corações

O teclar é moderno, o falar é tradição
E entre o teclar e o falar, escolho o falar, mesmo que te ocupe a audição

E sobre o falar, vai uma última observação:
Não adianta mandar áudio, tem de telefonar.
Porque no áudio botamos edição e já no telefonar, botamos o coração.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Em busca de mim mesmo

Tenho certeza que você já passou por isso. E se não passou, talvez pela sua pouca idade, ainda passará. Chega um momento que tudo parece simplesmente parar. Sim. Parar. Chegamos a um ponto que a tudo questionamos: trabalho, profissão, religião, vida... Será que fiz certo até aqui? Quais as possibilidades daqui para frente? Alguns chamam isso de crise dos 30, dos 35, dos 40... E por aí vai. Eu simplesmente chamo a isso de “busca do autoconhecimento”. E é nessa hora que você prova você mesmo.


Eu pensava estar com a vida encaminhada, como dizem e esperam sempre meus pais. Formado, pós-graduado, empresário com contratos razoáveis, casado com uma bela mulher e bons amigos ao redor. Estava com 36 anos de idade e, o normal naquele momento, era buscar apenas maior conforto para o resto da vida. Tudo parecia “encaminhado”. Mas as coisas mudaram rapidamente. E absurdamente rápidas.

A primeira coisa a desandar foi os contratos que meu sócio e eu tínhamos. Os atrasos repentinos nos pagamentos inviabilizaram outros projetos que tentávamos fazer andar. Demitimos funcionários e nos viramos como dava. A grana ficou bem curta. Em seguida, veio minha separação. Essa, sim, me jogou no chão. Não esperava. Simplesmente aconteceu de uma maneira também rápida. Não desejo isso para ninguém. “Ninguém nunca está preparado para isso, Dengo. E ninguém sai ileso de uma separação”, me disse, à época, um grande amigo e irmão.

A partir daí, os dias já não mais eram vividos, apenas passavam de maneira sem graça. As pessoas perguntavam a todo o momento o que estava acontecendo. Eu evitava esse tipo de conversa, sempre. Deixei de frequentar festas de família, casamentos de amigos e até encontros em barzinhos. Era tudo muito sem graça. Mas, por outro lado, era forte em tentar retomar um rumo. Virei cozinheiro, pintor, faxineiro... Fiz boas novas amizades. Reencontrei antigas amizades. Passei meu aniversário bem longe de casa. Voltei a estudar. Adotei uma nova cachorrinha para fazer companhia ao Zizou. Amélie foi um grande acerto nesse período.

Mesmo assim, as coisas ainda se arrastavam. Então procurei me aventurar. Comecei a correr todo dia. O tempo agora era meu grande desafio. Os 6km deveriam ser vencidos em menos de 30 minutos. Perdi 19kg. Isso foi bom. Depois, fui praticar SUP. Todo fim de semana, por uma hora e meia, a solidão das remadas no Lago Paranoá me ajudavam a meditar e repensar a vida. Em seguida, peguei o skate do meu sobrinho emprestado e retomei essa prática. Caí algumas vezes, mas nada grave. Essas coisas me ajudaram a ocupar o tempo e voltar a ter algum prazer. Mas, mesmo assim, precisava de algo mais. Então, decidi saltar de paraquedas. Sim, loucura e vontade de sentir a vida. Foi incrível e com certeza voltarei a fazer.


Hoje, mais de um ano depois de “startado” todo esse processo, ainda me encontro em busca do eixo que talvez eu nunca tive na vida. Os planos pipocam em minha cabeça. De fazer cursos de paraquedismo e mergulho, até deixar o Brasil por um período. Não sei ao certo o que vem por aí. Mas vou me permitir viver “um dia de cada vez”, sem pressa e sem medos. Talvez seja minha crise dos 37 (hehehe), mas não acredito nisso. Depois de pensar estar com a vida encaminhada, hoje sinto algo muito parecido com o que sentia no momento em que precisava decidir qual curso fazer depois do extinto 2º Grau. Com uma grande diferença. Hoje sou muito mais preparado para encarar os desafios que hão de chegar e também mais maduro para planejar e executar bons planos. 

Se os dias continuam passando ou sendo vividos? Ah, ainda não tenho resposta para essa pergunta. Mas o tempo – senhor de tudo que existiu, existe e existirá – me responderá no momento certo. E que assim seja.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Merci beaucoup, ZAZ!

Algumas vezes, mesmo para quem tem por ofício a escrita, descrever algo ou simplesmente narrar um acontecimento se torna penoso. Isso porque se corre o risco de não ser fiel ao fato, de não conseguir passar ao leitor aquilo que realmente ocorreu em determinado tempo/espaço da história. Pois bem, mesmo com esse temor em mente, vou tentar aqui passar um pouco do que foi ZAZ por Brasília.


Para quem não sabe, ZAZ é uma talentosa cantora francesa que hoje espalha doçura e alegria por meio de seus sorrisos, gritos e ritmos por onde passa. Demorou anos, mas finalmente uma turnê dela veio bater em nossa capital. Como não poderia deixar de ser, comprei o ingresso com meses de antecedência. O que não adiantou muito, pois o show foi meio esvaziado. Fato que não poderia ter ocorrido, pois ZAZ merece público de Maracanã em seus melhores dias. Sem o majestoso e lendário estádio, coube à pacata casa de shows Net Live Brasília tamanha honraria.

O local não ajudou muito. Logo na entrada comentei com Veruchka e Gabriel: “ZAZ no Brasil é como Sidney Magal na Europa. Só vai quem conhece”. E é uma verdade. A plateia contou com a comunidade francesa em Brasília e brasileiros como eu, que conhecem um pouco e gostam da cultura francesa. Talvez tenha sido melhor, pois o ar-condicionado do local não suportou o público e o calor tomou conta. Realmente, ZAZ merecia algo melhor. No entanto, em Brasília, hoje, não temos boas casas para espetáculos. Fica o registro.

Se por um lado a casa decepcionou, por outro a cantora compensou. “La fée” (A fada) foi a primeira canção. Com arranjos novos, se comparado à gravação do CD, a música encantou como cartão de visitas. Lindo desempenho da bela moça que corria e gritava pelo palco com seu vestidinho colorido. Para cativar o público, ZAZ se arriscou no idioma de Camões. Boa noite Brasília! Gosto sempre que um artista internacional tenta agradar o público com gestos como esse. Sei lá. É algo que me faz pensar: “Legal! Ela se interessou por nós”.

Mas, sem graça e meio tímida, logo retomou o francês. Perguntou quantos da plateia falavam francês. Pediu para que levantassem a mão. Uma galera! Eu nem me arrisquei. Fiquei quietinho na minha, como um bom menino de Alexânia ao entrar numa loja de cristais. Fiquei encantado assim que ela se retirou do palco e o telão atrás começou a rodar imagens dela cantando “Si jamais j’oublie” (Se eu me esquecer). É uma das músicas mais bonitas. Fala exatamente do amor dela pela música, pelos gritos e pelo canto. Fantástica!

O mais divertido do show foi ver minha sobrinha Isadora com as amigas e amigos do colégio. Era uma alegria só. Ah, e ver Veruchka gravar várias partes do show também foi divertido. Eu sempre acho que tem coisas que devemos ver e guardar. Esse show era uma dessas coisas. Foi lindo! Mas tenho de agradecer de antemão essa ousadia da Veru. Agora tenho boas lembranças desse dia. :)


Como não poderia deixar de ser, o momento mais aclamado da noite foi quando ZAZ mandou “Je veux” (Eu quero). Nessa hora, parecia que todo mundo sabia a música. Até eu arrisquei cantar alguns pedaços. Mesmo que baixinho. Hehehe Para encerrar a noite, “On ira” (Nós iremos). Nessa hora, Isadora já estava bem cansadinha e saímos antes do Au revoir!

Cara, foi uma noite para ser lembrada. Quem não foi, perdeu. Ou não. O gosto é algo sempre discutível. Mas para mim, foi um belo show. Valeu a grana empenhada, a chuva de leve na entrada e a chegada tarde em casa. Tudo recompensado pela bela voz e talento de ZAZ, essa menina que já é grande e será ainda gigante. Que noite, amigos. ZAZ, merci beaucoup!

OBS: O trompetista da ZAZ é um capítulo à parte. Talvez um dia escreva sobre...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Tem como aumentar para 36 horas?


Impressiona o passar dos dias. Talvez pelas obrigações diárias e cobranças eternas de tudo e todos, já não consigo mencionar o tempo como algo que passa devagar, sem pressa. Para falar a verdade, sinto necessidade de mais tempo a todo instante. Quem dera os dias passassem a ter 36 horas e não mais as 24 horas. São muitos afazeres inadiáveis, além dos momentos que precisamos arrumar para lazer, visitar amigos, família e cuidar da casa.

Minha casa, inclusive, tem sido um lugar aonde só vou para dormir. Esta semana retomei o almoço em casa. Custe o que custar, vou fazer meu almoço e ficar com meus dois cachorrinhos por pelo menos uma hora. Hoje deu muito certo. Claro que a correria foi inevitável. Isso porque, antes de mais nada, tive de comprar frutas, legumes e hortaliças. Cheguei a minha casa e coloquei roupa para lavar enquanto lavava os alimentos.

O tempo, de Salvador Dalí

Aproveitei o meio tempo para descer com Zizou e Amélie. No retorno, a batata já estava quase cozida e era hora de secar a alface. Em seguida, temperei o peito de frango e cortei tomates e cebola. Arrumei a rúcula e preparei o prato das hortaliças. Ficou até bonito. Com a batata cozida, passei o peito frango e arrumei tudo no prato. Não fiz foto, mas confesso que tive orgulho. Retomar a alimentação em casa é qualidade de vida.


Almocei com prazer, escutando notícias sobre a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e outros temas. Logo, escutei o barulho da máquina encerrando as atividades. Hora de colocar a roupa para secar. Uma hora e meia de almoço e uma vida resolvida. Acho que o tempo bem aproveitado torna-se leve e prazeroso. Hora de voltar ao trabalho. A noite ainda tem a corrida diária para fazer, roupa para passar, dever de casa das aulas de francês e descida com os cachorros. É... a ideia das 36 horas diárias me cairia bem nesta etapa da vida.

terça-feira, 21 de março de 2017

Tome o controle da situação. Isso vale ouro

Odeio quando as coisas saem do meu controle. Odeio ficar a reboque de decisões de terceiros. De pessoas que nem sempre pensam no outro. Assim como eu, acredito que boa parte da população mundial pensa assim. No entanto, é preciso tentar compreender todo o processo, aceitá-lo. Nem sempre depende de nós, da nossa querência... E a vida é assim. Não adianta reclamar ou resmungar pelos cantos. Muitas vezes, viramos apenas passageiros de situações. Simples assim.

Recentemente, tenho passado por boas provações nesse sentido. No trabalho, na família, nos relacionamentos que escolhemos viver... Sempre há situações que incomodam. Tenho trabalhado isso da seguinte forma:

Situação X. Consigo resolver?
Sim, então não vou me preocupar e apenas trabalhar para resolver.
Não, então não vou me preocupar, uma vez que não tenho como resolver mesmo.

Nem sempre é fácil, pois o incômodo crescente gera ansiedade e estresse. Por outro lado, contar até dez é sempre um grande passo. A terapia tem me ajudado muito. Estar com um profissional alheio ao seu cotidiano te faz pensar em quantos pontos de vista pode haver em uma única situação. E olha que estou ficando perito nisso. O que outrora me incomodava, agora não tem passado de ruído somado a outros tantos que assobiam diariamente em meus ouvidos.

Encarar a realidade é sempre a melhor saída. Não adianta querer viver algo que não existe ou que se passa apenas na sua cabeça. Encare os fatos. Seja corajoso e não tenha medo de mudar. Mudar é bom. A mudança que muitas vezes esperamos pode estar dentro de nós mesmos. É apenas aceitar o processo, se render a ele e deixar fluir.




Administrar a vida é tarefa complicada. Requer muito conhecimento humano e autoconfiança. No que depende de nós, adiante... Se depender do outro, nunca se esqueça disso, prepare-se para a decepção. Já dizia o Barão de Itararé: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo”. A verdade é que não tem muita gente interessada na vida alheia não. Viver é sempre o melhor remédio para esse tipo de situação.

Certa vez uma senhora de uns 70 anos me deu uma lição de vida. Dizia ela: “Meu filho, sabe o que adoro nesta minha idade? Eu faço o que quero, falo o que me vem à cabeça e o povo ainda acha engraçadinho”. Está aí a graça da vida. Não se preocupe com o que o outro pensa de ti. Seja você, sempre. Assim, quem gostar de você vai gostar pelo que você é e não pelo que aparenta ser. E assim a vida ficará mais leve. Chega de se preocupar com o que as outras pessoas vão pensar. Tenha prudência, mas que tua vontade prevaleça em suas decisões. É o que quero para mim e para você.

terça-feira, 7 de março de 2017

O cinema que inspira...

Não há fórmula ou mesmo uma receita para se viver a vida. Muitas vezes planejamos, sonhamos, refazemos os planos e, mesmo assim, a vida nos atropela e nos faz recomeçar. Muitas vezes do zero. Há magia nisso. Só os fortes conseguem seguir depois de grandes derrotas. Lembro a frase do eterno personagem Rocky Balboa: “Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha”.



O cinema é mesmo uma fonte de inspiração para quem quer viver. Dizem que a arte imita a vida, e vice-versa. Eu adoro filmes, de todos os gêneros. Confesso que deixei o terror de lado faz um bom tempo, mas em dia com os outros. No fim de semana assisti a dois dramas fantásticos. O primeiro chama-se Amour e foi vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012, se não me engano. O segundo, A odisseia de Alice, é também de muito valor por retratar de forma real a vida da única mulher em um cargueiro pelos mares do mundo. Bota lição de relacionamentos nisso, em ambas as películas.

E sobre relacionamentos a vida só nos proporciona acúmulo de experiências. Você nunca estará preparado. É sempre novo, diferente, atraente, desafiador e, porque não assumir, monótono. O mais legal nisso tudo é que você pode fazer sempre diferente. Se reinventar ou mesmo fazer ajustes necessários. Ajustes esses não para agradar a ninguém, mas para te tornar uma pessoa melhor. Afinal, o que conta no fim de nossas vidas deve ser o que de bom plantamos por onde passamos.

No filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain tem uma cena muito boa. O personagem entra num jogo onde para diante de uma estátua. Ela aponta para o céu e o personagem fica sem entender porque chegara até ali. Eis que uma criança o cutuca e diz: “Quando o dedo aponta o céu, o idiota olha para o dedo”. Voilá! Quantas vezes deixamos de olhar para o que está por vir para nos prendermos ao pequeno? Olhar o dedo não mudará nada sua visão de vida. No entanto, se olhar para o céu as possibilidades serão infinitas.

E o que dizer da frase do Don Corleone, de O Poderoso Chefão: “Um homem que não se dedica à família nunca será um homem de verdade”. Nossa, que forte. Considero essa frase muito real. E não apenas para homens, mas também para mulheres. Afinal, família é família.



Sei que cada um dos meus seis leitores tem suas frases favoritas do cinema. Poderia listar outras tantas aqui, mas não convém. O recado foi dado. Busque filmes que dizem algo também, não apenas entretenimento. O cinema é um retrato da vida e muitas vezes pode lhe dizer algo bacana. É assim que encaro os filmes que me proponho a assistir…


Da obra vermelha para o vermelho da vergonha

Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo. Nessas andanças pelo Brasil, deparei-me novamente com a bela Belo H...