segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Da malandragem à generosidade. Eis o carioca

“O carioca é aquele que sai na escola de samba
O carioca é aquele que pelo Rio se inflama
O carioca é aquele que vive de gozação
Mas ama seus companheiros, pois todos são seus irmãos”
Ari do Cavaco / Otacílio
 
Nessas idas e vindas ao Rio de Janeiro, o carioca sempre consegue me surpreender. Seja pela malandragem ou pela camaradagem, eles nunca conseguem passar em branco. Meus sete leitores lembram do episódio em que um deles disse que estava me aplicando uma “tática comercial” para justificar uma situação em que ele ganharia mais na venda de duas capas de chuva. Claro que não colou. Mas desta vez, ao levar meu sobrinho Matheus comigo, a situação foi totalmente diferente.
 
Estávamos em Niterói prontos para ir ao jogo do nosso Botafogo. O destino era o Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro. Uma longa viagem. Pegamos um ônibus no terminal com destino às proximidades da Central do Brasil. De lá, pegaríamos o trem para o estádio. Muitas linhas saem da Central do Brasil e meu receio era passar perto de uma cracolândia que fica perto da entrada da estação. Quando atravessamos a ponte Rio-Niterói, o motorista disse que saltaríamos em breve. Vestidos com a camisa do Botafogo, nos posicionamos perto da porta. Eis que surge o grande Altamir.
 
Escutei uma voz:
 
- Estão indo para o Engenhão? Cuidado com essas ruas próximas à Central do Brasil. São perigosas. Vou visitar meu irmão que mora ao lado do estádio.
 
Não me preocupei:
 
- Se estiveres indo para lá, podemos ir juntos. Afinal, vamos pegar o mesmo trem.
 
E descemos do ônibus. Como adiantara Altamir, a cena era meio triste. Uma longa rua com o comércio agitado. Nas calçadas, alguns “cracudos” e pessoas tomando cerveja. Altamir alertou:
 
- Vamos pelo meio da rua, entre os carros mesmo. É a maneira mais segura de chegarmos à Central do Brasil.
 
Seguimos e tudo deu certo. Durante o caminho, ele perguntou de onde éramos e ao saber que nossa casa era em Brasília, logo sorriu e disse que serviu na Marinha por alguns anos em nossa capital. O sorriso dele não saiu mais do rosto. Perguntou sobre como anda a cidade, a roubalheira dos políticos – mas lembrou que todos os estados mandam para lá a pior corja – e a seca tradicional do cerrado.
 
Já dentro do vagão rumo ao Engenho de Dentro, as cenas mais engraçadas já presenciadas por mim dentro de um trem. Se o conhecido “drops, halls, caramelo, amendoin... Só paga 100” te incomodava, em Brasília, no Grande Circular ou no eterno 145, imagine a seguinte frase:
 
“Atenção ao vendedor. Atenção. Eu estou aqui com esses tabletes de chocolate e vocês não vão adivinhar de onde são. São da Cacau Show. Ehhhh... Aquele que a Camila Pitanga faz propaganda no intervalo da novela. E NÃO SÃO ROUBADOS. Olha bem pra minha cara. Eu tenho cara de ladrão? Juro pela minha sogra mortinha que não são roubados. E o preço? Apenas 5 real. Quem mais vai querer?”
 
Muito interessante o senso de sobrevivência da pessoa. Mesmo sem ter vendido um quadradinho sequer, ele repetia aos gritos: “Quem mais vai querer?”. Confesso que não vi ninguém comprando. Ao mesmo tempo, uma confusão do outro lado do vagão.
 
- Te meto a porrada. Se não quer, não peça – esbravejou o vendedor de cerveja. Sim, um vendedor de cerveja dentro do trem rumo ao estádio. Eu não pensei duas vezes e comprei logo um latão. E olha que estava bem gelada.
 
Altamir, sempre sorrindo, disse:
 
- Hoje estão bem tranquilos. Durante a semana, você não consegue identificar nem o que estão vendendo. É uma gritaria só.
 
Chegamos ao Estádio Nilton Santos e, sempre muito prestativo, Altamir nos deu dicas de como voltar com segurança para Niterói. Disse para não pegarmos o ônibus 154 porque ele passa perto do Maracanã e tinha jogo do Flamengo logo depois. Voltar de trem também poderia ser perigoso, apesar de que quando o jogo do Botafogo terminasse, o do Flamengo já teria começado. A chance das duas torcidas se encontrarem nos trens era bem pequena. Na opinião dele, o melhor seria pegarmos o 170 até a Estação das Barcas e de lá seguir para Niterói. O 170 não passava perto do Maracanã.

Altamir fez questão de nos deixar no portão de acesso. Apesar de ser flamenguista, o que não tira o brio da figura, ele disse que estaria torcendo pelo Botafogo. Deu certo, vencemos o Náutico por 1 a 0. A volta para Niterói, apesar de longa de cansativa, ocorreu tudo bem. E o Altamir restou na memória deste humilde espaço de relatos sobre as andanças pela vida.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Acabou-se. Só restou dentadas

A psicologia canina, se é que existe isso, parece ter dado um nó em minha cabeça. Vocês conhecem as histórias e peripécias de Calvin e Zizou, nossos dois JRTs que gostam de aprontar. Pois bem. Se a amizade entre eles era uma esperança para Calvin se socializar, acabou-se. Os dois não se batem mais. Mais que isso: querem se matar, ao que parece. É dentada para todo lado. Juntos, agora, só em fotografias. Daquelas que serão vistas daqui a anos e surgirão comentários: "Como eram amigos. Até sei lá quem fazer sei lá o que com o outro".

Não sei dizer quem começou ou porque começou. Certo é que a guerra agora é aberta e não existe mais alvo civis ou militares. Vale tudo. Meu cunhado ganhou uma fêmea de JRT, a Lalai. Até então, uma oportunidade para Zizou conhecer outra criatura dócil e sapeca. Saí de casa a pé para a visita, que ocorreu na noite passada. Depois de mais ou menos 1,5 km cheguei ao destino. Peguei o elevador e logo estava de frente para a porta da discórdia.

Toc, toc, toc... Após não ser atendido, toquei a campainha. Pléééééé!!! Algo arranhou a porta na parte inferior. Calvin percebera a presença de Zizou e se preparou. Para evitar um ataque frontal, peguei Zizou no colo e a porta se abriu. Os saltos do Calvin já mostravam a vontade que ele estava de massacrar. Levantei mais alto para que ele não alcançasse as patas de Zizou. Sem sucesso. Calvin achou o rabo de Zizou e lascou a dentada, ficando por alguns segundos pendurados até que eu desse um tapa nele. O sangue mostrou a gravidade do ataque. Demoramos uns 5 minutos para estancar.

Ferido, Zizou tentou de toda forma descer para revidar aquela mordida. Arrepiou-se todo e tentava se soltar das minhas mãos a dentadas também. Fiquei marcado com isso. Minha cunhada pegou Calvin e o trancou no primeiro cômodo que viu. Ali ficou constatado que entre Calvin e Zizou tudo se acabou. Não resta mais nada. Apenas dentes para lá e dentes para cá.

Ah, e sobre a Lalai... É uma criatura danada, agitada, dócil e também gosta de morder. Talvez pelos dentes ainda serem de leite – ela só tem 60 dias – as mordidas são necessárias. Zizou brincou com ela e não mais viu Calvin na noite. Triste saber que agora ou tenho que estar com Zizou ou com Calvin. Os dois juntos, só em fotografias.

Calvin e Lalai brincando. Falta Zizou, mas isso agora é impossível.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Um braço para lá de especial

Por muito tempo busquei olhar o céu do Brasil de uma forma especial. Contemplar as estrelas e os cosmos é parte da minha vida. Sempre que posso, e as nuvens permitem, olho para o céu noturno do hemisfério sul. Antes que me perguntem, respondo. Eu nunca comprei uma luneta para olhar melhor essa maravilha. O motivo? Não sei explicar. Gosto de tudo relacionado ao universo. E acredito que não passamos de poeira cósmica criada por algum ser muito superior. Neste caso, Deus.

Na chácara São Francisco, já consegui presenciar céus incríveis. Uma noite sem lua, com falta de energia em Alexânia (cidade a 10 km de distância), o céu realmente se despiu. Mas nunca foi o que eu buscava ou passou perto do que eu buscava. Eu buscava ver um pedaço do braço. Sim. Do braço da nossa Via Láctea. É sabido que nosso Sistema Solar orbita nossa galáxia na extremidade de um de seus braços em espiral. E estamos muito distantes do centro da Via Láctea. Muitos cientistas, aliás, acreditam que exista um buraco negro lá no meio. Mas isto ainda é motivo de discussão entre os cabeçudos. Eu vou me ater ao que vi.

No dia 25 de novembro de 2014, peguei um avião para João Pessoa, na Paraíba. Era para eu sair de Brasília às 23h50, mas a forte chuva adiou o voo por mais de uma hora. Paciência. Voamos então para Salvador, na Bahia, onde fizemos uma escala. De Salvador para João Pessoa atrasaram mais uma hora. Quase perdido no tempo, por conta dos atrasos, vi que ao sair de Salvador o relógio já passava das 3h da matina. A partir daí, contemplei o que esperei muito tempo para ver.

Após a decolagem, percebi que a rota a seguir ia perto da costa, mas sobre o Oceano Atlântico. Depois que as luzes de Salvador ficaram para traz, surgiu o toque de sorte. O piloto apagou todas as luzes do avião e as pessoas dormiram. Resultado: tudo escuro dentro e fora da aeronave. Perfeito. Eu estava sentado na poltrona 23F, longe das asas e, portanto, longe da luz emitida por elas. E eu estava posicionado para o lado do oceano. Não poderia perder a chance. Para completar a sorte, céu de brigadeiro.

Olhei para o lado e lá estava ele. O firmamento era facilmente identificado por conta da claridade emitida por milhares, talvez bilhares de estrelas. Quem poderia contar? Busquei a constelação do Cruzeiro do Sul para me localizar. Encontrei com dificuldade, pois nunca havia contemplado tantas estrelas no céu. Percebi que a cada segundo ele ficava para trás, seguindo para a calda do avião. Lembre-se que nosso destino era ao Norte.

Fiquei imaginando o que Edmond Halley viu ao mapear, em 1678, as estrelas do céu meridional. Imaginei também por quantas vezes essas estrelas salvaram a vida dos conquistadores, mostrando o caminho para o Novo Mundo e também para o triste massacre da cultura indígena da América. As estrelas são sempre um achado novo e velho. Olhar hoje para o céu é olhar para as estrelas em 1994, segundo especialistas. Isto porque a luz viaja muito para chegar aqui e, portanto, quando chega já se passaram quase 20 anos de sua emissão. E isto é fantástico.

Não vou me alongar mais. Estou publicando duas fotos que chegam perto do que eu vi na chácara São Francisco e no voo de Salvador para João Pessoa. A segunda, que mostra o braço da Via Láctea, chega mais perto do que vi lá de cima. Acho que será difícil repetir esse feito. Mas nós não sabemos os mistérios, os segredos e as surpresas que os cosmos nos preparam.

Esse vídeo é incrível e mostra o efeito que a rotação da Terra faz com o braço da Via Láctea no hemisfério sul.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Canário, uma contradição incompreensível

É estranho não compreender as atitudes dos homens. Imaginem o quão terrível é, por exemplo, prender um Canário da Terra em uma gaiola por amá-lo e apreciar seu canto. De fato nunca compreendi a lógica disso. Tive, quando criança, dois periquitos australianos. Aqueles coloridinhos que você compra em qualquer casa rural. Quando morreram, chorei e me culpei por tê-los deixado preso a vida toda naquela gaiolinha. Nunca mais quis ter pássaros.

Muitos anos se passaram e meu contato com pássaros apenas diminuiu. No máximo via pombas urbanas e pardais pelas ruas de Brasília. Nada muito especial como quando era criança, ainda na fazenda onde um tio trabalhava e a gente via João de Barro, Rolinhas, Bem-Te-Vi, Tiziu, Pica-Pau, Araras, e outras tantas espécimes. Confesso que já não parava para escutar um canto, para ver a cor da plumagem, apreciar a natureza das aves.

A vida se resumiu a pombas urbanas e pardais. Até que meu pai comprou uma chácara em Goiás. No início, não havia muitos pássaros. Contam que os filhos do vizinho viviam com estilingues carregados para derrubar qualquer pássaro que ousasse sobrevoar a área. E realmente não ouvíamos muitos cantos por perto, apesar de estarmos dentro do cerrado. Estranho não?

Mas isso mudou. E é agora que entra a parte mais contraditória desta vida que às vezes não consigo compreender. Um compadre meu, o Rezende, é um amante de pássaros, principalmente de Canário da Terra. Desde criança, via em sua casa gaiolas com vários deles presos e cantando. Rezende sempre se orgulhou de seus canários. Com o passar dos anos, montou um grande viveiro em um cômodo de outra casa. Pela manhã, quando por lá dormia, acordava ao canto deles logo no romper da alvorada. Era diferente, pois como disse antes, a vida se resumiu a pombas urbanas e pardais.

Rezende, então, provou que a mesma mão que prende, liberta e preserva. Como? Ele pegou um casal de Canário da Terra e levou para a chácara. Iniciou-se, aí, um processo de reintegração na natureza de canários que antes estavam presos. Com a colocação dos canários, vieram as Rolinhas, o João de Barro, o Tucano, o Sabiá... A natureza voltou a ser ocupada por eles e meus ouvidos passaram a escutar sons que há tempos já tinham sido esquecidos.

Devemos agradecer sempre por aquilo que não compreendemos. Não fosse o Rezende, aquele mesmo que tinha pássaros presos em sua casa, não conseguiríamos repor aquilo que foi caçado pelo homem. Hoje, o amanhecer na Chácara São Francisco é calmo, sereno e com muito canto de pássaros. Como manda a Mãe Natureza.

Obrigado Rezendão

Pra você deixo essa música



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Zizou na área... mais confusão

Que meus seis leitores já conhecem o Calvin isto não tenho dúvida. A parada agora é outra. Não bastasse o Calvin para fazer todas as travessuras do mundo possíveis e morder calcanhares distraídos, ganhamos mais um amigo: Zizou. O nome não é novidade neste humilde espaço. A novidade é que ele não é filhote do Calvin. Enfim, o dono do canil de Jack Russel Terrier ofereceu um e nós aceitamos.

Na rua, ninguém consegue distinguir quem é Calvin e quem é Zizou no jogo do bicho. Isto porque são irmãos. Mas apenas por parte de mãe. A marca na cara é praticamente a mesma. No entanto, fisicamente Zizou é mais alto que Calvin. No meio dos profissionais, um é chamado de JRT pata curta e o outro de JRT pata longa. A personalidade de um também é bem diferente do outro. Calvin é o que já conhecem. Ziziou é mais tranquilo, talvez por ter ficado no canil até seus 11 meses.

Zizou chegou à nossa casa com muito medo. Medo de tudo. Até de sua sombra. Tão desconfiado, que ao sair para passear parecia uma pessoa saindo da balado no fim da noite para pegar o carro no estacionamento escuro: olha para todos os lados, menos para frente. E foi numa dessas, sem que eu percebesse, que ele deu de cara no porte de uma placa de trânsito. O barulho foi um só... toc!

Em um encontro com um cachorrinho bem menor que ele, Zizou colocou o rabo entre as pernas e simplesmente vazou. Outra vez, a coleira soltou da minha mão e bateu no rabo dele. Esse cachorro pegou uma carreira que pensei: “meu Deus, como vou explicar que perdi o cão no segundo dia?”. Isto porque quanto mais ele corria, mais a coleira batia no rabo dele e mais ele se assustava. Minha sorte é que a coleira ficou presa na roda de um carro no estacionamento e ele parou.

Depois, com uma semana de novo lar, ele recebeu a visita do Calvin. A farra foi grande. E isto deu mais confiança a ele. Hoje, passadas quase três semanas, Zizou já está na boa. Recentemente, deu até aula de etiqueta para o Calvin na chácara da família. Enquanto Calvin ficou preso por mau comportamento (morder tornozelos de crianças e quem mais aparecesse pela frente), Zizou entrou na roda e conquistou a todos. As crianças então, nem se fale. Era carinho pra lá e pra cá. Mas Calvin também se divertiu e isto que importa.

Agora temos dois JRT. Um para fazer nossa alegria e tocar o terror e o outro para fazer a alegria das crianças. E assim segue a vida.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Solta o calcanhar dele, Calvin

Vergonha deveria ser a palavra certa para descrever o que o Calvin tem aprontado ultimamente. Baixinho, ele não perde tempo em dar umas boas dentadas nos calcanhares distraídos que passam por perto de sua grande boca. O “bote” parece de uma cobra: rápido e certeiro. E nós, responsáveis por sua educação, ficamos com cara de chinelo com familiares e visitas.

Na sexta-feira, o amigo Eduardo veio nos visitar. Paloma e eu pensamos: “que legal. Vamos levar o Calvin pra casa para ele conhecer nosso amigo e se divertir”. Tudo estava arrumado. Só faltou combinar com o Calvin. Faltou. Por volta das 16h30, depois de arrumar a casa, fui buscar o mascote. Alegre, esse Jack Russel Terrier logo percebeu que sairia para mais uma festinha. Antes mesmo de pegar sua comida e seus brinquedos, ele já pulava em minhas pernas e corria para a porta de saída. Entrou no carro e, para variar, colocou a cabeça para fora da janela. Aliás, isso é novo nele. Tenho deixado a janela aberta só com espaço para ele colocar a cabeça. Porque da última vez que fiz um teste com toda janela aberta, ele simplesmente saltou do carro, que estava a uns 15km/h. Foi sofrido.

Em minha casa, Calvin já se sente a vontade. Sobe no sofá, corre pelos quartos, lancha na área de serviço e espera a hora de descer. Começo a acreditar que ele está se acostumando com o apartamento. Tomara. Já passava das 20h quando decidimos levar o Calvin junto para buscar o Eduardo no aeroporto. Chegamos e ficamos no estacionamento por mais de meia hora. Calvin, claro, ficou numa agonia danada e começou a latir para rodas, carrinhos, sapatos e tudo mais que conseguir enxergar por debaixo do carro. E todos olhavam admirados.

Eis que Eduardo chegou. Ao longe fiz sinal para ele. Apesar da grande miopia, percebeu ser eu a gesticular. Ele não sabia da presença de Calvin e foi chegando, chegando... Aí veio o “bote” certeiro... Em menos de um segundo, Calvin, o veloz, salta e cai de boca no tênis do Eduardo. Paloma acredita que Calvin teve ciúmes de mim. Não sei ao certo, mas pode ser. Sempre que estou por perto o comportamento dele é esse. E quando estou longe, segundo relatos, é de um cão mais tranquilo.

Entramos no carro e Calvin continuou. Eu no volante, Eduardo no banco do passageiro e Paloma se gladiando com Calvin para que ele parasse de latir e tentar morder o Eduardo. Uma decisão foi tomada: “vamos deixá-lo na Veruscka”. Tadinho, saiu para passear e agora iria voltar para sua casinha. No meio do caminho, Calvin parou de latir. No entanto, consideramos ser mais prudente levá-lo para lá. A noite seria de bons papos e cerveja gelada.

Não foi a primeira vez que Calvin, o mordedor, conseguiu achar um pé. Na chácara do meu pai, certa vez, o deixei embaixo do pé de caju enquanto arrumava algumas coisas. Meu irmão veio todo distraído e passou por perto. O “bote” mais uma vez foi certeiro e o sangue escorreu pelo pé. Não que as mordidas do Calvin sejam fortes. Os dentes são afiados. E ele morde, na maioria das vezes, por brincadeira. Mas isto, poucas pessoas entendem. De qualquer forma, o Calvin continua nos oferecendo bons momentos de alegrias e risadas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Calvin volta ao Parque da Cidade. Confusão!


Não fosse o calor do verão no cerrado, o passeio com o Calvin no Parque da Cidade seria ainda melhor. De férias, termômetros marcando 31 graus, resolvi convidar o Gabriel para levar as sobrinhas (Isadora e Laís) e nosso mascote para passear. Paramos no estacionamento do Carrera Kart e foi ali que a confusão começou.

Peguei a coleira e saí para dar uma volta no gramado enquanto o Gabriel tentava, sem muito sucesso, fazer a Laís dar algumas pedaladas. Isadora, mais desenvolta, já estava lá na frente. No gramado em questão havia algumas corujas. Calvin, o corajoso, não poderia deixar por menos e logo correu para cima das pobres aves assim que percebeu a presença. Como estava na coleira, a investida não obteve muito sucesso. Pior para ele. Ao perceber que ali não poderia soltá-lo da coleira, chamei o Gabriel para seguirmos até outro lugar. Antes de sair, porém, veio o troco. Uma das corujas voou e deu um rasante nas costas do Calvin, que ao perceber o ataque apenas colocou o rabo entre as pernas e procurou logo o carro para sair.

Seguimos para o estacionamento seguinte. Antes de o deixarmos bem a vontade, Calvin encrencou com uma patinadora, para variar um pouco. Depois, com mais espaço e menos movimento, logo deixamos o Calvin solto. Sem problemas com movimento, ele resolveu brincar com as mangas no chão. E como o Gabriel esqueceu os brinquedinhos dele, aproveitamos para arremessar frutas para o Calvin buscar. Deu certo.

Já estava começando o pôr do sol quando o Caio ligou dizendo que passaria no Parque para me encontrar. Precisávamos conversar algumas coisas de trabalho. Tudo bem, eu sempre estou disponível aos amigos. Logo ele chegou. Ao longe foi avistado pelo Calvin, que pensando ser algum intruso correu para nos proteger. Correu muito e chegou antes mesmo que Gabriel ou eu pudéssemos gritar para ele parar. Apenas disse de longe para o Caio não se mexer. Calvin chegou pronto para morder as calças dele. Logo voltou e quanto percebeu que o Caio não iria parar seguiu novamente para o ataque. Ai ai ai viu Calvin.

Fui correndo ao encontro dos dois e peguei o Calvin no colo. Ele se acalmou ao perceber que o Caio era nosso amigo. Intrigou-me bastante esse comportamento do Calvin. Volto a repetir, ele é um Jack Russel Terrier. Gostei do espírito de cão que cuida da gente, de cão amigo, de cão companheiro. Ficou bem nítido isso hoje. Depois do ocorrido, ficamos mais alguns minutos e logo fomos embora. A tarde foi de muita agitação para o Calvin. Correu, comeu manga, saltou obstáculos e, na cabeça dele, ainda nos defendeu. Eita cachorrinho mais que amigo. Vai sonhar com essa valentia a noite toda.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Eu posso, você pode...


Alguns acontecimentos nos fazem sentir mais vivos. Este fim de semana, consegui cumprir as promessas que fiz no início de ano. E como é gratificante perceber que a perseverança foi sua companheira no decorrer dos meses. Para quem não sabe, completei a Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte. Não digo que esta foi uma meta estabelecida no primeiro dia do ano, mas foi sim algo planejado.

Retornando a Brasília, percebi que conquistei três grandes vitórias no campo da atividade física. A primeira ocorreu em julho, quando ao lado do amigo Eduardo Lopes corri e completei a Meia Maratona da Cidade do Rio de Janeiro. Foram 21 quilômetros de esforço físico e também psíquico. Explico. Não basta correr, precisa ter a cabeça boa para não desistir, pois o cansaço é grande.

Passados dois meses da Meia Maratona, lá estava eu novamente em outro desafio. Desta vez, no dia 22 de setembro, acompanhado pelo Rogério Herbert, pedalei 112 quilômetros. Uma viagem de Brasília até a Chácara São Francisco, em Alexânia – a cidade que nunca dorme, pois só dorme quem despertou e ela ainda não despertou.

Entre o pedal e a corrida eu prefiro o pedal. Mas aventurei-me novamente nas passadas solitárias e no dia 9 de dezembro encarei o asfalto de BH. Desta vez foram 18 quilômetros. E quando estava correndo e apreciando a Lagoa da Pampulha pensei nestas coisas e nas pessoas que me apoiaram. Ninguém faz nada sozinho. Se no Rio tive a amizade e companheirismo do “Goiaba”, no pedal tive a fraternidade do “Gero” e em BH o carinho da Nanda e do Wesley, que mesmo sem correr me esperaram pacientemente na chegada.

E a lição que aprendi é que tudo é possível quando você não desiste. É naquele momento de fraqueza, de dúvida se você deve continuar ou não que você precisa pegar forças dos amigos. E graças a Deus, eles nunca me faltaram. As lembranças estão guardadas no meu coração. E algumas em fotos e medalhas. Mas o que vai ficar é a certeza que em 2012 eu venci a mim mesmo. E isto é algo que nos faz bem. Não sou melhor que ninguém. Todos podemos e devemos nos desafiar sempre. O sucesso é apenas a vitória de você sobre você mesmo. Movimente-se e faça acontecer. Se eu consegui, tenho toda certeza do mundo que você também consegue.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um novo amigo: Calvin


Não vou criar aqui uma cópia do “Marley e Eu”, mas confesso que não posso deixar de escrever sobre o nosso amigo que chegou em boa hora, o Calvin. A ideia de ter um cachorrinho partiu das sobrinhas da minha noiva. O namorado da minha cunhada pensou e comprou um Jack Russel Terrier. Pra quem não sabe de que raça se trata, é aquele cãozinho do filme “O Máscara”. O nome é uma homenagem ao estilista americano Calvin Klein.

O Calvin chegou em casa ainda bem pequeno, com uns 60 dias de vida. E foi crescendo, crescendo e crescendo. E como dizem que o cachorro escolhe seu dono (leia-se amigo preferido), tive a honra de ser escolhido por ele. Desde o primeiro dia, literalmente, o Calvin não sai do meu pé. Eu estaciono o carro na rua e ele via para a janela. Eu entro na casa e ele pega brinquedos para me alegrar. Eu vou tomar café e ele fica embaixo da mesa deitado me esperando levantar. Eu vou tomar banho e ele fica sentado ao lado de fora esperando eu acabar. É um amor interessante.

Desde criança gosto de cachorros. O último que tive morava na casa da minha avó. Se chamava Pinguim. Era um cachorrinho preto com o peito branco. Daí o nome. Tadinho do Pinguim. Morreu atropelado. Escapou um dia da casa da minha avó e pimba, entrou debaixo de um carro. Eu fiquei triste, claro. Tinha apenas 12 anos. Depois disso confesso que perdi um pouco a graça por animais de estimação. Mas a chegada do Calvin mudou tudo e retomei esse carinho por cães.

O Calvin é inteligente, esperto e dinâmico. Pula como nenhum outro. O fato de a raça ter sido desenvolvida para a caça o faz um cão pequeno, rápido, ágil, inteligente e surpreendente. Uma vez coloquei uma música no notebook e o deixei bem a vontade. Ainda filhote, ele procurou o som atrás do computador. Depois ficou cheirando cada tecla. Por fim, ao perceber que não descobrira, resolveu colocar a pata no teclado e acabar com a brincadeira. Deu certo, na concepção dele. 

Nosso Calvin hoje já tem sete meses. Nas próximas crônicas vou contar episódios específicos sobre ele. Tem uma promessa de que a primeira cria dele será doada a mim. O nome já foi escolhido: Zizou. Uma homenagem ao craque Zinedine Zidane, o carrasco do Brasil nas Copas de 1998 e 2006. Espero que meus sete leitores tenham paciência para ler essas crônicas. Até a próxima.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Elza Soares - Um encontro para ser lembrado

Como botafoguense que sou, admiro a mulher que Elza Soares foi para o maior ídolo do Botafogo, Mané Garrincha. O filme “A Estrela Solitária” retrata bem o papel fundamental que a cantora desempenhou na vida do craque. Hoje, tive a hora de conhecer pessoalmente esta artista tão especial do Brasil. Como descrever este recorte da minha vida? Tentarei fazê-lo fiel ao que realmente foi.

Pela manhã recebi uma ligação da deputada com quem trabalho. Pediu para eu ir ao gabinete de outra parlamentar para “monitorar” o encontro. Fui e quando cheguei percebi de quem se tratava. Um sorriso cativante foi dado no primeiro olhar. Com óculos escuro, não consegui perceber os olhos tão marcantes de Elza. Fiquei de frente a ela, que conversava com a parlamentar.

As histórias, como não poderia deixar de ser, tratavam de Mané Garrincha. E com  muito carinho, Elza relembrava fatos marcantes dos 17 anos de convívio com o Anjo das Pernas Tortas. “Imaginem, talvez eu tenha sido a única mulher do mundo a ser presenteada com uma Copa do Mundo. O Mané me deu a Copa de 62”, lembrou Elza, sorrindo.

Depois gravou um vídeo pedindo aos deputados para derrubarem o veto ao projeto de lei que garante o nome Mané Garrincha ao estádio de Brasília. Para a Copa de 2014, está sendo erguido um grande e moderno estádio e o GDF não quer dar o nome de Mané Garrincha a ele. Elza foi firme: “É um verdadeiro absurdo alguém querer retirar à força uma homenagem a quem realmente ergueu o nome do Brasil e fez com que o nosso povo tivesse orgulho de sua pátria”.

Concordo com ela. Para que deixar de homenagear um dos maiores jogadores da história do futebol? Escutei outros tantos episódios. Ao falar com um deputado ao telefone, Elza perguntou se ele sabia o que era Garrincha. Explicou sobre o pássaro arisco que deu o apelido a Garrincha. “Deixe esse passarinho viver”, clamou.

Não resisti tanta simpatia e pedi para registrar o momento. Antes de me posicionar ao lado de sua cadeira (Elza tem 75 anos e algumas limitações físicas), falei: “Sou botafoguense e não poderia deixar de levar essa grande lembrança comigo”. Ela, com muito carinho e sorrindo me respondeu: “Vou ter que te decepcionar. Apesar de ter sido mulher do Garrincha, sou flamenguista”. Não me incomodei e brinquei: “Talvez por esse amor ele tenha vestido aquela camisa (Flamengo) uma vez. Compreensível”. Sorrimos e nos despedimos.

Foi um dia especial e que mereceu uma citação neste humilde espaço. Garrincha, com suas pernas tortas, driblou seus adversários dentro de campo pelo mundo afora. Agora, precisa de nossa força para que a homenagem a ele seja mantida. Eu continuarei na luta para que o nome de Mané Garrincha não seja esquecido. “Tem que continuar Estádio Mané Garrincha... Tem que continuar Estádio Mané Garrincha”, cantou Elza Soares no último show em Brasília.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Olha eu aqui mais uma vez

O ano começou. E eu recomeço a escrever, pela milésima vez, neste espaço. A promessa é sempre a mesma: publicar periodicamente. Vou me esforçar. O que tem de novo em 2012? Bem, muitos dizem que o mundo acaba. Não acredito. O fim, estou certo disso, ainda vai demorar bilhões de anos. É algo simples. O universo continua se expandindo, fisicamente, e só depois vai começar a retrair até chegar ao ponto de um simples próton ou elétron. Pelo menos é o que a física ensina.

Descartando o fim do mundo, para este ano os projetos são promissores. Até porque anos pares são sempre bons em minha vida. Sempre foram. Se em anos ímpares as dificuldades são grandes, nos pares tudo se resolve com mais naturalidade e a felicidade é constante. Enfim devo ir pra chácara do meu pai de bike. Além disso, quero ter mais tempo para montar outro quebra-cabeça. Até porque o último demorou mais de ano.

A família virá sempre em primeiro plano. Apesar da dedicação ao trabalho, creio que só estarei bem se estiver nos pilares da minha família. Dali tiro forças para tudo. Quero ser mais caridoso. A caridade é uma porta aberta para a felicidade plena. Doar tempo ao próximo e ajudar sempre, sem olhar a quem. É muito bonito falar isso. Todos falam, poucos fazem. E eu quero fazer ainda mais.

Recentemente, vi um documentário do astrofísico e cosmólogo Stephen Hawking. Esse inglês é bomba atômica para o mundo religioso. Mas tem algumas teorias que me fizeram pensar. Pensar não na existência ou não de Deus, mas sim no momento. Sim, não estamos apenas fazendo graça neste momento da história do universo. Estamos aqui e é aqui que devemos fazer. O que vem depois? Não sei. Mas eu quero fazer agora e não me preocupar com o depois.

Muita gente se apega ao que não conhece para explicar o que ainda não se tem uma explicação racional. Deus conforta aqueles que não querem admitir uma realidade. Sempre fui religioso e continuo sendo, mas não acredito em imposições, seja de padre, pastor, rabi ou qualquer outro “representante” de Deus na Terra. Para mim, é uma questão de escolha.

Tirando a religiosidade, o que resta somos nós. Você, eu e o próximo. E espero muito que possamos, com nossas atitudes, fazer um mundo melhor. Até porque é o único que temos e sem chances de encontrarmos outro.

Da obra vermelha para o vermelho da vergonha

Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo... e com o Botafogo. Nessas andanças pelo Brasil, deparei-me novamente com a bela Belo H...